
Para pensar 27

Blog de de Alice – Alinhavando letras
A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –


Eu escrevi um poema triste
E belo, apenas da sua tristeza.
Não vem de ti essa tristeza
Mas das mudanças do Tempo,
Que ora nos traz esperanças
Ora nos dá incerteza…
Nem importa, ao velho Tempo,
Que sejas fiel ou infiel…
Eu fico, junto à correnteza,
Olhando as horas tão breves…
E das cartas que me escreves
Faço barcos de papel!
(Imagem: banco de imagens Google)

Não te amo como se fosses a rosa de sal, topázio
Ou flechas de cravos que propagam o fogo:
Te amo como se amam certas coisas obscuras,
Secretamente, entre a sombra e a alma.
Te amo como a planta que não floresce e leva
Dentro de si, oculta, a luz daquelas flores,
E graças a teu amor vive escuro em meu corpo
O apertado aroma que ascendeu da terra.
Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,
Te amo assim diretamente sem problemas nem orgulho:
Assim te amo porque não sei amar de outra maneira,
Senão assim deste modo que não sou nem és,
Tão perto que tua mão sobre o meu peito é minha,
Tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.
Antes de amar-te, amor, nada era meu:
Vacilei pelas ruas e as coisas:
Nada contava nem tinha nome:
O mundo era do ar que esperava.
E conheci salões cinzentos,
Túneis habitados pela lua,
Hangares cruéis que se dependiam,
Perguntas que insistiam na areia.
Tudo estava vazio, morto e mudo,
Caído, abandonado, decaído,
Tudo era inalianavelmente alheio,
Tudo era dos outros e de ninguém,
Até que tua beleza e tua pobreza
De dádivas encheram o outono.

Há apenas um céu. Esse mesmo céu nos cobre, indiferente às distâncias, hemisférios, sol, lua ou estrelas.
E há apenas um mar – qualquer que seja o nome que o separe em oceanos, um mesmo mar nos une. Indiferente à geografia, a continentes ou ilhas.
E mesmo assim, à beira de um mesmo mar, sob um mesmo céu, há saudade.
Há ausência.
(Imagem: banco de imagens Google)

Entre a asa e o voo
nos trocamos
como a doçura e o fruto
nos unimos
num mesmo corpo de cinza
nos consumimos
e por isso
quando te recordo
percorro a imperceptível
fronteira do meu corpo
e sangro
nos teus flancos doloridos
Tu és o encoberto lado
da palavra que desnudo

No momento de voltar, pense apenas na volta
E pense na alegria, na saudade e na vontade
E nada mais...
Venha de perto ou venha de longe, não importa
A chegada é o principal, o esperado.
Não traga presentes, apenas doces lembranças
Nem traga flores, apenas suas intenções
Não ocupe seus braços, deixe livres suas mãos
Porque, o essencial, no momento de voltar,
É o abraço do reencontro
E nada mais...
(Imagem: banco de imagens Google)