
Para pensar 17

Blog de de Alice – Alinhavando letras
A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –


Não nasci para agradar ninguém
Nem tão pouco ao meu ego
Me permito escutá-lo
Mas não a ouvi-lo
Insegura do seu apelo e credibilidade
Sirvo de passagem
Ao que me querem
E ao que por aqui estou
E nada mais se fará em mim
Louca, incompreendida
Ou simplesmente humana
Pouco importa a real definição
Para real já me basto eu
Rasurada de todas as ilusões
Numa mórbida e cruel peça
Onde me invento e encarno
Procurando sentido
Não nasci para agradar ninguém ...
Talvez até o tenha
A meu pai, a minha mãe
Ou até entregue
A prazeres dubios e carnais
Pouco me importa ...
Se tiver de agradar alguém
Que sirva à minha identidade
Tão abstracta e peculiar...
Mas não...
E não me vejam como matriz
Porque de mim nada mais brotará
Que as certezas que trago dentro...

Porque um dia olhei para você com olhos de amor e paixão, fiz de você meu sol e meu mundo, fiz de mim uma pessoa melhor para fazer você feliz.
A meu redor flores de alegria se abriram e coloriram a realidade, águas claras e puras correram entre as pedras, e noites calmas sucederam dias intensos.
O tempo, implacável, fez-nos passar, tirando-nos, aos poucos, nacos de vida, e os caminhos nos levaram à inevitável bifurcação.
Eu sei, um dos caminhos era o mais complicado, com as dificuldades, a escuridão. O outro, bem mais fácil, era, na verdade, a fuga ideal para pessoas fracas.
Ali você soltou da minha mão. Seguiu o caminho mais simples, atraído por chamados inferiores.
Eu continuei minha jornada, preparada para o que a vida me reservasse.
Enfrentei o difícil. O caos. A dor.
E segui meu caminho. De pedras e lágrimas.
Paralelos seguimos cada um por seu próprio rumo.
Aos poucos fui ultrapassando o pior. E as pedras e infortúnios foram, um a um, deixados para trás. Encontrei campos amigos. Águas frescas. E meu caminho foi-se tornando leve, macio, acolhedor.
Hoje, chegamos o ponto infinito onde as paralelas se encontram. Frente a frente. Cara-a-cara. Novamente nossos caminhos se cruzaram.
E vejo você, judiado, maltratado pela vida. Vejo que seu caminho foi o inverso do meu. Começou tão florido e iluminado, mas você também precisou enfrentar pedras e trevas. Mas não estava preparado para isso. Soçobrou.
Olhos baixos, já não me encara. Consumido por seu própriou orgulho.
Mas, sob tantas cinzas, sei que guardamos algumas brasas no fundo do peito.
Não é possível recuperar o que foi perdido. Não é possível reconstruir nada sobre ruínas.
Mas sempre é possível retomar um caminho perdido em atalhos escusos.
Estendo a você minha mão. Porque o caminho volta a ser apenas um. Juntos ou separados, de agora em diante seguiremos pela mesma estrada.
Então que seja juntos, quem sabe será possível caminharmos lado a lado.
E a vereda, daqui em diante, aparenta ser mais leve, agradável e luminosa.
(Imagem: banco de imagens Google)

Não é só saudade.
É um querer absoluto,
Um desejo insaciável
do toque,
do cheiro
do abraço,
do beijo,
do corpo suado.
dos nossos momentos
Saudade da gente

Quando eu morrer o que será feito de meus livros?
Quem os olhará com orgulho,
Quem os manuseará com carinho?
Esses livros – companheiros de vida
que se foram somando e se deixando ficar,
estão comigo há décadas e décadas.
Por os ter, assim comigo, nunca senti solidão.
Quando eu morrer o que será feito de meus livros?
A quem interessará manter todos eles
assim juntos, numa ordem que só eu conheço?
Lidos e relidos a cada tempo certo
Trazendo tantas respostas
Fazendo companhia e dando conselhos
Não me deixando esquecer tantas tristezas
e proporcionando incontáveis alegrias
Quando eu morrer o que será feito de meus livros?
Não mais os poderei ter comigo
E nem sei a quem os deixar para adoção,
como filhos que não queremos ver separados
Eles estão juntos há tanto tempo
já se amoldaram uns aos outros para
dividirem o mesmo espaço. Tantas mudanças,
Tantas casas, tantas cidades, e eles comigo.
Sem ordem de preferência, todos amados.
Como garimpeira urbana eu os encontro
em sebos, livrarias, velhas bibliotecas abandonadas.
Alguns com a dedicatória do autor
Outros até mesmo com a capa estragada
Muitos vieram direto das lojas, novíssimos
Cada um traz sua história e sua verdade.
Um dia – cada vez mais próximo – terei de deixá-los
e partir na viagem sem nenhuma bagagem
Entristecida com a sorte de todos eles, eu pergunto:
Quando eu morrer o que será feito de meus livros?
(Imagem: foto de Maria Alice)

Luar na mata, raio de luz
Ruído de água, canto do vento
Terra sonhada, sol que aquece
Alma encantada, som de desejo
Corações em sintonia, mãos que acarinham
Olhos nos olhos, palavras de ternura
Lágrimas de emoção, penas e angústia
Tudo o que importa na vida,
Sonho de amor, paixão infinita,
Poesia.
(Imagem: foto de Maria Alice)