
para pensar 12

Blog de de Alice – Alinhavando letras
A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –


Eu não vou te pedir nada.
Não vou te cobrar aquilo que você não pode me dar.
Mas uma coisa, eu exijo.
Quando estiver comigo, seja todo você.
Corpo e alma.
Às vezes, mais alma.
Às vezes, mais corpo.
Mas, por favor, não me apareça pela metade.
Não me venha com falsas promessas.
Eu não me iludo com presentes caros.
Não, eu não estou à venda.
Eu não quero saber onde você mora, desde que você saiba o caminho da minha casa.
Eu não quero saber quanto você ganha.
Quero saber se ganha o dia quando está comigo…

Qual a mais bela poesia já escrita? – pergunto-me neste dia 21 de março, em que se comemora o Dia Mundial da Poesia.
Quem foi o maior poeta de todos os tempos? Algum famoso, algum anônimo, alguém muito famoso ou um ilustre desconhecido?
Há poesias belíssimas. Poesias feinhas. Poesias emocionantes. Poesias chatinhas… e nem toda poesia é poética… e alguns textos não poéticos que são verdadeiras poesias.
Não existe poeta sem poesia. Mas existe poesia sem poeta.
Porque o poeta apenas transcreve a poesia que existe em algum lugar – dentro ou fora dele.
A poesia está na alma, no sangue, no querer, no sofrer. E está no ar. No mar. Na natureza. Nas relações humanas. Nos sons. Nos céus.
Em todo lugar há poesia. Até na dor.
A ideia de uma Beatriz descendo do Paraíso para pedir ao poeta Virgilio que guie seu amado Dante para fora do inferno já é, em si, uma poesia extrema.
E, depois da peregrinação pelos círculos do inferno, o ingresso e a passagem pelo Purgatório, com encontro de tantos conhecidos, finalmente o Poeta chega ao Paraíso, onde a alma de Beatriz o espera.
O amor de Beatriz o leva à redenção. O que de mais poético do que essa simples ideia?
Isso é poesia.
Exilado, para não ser queimado vivo em Florença, o poeta Dante se retirou para Ravena, onde faleceu e ali está seu túmulo. Entretanto, em Firenze, na lateral da nave da Basílica Santa Croce, foi construído um túmulo para ele, onde se encontra uma escultura que emociona: debruçada sobre a tumba, a Poesia chora a morte do Poeta, em um túmulo condenado a ser vazio…

Os sonetos de Camões. Por obra do fidalgo D. Gonçalo Coutinho, ocorreu a primeira homenagem ao grande poeta, agora já morto: em 1595 mandou preparar a primeira edição da lírica do poeta e ordenou que seus restos mortais fossem transladados para a nave central da Igreja de Sant’Anna, onde repousam sob a lápide com a inscrição “Aqui jaz Luís de Camões, Príncipe dos poetas de seu tempo: viveu pobre e miseravelmente e assim morreu. Esta campa lhe mandou aqui pôr D; Gonçalo Coutinho, na qual se não enterrará pessoa alguma”. Depois do desmoronamento da referida Igreja, no terremoto de 1755, seus restos mortais acabaram sendo transferidos para Lisboa, onde repousa no Mosteiro dos Jerônimos, ao lado do túmulo de D. Sebastião. (Fonte: Até que o amor me mate, de Maria João Lopo de Carvalho).

E tantos os poetas, e tantas as poesias.
Neste dia mundial da poesia deixo aqui um soneto, poesia na mais pura forma, escrito pelo insuperável Luís Vaz de Camões, um dos maiores escritores de língua portuguesa e ainda, um dos maiores representantes da literatura mundial, mundialmente conhecido, escrito para usa amada prematuramente falecida:
Alma minha gentil, que te partiste Tão cedo desta vida descontente, Repousa lá no Céu eternamente E viva eu cá na terra sempre triste. Se lá no assento etéreo, onde subiste, Memória desta vida se consente, Não te esqueças daquele amor ardente Que já nos olhos meus tão puro viste. E se vires que pode merecer-te Alguma cousa a dor que me ficou Da mágoa, sem remédio, de perder-te, Roga a Deus, que teus anos encurtou, Que tão cedo de cá me leve a ver-te, Quão cedo de meus olhos te levou.
(Imagens: banco de imagens Google)

E eu pensei que partia
Que era livre, nada a me prender
Então parti. Fui embora
Sem rumo, sem Norte
Apenas fugi. De tudo. De todos.
E, principalmente, de mim.
No impacto da coragem
Não pensava em mais nada
Estava, finalmente, livre! Livre!
Busquei estradas, percorri atalhos
Deitei em bosques, nadei em remansos
Era só para mim que as nuvens dançavam
O céu era inteiramente meu
As estrelas sorriam e piscavam para mim
Mas logo o encanto se perdeu
A angústia voltou a me perturbar
O que eu queria? O que eu buscava?
O escuro novamente se fez em minha alma
E, vi, com tristeza, que não era livre
Apenas fugira de um lugar
Mas não encontrara a liberdade
Porque trazia comigo, dentro do meu peito
A prisão que me limitava
A tristeza infinita
Da saudade eterna que habita
Dentro do meu mais profundo existir
E não deixa minha alma voar:
A terrível gaiola da paixão...
(imagem: banco de imagens Google)

Que a gente não dependa do amor do outro para ser feliz.
E que reaprenda a caminhar com as mãos livres, braços leves e a alma exposta.
Que a gente recupere o olhar carinhoso para com nós mesmos, cuidando do que ouve, do que sente, do que guarda, do que vê.
Que nossa memória aprenda a filtrar lições, imunizando a mágoa, o desamor e a falta de afeto.
Que sejamos responsáveis por nossas escolhas, nossos caminhos, por nossos amores.
E que tenhamos a fé de sempre e o sorriso no rosto para aliviar os dias nublados, já que é certo que o sol sempre volta

Teu corpo
Se vai tornando aos poucos
Uma memória longínqua
Cada lua que me deita
Cada sol que me desperta
O recorda
Mais um dia passou...
Amava os silêncios
Aqueles, consentidos
Em que nos tornavamos calmia
Depois da fúria com que nos amávamos
Esses silêncios ...
Tão diferentes dos que nos afastaram
Dos que nos desgastaram
Em oposta agonia
Minhas noites se tornaram negras
Tão mais negras
Impossívelmente mais
Assim seja possível
Monocórdicas, minhas
Somente minhas
Em meu peito
Crescem agora silvas bravas
E meu leito se tornou agreste
Os teus silêncios, já não me habitam
A tua voz, já não me povoa
E a minha casa, ficou vazia...