
Caio – para hoje

Blog de de Alice – Alinhavando letras
A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –


Me encante com uma certa calma
Me encante da maneira que você quiser, como você souber.
Me encante, para que eu possa me dar…
Me encante nos mínimos detalhes.
Saiba me sorrir: aquele sorriso malicioso,
Gostoso, inocente e carente.
Me encante com suas mãos,
Gesticule quando for preciso.
Me toque, quero correr esse risco.
Me acarinhe se quiser…
Vou fingir que não entendo,
Que nem queria esse momento.
Me encante com seus olhos…
Me olhe profundo, mas só por um segundo.
Depois desvie o seu olhar.
Como se o meu olhar,
Não tivesse conseguido te encantar…
E então, volte a me fitar.
Tão profundamente, que eu fique perdido.
Sem saber o que falar…
Me encante com suas palavras…
Me fale dos seus sonhos, dos seus prazeres.
Me conte segredos, sem medos,
E depois me diga o quanto te encantei.
Me encante com serenidade…
Mas não se esqueça também,
Que tem que ser com simplicidade,
Não pode haver maldade.
Me encante com uma certa calma,
Sem pressa. Tente entender a minha alma.
Me encante como você fez com o seu primeiro namorado…
Sem subterfúgios, sem cálculos, sem dúvidas, com certeza.
Me encante na calada da madrugada,
Na luz do sol ou embaixo da chuva….
Me encante sem dizer nada, ou até dizendo tudo.
Sorrindo ou chorando. Triste ou alegre…
Mas, me encante de verdade, com vontade…
Que depois, eu te confesso que me apaixonei,
E prometo te encantar por todos os dias…
Pelo resto das nossas vidas!
(Imagem: foto de Maria Alice)


Que o outro saiba quando estou com medo, e me tome nos braços sem fazer perguntas demais.
Que o outro note quando preciso de silêncio e não vá embora batendo a porta, mas entenda que não o amarei menos porque estou quieta.
Que o outro aceite que me preocupo com ele e não se irrite com minha solicitude, e se ela for excessiva saiba me dizer isso com delicadeza ou bom humor.
Que o outro perceba minha fragilidade e não ria de mim, nem se aproveite disso.
Que se eu faço uma bobagem o outro goste um pouco mais de mim, porque também preciso poder fazer tolices tantas vezes.
Que se estou apenas cansada o outro não pense logo que estou nervosa, ou doente, ou agressiva, nem diga que reclamo demais.
Que o outro sinta quanto me dói a ideia da perda, e ouse ficar comigo um pouco – em lugar de voltar logo à sua vida.
Que se estou numa fase ruim o outro seja meu cúmplice, mas sem fazer alarde nem dizendo ”Olha que estou tendo muita paciência com você!”
Que quando sem querer eu digo uma coisa bem inadequada diante de mais pessoas, o outro não me exponha nem me ridicularize.
Que se eventualmente perco a paciência, perco a graça e perco a compostura, o outro ainda assim me ache linda e me admire.
Que o outro não me considere sempre disponível, sempre necessariamente compreensiva, mas me aceite quando não estou podendo ser nada disso.
Que, finalmente, o outro entenda que mesmo se às vezes me esforço, não sou, nem devo ser, a mulher-maravilha, mas apenas uma pessoa: vulnerável e forte, incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa – uma mulher.
(Imagem: Sedução – Óleo sobre tela de Maria Alice)

Não sei o que é ser velho ou velha. Apenas o que é idoso ou idosa. E isso basta. Então vou tentar identificar sinais que podem distinguir o velho do idoso. Para ser idoso é necessário ter muitos e muitos anos vividos. Para ser velho, não. Velho é uma questão de postura e atitudes.
Velho é tudo o que não tem utilidade, o que pode ser descartado e não fará falta. Velho não tem serventia nem para si nem para o mundo. É um nada. Não precisa viver muitos anos para deixar claro que é velho. Só serve para atrapalhar, por isso deve ser descartado.
É velho quem faz o mal para outras pessoas. O que faz do ombro do outro um degrau para subir na vida porque não teve capacidade de fazer a própria vida.
Velho é quem falsifica preenchimento de fichas de inscrição para conseguir uma vaguinha na cota reservada a outras pessoas. Quem faz de conta que cursa uma faculdade que também faz de conta que é um curso superior, só para ter promoção no serviço público onde se encosta.
Quem vai atrás de falsos atestados para ludibriar o patrão. Quem pratica pequenos crimes, pequenas infrações, tentando enganar quem é honesto.
Velho é quem põe a vaidade acima da razão e vive de aparências, através de artifícios.
Velho é quem destrói famílias e relacionamentos para tentar melhorar a própria e lamentável situação, porque não tem recursos intelectuais nem força de vontade para melhorar a própria realidade.
Esses são os velhos, totalmente dispensáveis em um mundo que deveria buscar o aprimoramento da raça humana. São a escória da humanidade. Independente da idade que ostenta. Geralmente um poço de inveja.
Já o idoso, por sua vez, é aquele ser humano que tem idade, coleciona décadas, tem mais dias no passado do que no futuro. E isso não causa desespero. Mas sim conforto emocional. Olha para o passado e sorri, com alegria, ao ver sua caminhada. Não teme o futuro porque o construiu para si.
Esse plantou, regou, se dedicou e colheu.
Ensina, corrige, ajuda, constrói. Fonte de conhecimento e rochedo que dá segurança aos jovens. E se dedica a promover o bem dos outros. Sem inveja, sem soberba, enxerga a alma do outro, tem compaixão – a capacidade de se colocar no lugar de alguém e sentir sua dor – e já viveu momentos bons e ruins, tendo aprendido com a própria vida que não se pode ter tudo, que todos merecem respeito, e cada um recebe exatamente a proporção que lhe cabe do que espalhou, do que construiu.
O idoso tem vaidade comedida, e orgulha-se da própria idade. O velho se desespera a cada fio de cabelo branco, a cada ruga, porque nada tem em si para se orgulhar.
Enquanto o velho fica tentando aparentar a mocidade que não possui, o idoso tem a jovialidade que a todos agrada.
Antes de chamar alguém de velho, acenda a luz mais forte, olhe-se no maior espelho que tiver e repare bem nas suas feições. Na sua feiúra pelo que vem plantando pelo caminho e guarde seu veneno. Talvez você seja muito mais velho do que os idosos que despreza.
Idoso, sim, velho, nunca.
(Imagem: banco de imagens Google)

Acho que finalmente envelheci.
Hoje, quando o passado bate à porta,
não me viro mais, não paro para responder, e continuo caminhando.
Aprendi que, quando tudo desaba
e a vida me desafia,é apenas um lembrete: o tempo que me resta é para ser vivido, não desperdiçado.
Carrego anos suficientes para saber:
o passado não é um lar, é uma lição.
Não se vive dele, se cresce com ele.
Não apago o que fui, nem renego o que vivi.
Mas entendi que há guerras que só se vencem quando temos coragem de abandoná-las.
E a verdadeira vitória? Seguir em frente.
(Imagem: banco de imagens Google)