A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –
Quando forem de pedra os teus olhos: uns te darão por falecido. Quando forem de fogo os insetos que te devoram: talvez então te digam defunto. Mas nem pedra nem fogo te darão ausência: no teu ombro pousa o voo dos regressos. A vida é um prematuro sonho. Só morre quem nunca viveu.
Dei-te a solidão do dia inteiro, Na praia deserta, brincando com a areia, No silêncio que apenas quebrava a maré cheia A gritar o seu eterno insulto, Longamente esperei que o teu vulto Rompesse o nevoeiro.
Sete anos de pastor Jacó servia Labão, pai de Raquel, serrana bela; Mas não servia ao pai, servia a ela, E a ela só por prêmio pretendia.
Os dias, na esperança de um só dia, Passava, contentando-se com vê-la; Porém o pai, usando de cautela, Em lugar de Raquel lhe deu a Lia.
Vendo o triste pastor que com enganos Assim lhe era negada a sua pastora, Como se não a tivera merecida;
Começou a servir outros sete anos, Dizendo: Mais servira, se não fora, Para tão longo amor, tão curta a vida.
(Imagem: Jacob’s encounter with Rachel, 1518-19, Raphael (Italian High Renaissance Painter, 1483-1520), fresco, Palace of the Vatican (Loggia of Pope Leo X), Vatican City, Italy)
Não me deixem tranquilo não me guardem sossego eu quero a ânsia da onda o eterno rebentar da espuma As horas são-me escassas: dai-me o tempo ainda que o não mereça que eu quero ter outra vez idades que nunca tive para ser sempre eu e a vida nesta dança desencontrada como se de corpos tivessemos trocado para morrer vivendo