A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –
Um dia vou aceitar... Que nem todas as pessoas gostam de mim, E estará tudo certo... Que nem todos me querem ver feliz Talvez porque a vida lhes seja amarga Que nem todos se regozijam com meu sucesso, minhas conquistas E está tudo bem... Um dia, vou conseguir entender Que minhas dores são apenas minhas E que partilhá-las me poderá trazer algum conforto Mas nem todos as entenderão Que nem todos os que se dizem meus amigos, realmente o são Mas os saberei distinguir Que meus instintos e intuição me tentam proteger E constantemente os ignoro, em negação Que nem todo o amor proclamado, assim o é Por vezes é apenas paixão, possessão e conquista Mas o saberei decifrar Que meus medos não são mais fortes que minhas vontades E não os deixarei vencer Que quando me olham, Não me vêem realmente Nem quando um sorriso é liberto à minha passagem Significa saudade ou sinceridade Que quando sinto meu coração esfriar Não me estou a tornar insensível ou fria Talvez apenas erga uma capa como protecção Um dia ... Um dia, irei aceitar Um dia, irei entender Um dia, irei perceber E parar de desculpar tanto, as escolhas e atitudes alheias Um dia... talvez.... E só espero, que quando esse dia chegar Não seja já, tarde demais...
Cuida delas como não soubeste cuidar de mim. Cuida dos espinhos para que eles alimentem as pétalas azuis, das rosas de que tanto gostas.
Trouxe-te algumas rosas e levei tantos silêncios carregados de palavras guardadas que me disseram o que não queres falar. São páginas de sentimentos guardados à espera do momento certo que até poderá nunca chegar.
Trago-te um pouco dessa cor que brilha nos teus olhos, para decorar esta escuridão em que deixaste quem te ama. Trouxe-te alguns sorrisos para guardares no bolso esquerdo do coração, aquele onde guardas tudo o que é, ou já foi, importante.
Querias transformar-me numa alma livre que dançasse à chuva sem ter medo de se molhar. Mas, eu quero dizer-te que a chuva da vida não molha corpos apaixonados, talvez por isso nunca tenhas querido dançar comigo.
Guarda as rosas. Guarda-as bem para que te lembres de quem te amou por tudo o que não lhe disseste.
Quando a brisa sussurrou, a flor tentou responder. Mas a brisa, tão leve, já passara desesperada, a flor olhou em volta, não mais a avistava. Tentou se soltar, para a seguir... Tão delicada, tão frágil, viu suas pétalas caírem E ouviu a risada do vento, que rápido passava, apressado, Tentando alcançar a brisa
Procuro a ternura súbita, os olhos ou o sol por nascer do tamanho do mundo, o sangue que nenhuma espada viu, o ar onde a respiração é doce, um pássaro no bosque com a forma de um grito de alegria.
Oh, a carícia da terra, a juventude suspensa, a fugidia voz da água entre o azul do prado e de um corpo estendido.
Procuro-te: fruto ou nuvem ou música. chamo por ti, e o teu nome ilumina as coisas mais simples: o pão e a água, a cama e a mesa, os pequenos e dóceis animais, onde também quero que chegue o meu canto e a manhã de maio.
Um pássaro e um navio são a mesma coisa quando te procuro de rosto cravado na luz. Eu sei que há diferenças, mas não quando se ama, não quando apertamos contra o peito uma flor ávida de orvalho.
Ter só dedos e dentes é muito triste: dedos para amortalhar crianças, dentes para roer a solidão, enquanto o verão pinta de azul o céu e o mar é devassado pelas estrelas.
Porém eu procuro-te antes de a morte se aproximar, procuro-te. Nas ruas, nos barcos, na cama, com amor, com ódio, ao sol, à chuva, de noite, de dia, triste, alegre – procuro-te.
Preciso que um barco atravesse o mar lá longe para sair dessa cadeira para esquecer esse computador e ter olhos de sal boca de peixe e o vento frio batendo nas escamas. Preciso que uma proa atravesse a carne cá dentro para andar sobre as águas deitar nas ilhas e olhar de longe esse prédio essa sala essa mulher sentada diante do computador que bebe a branca luz eletrônica e pensa no mar.