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Dia de poesia – Pablo Neruda – Orinoco

Orinoco, deixa-me em tuas margens
daquela hora sem hora:
deixa-me como outrora partir despido
em tuas trevas batismais.
Orinoco de água escarlate,
deixa-me mergulhar as mãos que retornam
a tua maternidade, a teu transcurso,
rio de raças, pátria de raízes,
teu largo rumor, tua lâmina selvagem
vem de onde eu venho, das pobres
e altivas soledades, dum segredo
como um sangue, de uma silenciosa
mãe de argila.
(Imagem: banco de imagens Google)
Texto de Fernando Rezende

Nós nascemos nos anos 50-60-70.
Nós crescemos nos anos 60, 70 80.
Estudamos nos anos 60, 70, 80.
Nós namoramos nos anos 70-80-90.
Casamos e descobrimos o mundo nos anos 80-90.
Me aventurando nos anos 80-90.
Nós nos estabelecemos nos anos 2000.
Ficamos mais sábios nos anos 2010.
E vamos firme além de 2020.
Acontece que vivemos seis décadas diferentes... DOIS séculos diferentes... DOIS milênios diferentes...
Mudamos de operadora de chamadas de cidade longa para videochamadas em qualquer lugar do mundo.
Passamos de slides para o YouTube, discos de vinil para música online, cartas escritas à mão para email e WhatsApp.
De jogos de rádio ao vivo a TV a preto e branco a TV a cores a TV HD 3D.
Fui ao clube de vídeo e agora assistindo Netflix.
Conhecemos os primeiros computadores, cartões de ponche, disquetes e agora temos gigabytes e megabytes nos nossos smartphones.
Usamos shorts durante toda a infância e depois calças compridas, Oxford, foguetes, fatos de concha e jeans azuis.
Esquivamos da paralisia infantil, meningite, poliomielite, tuberculose, gripe suína e agora COVID-19.
Costumávamos andar de skate, triciclos, bicicletas, motos, carros a gasolina ou a diesel e agora andamos de carros híbridos ou elétricos.
Sim, já passamos por muita coisa, mas que vida linda tivemos!
Eles poderiam descrever-nos como "excepcionais", pessoas nascidas naquele mundo dos anos sessenta, que tiveram uma infância analógica e uma idade adulta digital.
Nós temos sido tipo "vimos tudo! “ ”
Nossa geração literalmente viveu e testemunhou mais do que qualquer outra em todas as dimensões da vida.
Esta é a nossa geração que literalmente se adaptou à "MUDANÇA".
Um grande aplauso a todos os membros de uma geração muito especial, que será e continuará ÚNICA!
Dia de poesia – Florbela Espanca – Mentira

Onde está

“Por favor, estou implorando, eu quero de volta. Quero de novo para mim...”
Ela se levantou calmamente, foi até a lixeira, e começou a revirar o lixo.
Ele perguntou “O que está fazendo? Você está mexendo no lixo?”
“Sim”, respondeu. “Você não pediu de volta?”
“Pedi. Pedi para você voltar para mim”.
“Não foi bem isso que você pediu”.
“Pedi de volta todo seu amor”.
“Então”, disse ela, com lágrimas nos olhos, “estou procurando aqui no lixo onde você o atirou quando me deixou...”
(Imagem: banco de imagens Google)
Dia de poesia – Mia Couto – Dormes

Dormes.
Não há no mundo senão o teu rosto.
O céu sob o teto
espera comigo que despertes.
O meu único relógio
é a sombra imóvel no chão do quarto.
A curva da terra
em tua pálpebra desenhada:
no teu sono me embalas.
Dormes-me.