
Una donna s’alza e canta
La segue il vento e l’incanta
E sulla terra la stende
E il sogno vero la prende.
Questa terra è nuda
Questa donna è druda
Questo vento è forte
Questo sogno è morte.
(Imagem: banco de imagens Google)
Blog de de Alice – Alinhavando letras
A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –

Una donna s’alza e canta
La segue il vento e l’incanta
E sulla terra la stende
E il sogno vero la prende.
Questa terra è nuda
Questa donna è druda
Questo vento è forte
Questo sogno è morte.
(Imagem: banco de imagens Google)
Eclipse de luna en el cielo / Ausencia de luz en el mar / Muy solo con mi desconsuelo / Mirando la noche me puse a llorar. (Lecuona)

Há dias em que é difícil escrever. Há ideias, no entanto tudo o que se escreve parece tão sem sentido…
E sem sentido no mau sentido. Porque muitas ideias que parecem malucas, postas no papel e bem desenvolvidas, resultam em ótimos textos, ainda que sem sentido. E aqui sem sentido no bom sentido.
Às vezes penso que Garcia Marquez começava a escrever sem nenhuma ideia, e as palavras iam saindo por livre vontade e se juntando, formando linhas, capítulos e livros.
E, depois que o lemos, nunca mais podemos esquecer seus personagens, de tão marcantes que são. Um exemplo são os membros da família Arcadio Buendia, da cidade de Macondo: as mulheres fantásticas da família, o cigano Melquíades, todos de Cem Anos de Solidão.
E, assim, outros romancistas que nos fascinam com suas histórias absolutamente fantásticas, mas de tamanha consistência que não conseguimos parar de ler antes do final.
Mas, para quem não é escritor, e apenas se aventura a alinhavar letras desafiando a falta de talento, não é assim tão fácil. Nem simples.
Por mais palavras que se joguem no papel, nada surge. E, aí, aparece a maior indagação da humanidade, referente à origem de tudo, porque, se do nada nada surge, de onde surgimos nós?
O que era antes? o que será depois? de onde eu vim? para onde eu vou? E a pior de todas: onde eu estou?
Em volta dessas indagações, é possível passar dias e noites (especialmente noites, principalmente em redor de uma mesa bem frequentada, com cervejinha ou bom uísque, alguns petiscos etc.). É a delícia dos filósofos de botequim, categoria a que me orgulho de ter pertencido por largos anos. Ótimos anos. E as duas últimas perguntas eram inevitáveis àqueles que não conseguiam parar de beber quando ainda podiam se localizar no tempo e no espaço. Nessa categoria, felizmente, não me incluía.
Mas, como na vida tudo passa (nas palavras do amigo Ivan, especialmente o tempo e o ferro que são os que mais passam), também meus tempos de botequim se acabaram; os filósofos, companheiros de copo e de mesa, desfizeram-se no ar, sumiram na vida e se tornaram doces lembranças.
E, assim, da falta de ideia e de assunto, de vez em quando dá até para arriscar escrever uma crônica.
(Imagem: banco de imagens Google)


O poeta não gosta de palavras
escreve para se ver livre delas.
A palavra
torna o poeta
pequeno e sem invenção.
Quando
sobre o abismo da morte,
o poeta escreve terra,
na palavra ele se apaga
e suja a página de areia.
Quando escreve sangue
o poeta sangra
e a única veia que lhe dói
é aquela que ele não sente.
Com raiva
o poeta inicia a escrita
como um rio desflorando o chão.
Cada palavra é um vidro em que se corta.
O poeta não quer escrever.
Apenas ser escrito.
Escrever, talvez,
apenas enquanto dorme.

Sei que me espera qualquer coisa
Mas não sei que coisa me espera.
Como um quarto escuro
Que eu temo quando creio que nada temo
Mas só o temo, por ele, temo em vão.
Não é uma presença: é um frio e um medo.
O mistério da morte a mim o liga
Ao brutal fim do meu poema.
(Imagem: banco de imagens Google)
Meu pai partiu. Fisicamente. Porque no amor ele nunca se foi. Na saudade. Na necessidade de sua companhia. E, de certa forma, ele ficou. Porque está presente nesta grande família que ele criou por puro amor. Está presente no amor, nas lembranças, nas reuniões, a ausência mais presente entre nós.

As tuas mãos têm grossas veias como cordas azuis sobre um fundo de manchas já cor de terra — como são belas as tuas mãos — pelo quanto lidaram, acariciaram ou fremiram na nobre cólera dos justos…
Porque há nas tuas mãos, meu velho pai, essa beleza que se chama simplesmente vida.
E, ao entardecer, quando elas repousam nos braços da tua cadeira predileta, uma luz parece vir de dentro delas…
Virá dessa chama que pouco a pouco, longamente, vieste alimentando na terrível solidão do mundo, como quem junta uns gravetos e tenta acendê-los contra o vento?
Ah, Como os fizeste arder, fulgir, com o milagre das tuas mãos.
E é, ainda, a vida que transfigura das tuas mãos nodosas… essa chama de vida — que transcende a própria vida… e que os Anjos, um dia, chamarão de alma…
(Imagem: foto de Maria Helena Ferreira da Rosa)