
Turva a visão e
aos poucos brota
o líquido morno a
inundar os olhos.
Transborda pela pálpebra
e rola rosto abaixo
driblando a barba rala
e por fazer.
Um lenço apara
a tristeza
e guarda a saudade
no bolso.
(Imagem: banco de imagens Google)
A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –

Turva a visão e
aos poucos brota
o líquido morno a
inundar os olhos.
Transborda pela pálpebra
e rola rosto abaixo
driblando a barba rala
e por fazer.
Um lenço apara
a tristeza
e guarda a saudade
no bolso.
(Imagem: banco de imagens Google)

Quando o céu se desfaz em nuvens
E as nuvens mergulham no mar
Quando o mar se desfaz em espumas
E as espumas se perdem na areia
Quando a areia se desfaz em vento
E o vento se perde no infinito,
O tempo, paralisado, se extasia
E o dia se desfaz no anoitecer
(Imagem: foto de Maria Alice)

Dizem que a gente tem o que precisa. Não o que a gente quer. Tudo bem.
Eu não preciso muito. Eu não quero muito. Eu quero mais.
Mais paz. Mais saúde. Mais verdade. Mais harmonia. Mais noites bem dormidas. Mais noites em claro. Mais eu. Mais você. Mais sorrisos. beijos e aquela rima grudada na boca.
Eu quero nós. Mais nós. Grudados. Enrolados. Amarrados. Jogados no tapete da sala. Nós que atam nem desatam. Eu quero pouco e quero mais. Quero você. Quero eu. Quero domingo de manhã. Quero cama desarrumada, lençol, café e travesseiro. Quero seu beijo. Quero seu cheiro. Quero aquele olhar que não cansa, o desejo que escorre pela boca e o minuto no segundo seguinte: não é muito quando é demais.
(Imagem: banco de imagens Google)

Eu desejo a você toda a infelicidade do mundo.
que todas as palavras que lhe digam sejam mentiras
que todos os amores sejam falsos
que teus caminhos sejam sempre enganosos
todas as águas fervam a seu toque não matem sua sede
todas as frutas que morder se tornem asquerosas ao paladar
que no chão onde for pisar a terra se torne fogo ou nojenta lama
e as árvores todas percam as folhas para negar sombra
e as raízes que serviriam de travesseiros no repouso
se tornem venenosas serpentes a seu contato
que nunca mais encontre descanso nem encontre paz
que nunca mais seja abraçado nem tocado com carinho.
que sua sede nunca se aplaque e sua fome leve à morte
que cada dor a mim causada abra dez chagas no seu corpo
que cada palavra usada para me machucar se transforme
em dez pedradas certeiras e abram dolorosas feridas
só não desejo que para cada lágrima que derramei
venha a derramar dez – porque não lhe será possível
derramar uma lágrima sequer por aquelas que me causou:
desejo que, diante da infelicidade que colherá pelo que
plantou, e desejará chorar por todo o mal que um dia
me fez, de seus olhos não saiam lágrimas, mas sim
escorra sangue – gotas de sangue de tardio arrependimento.
(Imagem: banco de imagens Google)

Quando as folhas caírem nos caminhos,
ao sentimentalismo do sol poente,
nós dois iremos vagarosamente,
de braços dados, como dois velhinhos,
e que dirá de nós toda essa gente,
quando passarmos mudos e juntinhos?
– “Como se amaram esses coitadinhos!
como ela vai, como ele vai contente!”
E por onde eu passar e tu passares,
hão de seguir-nos todos os olhares
e debruçar-se as flores nos barrancos…
E por nós, na tristeza do sol posto,
hão de falar as rugas do meu rosto
hão de falar os teus cabelos brancos.
(Imagem: banco de imagens Google)
