
Por hoje

A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –


Me acostumei
A ocupar toda a cama ao dormir,
A não cozinhar aos domingos
E a voltar na hora que me der na telha.
Me acostumei
A não dar explicações
E fazer o que eu gosto.
Sem que ninguém me critique.
Me acostumei
A comer na meia noite.
E a ver os meus programas favoritos,
A cantar em voz alta
E dançar por toda a casa.
Me acostumei
A receber chamadas a cada rolê
E responder mensagens muito tarde,
A sair com amigos
E viajar um ou outro fim de semana.
Me acostumei
Ao cheiro do café de manhã.
E a andar descalça pelo jardim,
A demorar quando quero me arrumar
E cancelar encontros no último momento.
Só porque sim.
Me acostumei
A mim,
Às minhas coisas,
Para a minha vida
A ficar sozinha...
Relacionamentos são para te fazer aprender a não mais sofrer e saber que você pode e deve ser feliz também sozinha
E é simplesmente maravilhoso...

Não morra por mim
Talvez eu nem exista
Sou parte de um sonho,
Imaterial, leve e etérea.
Não sou real
Nem estou aqui de verdade
Sou apenas o que sobrou
de tudo o que alguém sonhou um dia
E eu vou me desfazer no ar
No nosso primeiro abraço
(Imagem: banco de imagens Google)
Saudade é como sol de inverno: ilumina, mas não aquece.

Ouço Isabel, com o grupo Il Divo.
Flutuo. Saio do chão. Que vozes, que arranjos, que repertório.
Algumas músicas nos tocam de forma especial e se tornam parte de nossa alma, é emoção pura.
Vejo que muitas das músicas que me empolgam têm um nome feminino ou se referem a uma determinada mulher.
Foi assim com Luiza, Ana Luiza, Carolina, Débora, Espanhola, Audrey…
E, principalmente, com Lígia.
É inevitável, ao ouvi-la, uma fugaz lembrança do que não foi, não aconteceu, ficou num passado tão remoto que parece que não vivi, não foi comigo.
E outras músicas, que também mexem com a emoção, sem estar necessariamente ligadas a nenhuma pessoa, a nenhum fato, mas despertam algo como uma recordação fugidia, uma evocação abstrata, que não se detém em nada palpável, tudo escapa do controle do pensamento, você quer pensar em alguma coisa fixa, mas tudo passa pela cabeça.
Um violino que parece um lamento, um sax chamando para o sonho, o piano que leva a lugares desconhecidos.
Os boleros, blues e jazz que ouvimos ao fundo das conversas nos bares, ainda que toquem sempre as mesmas músicas, mas dão o ar todo especial, algumas músicas da fase áurea do Chico Buarque, Tom Jobim, e, sempre ele, especialmente, Vinicius de Moraes, meu grande ídolo na poesia e na música.
Nada melhor que um barzinho bem lindo, com decoração apropriada, um uísque de primeiríssima, malte, aqueles petisquinhos para acompanhar, uma ótima companhia e… o piano com sax e celo.
Isso é programa. O resto é mera tentativa.
Acho, que, no fundo, estou começando a envelhecer.
(Imagem: Banco de imagens Google)
