Hoje é isso…

Espaço para Vóny Ferreira

Espaço para a poeta Ana Acto

Ontem, morri-te nos braços
Dez, cem, mil vezes morri
Tantas , quantas vezes meu coração
Dentro deles bateu...
Ontem, morri-te nos braços
Adentrei neles tão profundamente
Que me deixei cair num abismo sem retorno
E todas as minhas mortes,
Me soaram vazias
E todas as minhas vidas , inúteis...
Ontem, morri-te nos braços
E nunca nenhuma morte
Me pareceu tão doce
Meu Amor, e sei...
Que assim foi, apenas
Por serem os teus!
E se alguma mágoa daqui levei
Foi de neles, não ter morrido antes...
Dia de poesia – Elisa Salles

Se o amor quiser voltar...
Desejar fazer pousada em minh'alma...
Tomar minha cerne...
Ocupar meus pensamentos...
O que terei para lhe dizer?
Sou a tristeza das noites perdidas...
A filha taciturna da solidão...
A obscuridade dos pensamentos...
O abismo dos lamentos...
O bramir dos ventos nas castanheiras...
O grasnar do corvo...
Corpo, alma e coração!
Se o amor quiser voltar...
Vou calar a minha voz...
Não tenho mais versos doces para lhe recitar!
Poesia da casa – Não me fale em saudade

Não me fale em saudade,
só pense em mim e sinta minha falta
Chore sozinho e lamente a separação
Sofra calado pensando em tudo que não foi
A cada lágrima que não puder impedir de correr
Crave um prego de dor na sua alma
Mas não me fale em saudade.
Não me fale em distância
E se estamos hoje assim – um do outro afastados
Porque a vida apontou diferentes direções a cada um
E seguimos nosso caminho sem preocupação,
Quando demos por nós, mundos nos separavam
E então já era impossível nos reaproximarmos
Mas não me fale em distância
Não me fale em esquecimento
Só se lembre que você deixou de me procurar
Que você não entendeu, e então me desamou
Veja qual de nós fugiu para tão longe...
Esperei como esperaram as mulheres dos guerreiros
Foi você quem nunca mais voltou para me encontrar
Mas não me fale em esquecimento
Não me fale em pedir perdão
Porque se um dia a saudade o procurou
E o fez querer de novo me encontrar
A distância se fez pequena e você a venceu
E se lembrou do que um dia foi amar
Não venha agora perguntar se o perdoo
Porque a quem amou não se precisa pedir perdão
(Imagem: Foto de Nelson O’Reilly Filho)