A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –
No exato dia em que não nos conhecemos, tudo era a mesma coisa, exatamente igual, porém, por ironia do destino, estávamos em lugares diferentes. Você saindo do trabalho, dirigindo-se ao café mais próximo, e eu, longe dali, indo para casa depois de um dia exaustivo. Nunca nos vimos, mas sempre te senti muito próximo de mim, sempre soube da sua existência. Tudo por aqui busca um sentido que nunca encontrei. Mas como muitas vezes acontece, meu amor, tínhamos alguma coisa em comum. Você ficou sozinho e eu nunca tive alguém, mas não me importo nem mesmo com isso. Sinto sua paz, sem nem mesmo saber a cor dos seus olhos castanhos, meu pensamento viaja para te encontrar não sei onde. Tudo continua no seu lugar desorganizado esperando pela presença que nunca encontrei. Mas não me importo nem mesmo com isso. Afinal, repetidas vezes, dia após dia, por toda minha vida, eu vou perdoá-lo.
Repito hoje esse texto, porque estava lendo sobre o AMOR. E recordei-me do que já havia escrito. Quem já leu, está dispensado de ler novamente.
Eu te peço perdão por te amar de repente, embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos. (Vinicius de Moraes)
Um dia Mário de Andrade nos brindou com “Amar, Verbo Intransitivo”.
Deixando para lá o enredo, que não é do agrado geral, fico no título e sobre ele medito: “Amar, verbo intransitivo”. Para Mario de Andrade, eu amo. Ponto final. Eu amo porque amo. Eu amo por amar. Eu amo. Não interessa o que. Se amo alguém, se me amo, se amo o próprio amor. Porque não seria um verbo transitivo. Nem direto nem indireto. Mas um verbo intransitivo, sem qualquer complemento. Eu amo. Apenas.
Não, não é assim. Para mim amar é um verbo transitivo. Quem ama, ama alguém, ou ama algo. Ainda que ame a si próprio. Ou uma coisa desprezível. Mas ama com complemento. Portanto prefiro a outra forma: “amar, verbo transitivo”.
Falo hoje não do amor, sentimento sublime, que une pais e filhos, que eleva, que apura, que doa, que tudo… Não. Nada disso. Falo do amor sensual. Ou melhor, da paixão quando denominada amor.
O que seria do mundo sem esse amor-paixão? Já teria acabado há muito tempo. Por tédio, por inércia. Por verdadeira inação.
Só agimos sob o signo da paixão.
Vê-se de longe quem é, e quem não é, apaixonado. E não falo de quem está, ou não está, apaixonado. Porque não se trata de “estar”, mas de “ser” apaixonado. Como uma qualidade que a pessoa carrega consigo.
Os apaixonados se arriscam, se lançam, se atiram, vão mais longe, querem chegar a algum lugar.
Diferente de quem não ama ou não tem paixão: se deixa ficar, não busca, não sonha, não vai…
A paixão é o sal e a pimenta do viver. Tempera a existência, dá gosto. Desperta o prazer de viver.
Quanto mais se é apaixonado, aquela paixão que cega, de adrenalina, que faz acelerar o coração, que tira o fôlego, mais feliz se é.
Colocar paixão em tudo – no estudo, no serviço, no que se faz por gosto e também em tudo que é feito somente por obrigação – torna a vida mais leve.
Portanto, ser intensamente apaixonado nos torna melhores humanos, nos leva mais longe do ponto de partida.
Esse verbo amar do amor-paixão tem de ser conjugado diariamente para que a vida valha a pena ser vivida.
Mas, para mim, deveria ser modificado um bocadinho: o verbo amar não poderia, jamais, ser conjugado no tempo passado.