Será que ele disse tudo isso ao vivo para ela????
Fala, Jenário!

O silêncio

O que é o silêncio?
Apenas a ausência dos sons?
A falta de ruídos?
O silêncio é concreto ou abstrato? Necessário ou indesejado?
O silêncio não apenas nos cobre, mas nos invade. Toma nossa alma e a faz refém.
Não da calma, mas da calmaria que antecede a tempestade.
Não do sol que aquece, mas do calor que abrasa e destrói.
O silêncio pode ser a companhia ideal em certas situações, mas pode ser o opressor que tortura em tantas outras.
Quando resulta do abandono, do descaso, da solidão dolorida de uma ausência, o silêncio é dor, faz sangrar.
Na madrugada é bem-vindo, mas nos domingos é aflitivo.
Na hora da oração é necessário, mas na hora na qual deveria haver cantos e alegria, é cruciante.
A saudade é feita de longos e cruéis silêncios.
Quantas vezes o silêncio é torturante, mais ensurdecedor do que qualquer barulho.
O silêncio é a foto que congela as ondas do mar sem seu canto, as águas tombando na cachoeira sem seu estrondo, a alegria dos pássaros depois da chuva, sem sua algazarra…
Tão antagônico, tão contrário a si mesmo é o silêncio, e, neste exato momento, tão amado e tão dolorido para mim…
(Imagem: foto de Marina Maggioni)
Mia Couto. Sempre

Perdão – Texto de autoria desconhecida
“Te perdoo por me amares demais” (Chico Buarque)

Fala comigo!
Me acalenta.
Me permite cometer erros gramaticais,
seja em nome da licença poética
ou do meu amor por você.
Me permite chorar alto, te chamar
Me permite te perdoar
Me permite te permitir ser minha.
Por não ter entrado na sua vida antes,
te peço perdão.
Me perdoa por não me perdoar.
(Imagem: banco de imagems Google)
Dor na madrugada

Silêncio.
Madrugada e dor.
Essa dor tão doída, tão minha
que já faz parte de mim,
integra meu ser.
Quando na madrugada ela chega
e em mim se instala
eu, sozinha, vulnerável e fraca,
percebo então que existo.
Eu sempre vivi com ela,
comigo ela sempre viveu
que hoje eu descobri:
sem ela eu não sei mais viver.
(Imagem: banco de imagens Google)