A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –
Flores, os adornos da natureza, são, também, símbolos nas relações humanas.
São ofertadas no dia dos namorados, dia das mães, aniversários, estão nos buquês de noivas, nas coroas dos velórios, ornamentam casamentos, lapelas…
Uma mulher que nunca recebeu uma flor, um buquê de flores ou um arranjo de flores, nunca será uma mulher completa, feliz. As flores dizem mais que joias ou qualquer presente caro.
Rosas, cravos, camélias…
Algumas têm significados especiais. Por exemplo, a pequena e rara edelweiss. Cujo ato de ofertar significa mais que o amor, a coragem do rapaz que escalou escarpas para colhê-la, tradição alpina da região do Tirol, de onde é símbolo.
E, na França, temos a singela muguet-du-bois. A pequenina e delicada florzinha branca. A flor da sorte. E também a flor da felicidade.
Essa flor é oferecida no dia 1º de Maio. Por isso também chamada, lá nas terras de Balzac, de Flor de Maio. De início, diz-se que no século XVI, era colhida para festejar e enfeitar as noivas, no início dos dias mais quentes, depois dos rigorosos invernos europeus.
Durante o reinado de Charles IX, alguém lhe ofereceu um ramo de muguet-du-bois, em um dia 1º de Maio. Encantado com o gesto, o rei ordenou que todo dia 1º de Maio deveria ser dada essa flor a todas as moças solteiras do reino. Verdade? Lenda?
Não há como saber. Ele ficou conhecido como “maluco”, responsável pelo terrível massacre da Noite de São Bartolomeu, pois é difícil acreditar que se emocionasse com uma singela florzinha branca.
De qualquer forma, seja qual for a origem do gesto, este perdurou e no dia 1º de Maio as delicadas muguets-du-bois são oferecidas entre os franceses.
Por ser também comemorado o Dia do Trabalho no dia 1º de Maio, os trabalhadores adotaram a troca dessas flores como símbolo do trabalho.
Assim, passando de um significado para outro, persiste, ainda, o costume – lindo, diga-se de passagem, de se ofertar um muguet-du-bois, agora chamado muguet de bonheur nesse dia.
Por isso, a todos, franceses e brasileiros que cultivam tradições, ofereço a cada de um de vocês, para esse 1º de Maio, desejando que tenhamos um mês novo, livre, feliz, , um ramo virtual de muguet du bonheur:
Benditos sejam, os que chegam em nossa vida em silêncio, com passos leves para não acordar nossas dores, não despertar nossos fantasmas, não ressuscitar nossos medos.
Benditos sejam os que se dirigem a nós com leveza, com gentileza, falando o idioma da paz para não assustar nossa alma.
Benditos sejam os que tocam nosso coração com carinho, nos olham com respeito e nos aceitam inteiros com todos os erros e imperfeições.
Benditos sejam os que podendo ser qualquer coisa em nossa vida, escolhem ser doação.
Benditos sejam esses seres iluminados que nos chegam como anho, como flor ou passarinho, que dão asas aos nossos sonhos e tendo a liberdade de ir, escolhem ficar e ser ninho.
Ah, Emidio, há um ano você partiu. Tão discretamente quanto viveu. Sem alarde, sem despedidas, simplesmente você apagou a luz e fechou a porta de sua vida e se foi.
Você faz falta. Tudo o que não conversamos e os assuntos que não terminamos ficaram pendentes como um novelo que desfiou e ficou jogado no fundo da cesta de costuras. Mais de uma década de conversas quase diárias, e de repente não tenho mais você para me instigar, me desafiar…
Mesmo quando você me chamava de palhaça (a única pessoa no mundo que ousou fazer isso), eu me divertia. Você sabia ser engraçado na medida certa. Ser poeta na medida certa. Ser amigo na medida certa.
Nunca mais fui chamada de palhaça, nem de Maria, nem de menina… só você fazia isso.
Suas crônicas saborosas, sua poesia leve, sua inteligência cortante, quanta falta isso faz.
Não sei onde você está agora, mas queria ter certeza de que está feliz e em paz.
Porque você sabia transmitir a paz quando eu precisava conversas de paz. E merece toda a paz na eternidade.
Foi meio maldosa sua partida inesperada e sem despedidas. Bem típico de você. Que se divertia quando conseguia me deixar confusa com suas afirmações.
Queria ler mais Emidio, queria mais poesias suas, mais conversas…
Você nos deixou em um ano tão triste, tantas coisas ruins aconteceram, e não tenho mais você para tornar tudo mais leve.
Mas há um grande consolo em saber que você foi poupado pelo Pai. Não precisou enfrentar esses tempos estranhos, de isolamento e guerra política, para ler meus comentários e me dizer “deixa o bichim em paz”…
Fica em paz, meu amigo, você nunca será esquecido. E sempre me fará muita falta.
Eu te amo
sem orgulho
sem esperança
Como o mar ama a montanha
sem jamais a alcançar
e, por suas ondas, incessantemente,
tenta chegar a seus pés
Eu te amo
Com desvario
Com insanidade
Como a lua ama o sol
Sem jamais encontrá-lo
E sem temer o abraço fatal
Que os fundiria irremediavelmente
Eu te amo
Sem vaidade
Sem egoísmo
Com um amor que não tem brio
que sufoca a dignidade
e se basta a si mesmo
Eu te amo
Com loucura
Com paixão
Nesse doce devaneio
Que é apenas insanidade
Esse constante delírio
De inquieta alucinação