
Vamos aprender com Jenário

A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –


É complicado dizer o que sinto por você…
Como posso afirmar algo que nem mesmo eu sei?
Mas quando olho nos seus olhos é o meu reflexo que vejo.
Você é o príncipe encantado que não existe.
O coelhinho da Páscoa em pleno Natal.
Mostra-me a realidade e me faz sonhar…
Apresenta-me o paraíso, mas me esquece no inferno…
Diz que me ama e me beija no rosto…
Você é a dúvida que me encanta
E tem o jeito certo pra minha perdição!
(Imagem: óleo sobre tela, Willian Turner)

Subirá
a escada
salirai
le scale
porque estarei a sua espera
Abrirá a minha porta
aprirai
la mia porta
e me encontrará onde me deixou abandonada
Sem nada dizer
senza dire nulla
não é preciso pedir perdão na paixão
Me tomará
entre seus braços
mi prenderai
tra le braccia
e devolverá todo o aconchego perdido
E me beijará
e mi bacerai
então a vida voltará a sorrir…
(*) Vico del Gargano, Puglia



Você nunca perde alguém apenas uma vez.
Perdemo-lo todos os dias, nos silêncios e memórias que ficam. Perdemo-la à noite, quando fechamos os olhos e a sua ausência nos abraça. E perdemos ele novamente todas as manhãs, abrindo os nossos olhos para um mundo onde ele partiu.
Perde-se nas pequenas coisas do dia-a-dia: uma xícara de café deixada vazia, uma cadeira deixada desocupada ou um par de sapatos pendurados no corredor. Perdemo-lo ao pôr do sol, quando a luz desvanece e a escuridão se instala. E a gente perde procurando respostas em um céu estrelado, cheio de silêncio.
Perdemos nas grandes ocasiões, aqueles momentos que deveriam ser comemorações: aniversários, formaturas, casamentos, festas de formatura. E também perdemos em dias comuns, aqueles que passam sem brilho mas onde sua falta é sentida.
Uma música que ele adorava cantarolar, o cheiro familiar do seu perfume, o sabor de uma receita que ele dominou tão bem: tudo isso nos traz de volta a ele. Perdemos nas conversas que nunca teremos, nas palavras que queríamos dizer, e nos sonhos compartilhados que nunca se realizarão.
Perdemo-lo nos lugares que visitou, nos que ele gostaria de ver, e em tudo o que poderia ter sido. As estações passam, e a sua ausência é sentida a cada mudança: quando a neve cai, as flores abrem, a erva cresce, as folhas caem.
Dia após dia, mês após mês, ano após ano, a sua ausência continua a ser uma realidade. Recolhemos os pedaços do nosso coração partido, tentamos seguir em frente, mas perdemos novamente cada vez que percebemos que nunca mais vai voltar. Não importa o quanto sentimos falta dele. Não importa o quanto o amássemos. Eles estão fora.
O tempo passa e o leva mais longe. O nosso cabelo fica grisalho, o nosso corpo fica cansado e a nossa memória desvanece. A cara dela está a começar a desaparecer. Uma foto desbotada torna-se a única ligação tangível com ele, e dás por ti a pensar: “Isto foi realmente ontem, ou isto foi outra vida? ”
Você nunca perde alguém apenas uma vez. Perdemo-lo todos os dias, vezes sem conta, para o resto das nossas vidas.