Lobo ferido (Memória, dois anos)

Ao longe lambe suas feridas

Espera – talvez, um gesto de chamada

Desdenha, talvez, de um gesto de chamada

Esse lobo, alongado, que se afasta

Que não se basta mas se imagina

Onipotente e suficiente

Mostra os dentes para os mansos

E cai na armadilha dos ardilosos…

Inquieto, já não sabe o que busca,

Esse lobo que abandonou sua alcateia

E agora vaga, solitário e faminto…

Espaço para Ângela Caboz

Dia de poesia – Mia Couto – Já não há mais domingos

Sem dor

Doeu. Doeu muito. Doeu demais.
Ainda que lhe quebrassem todos os ossos do corpo ao mesmo tempo
ou se lhe esmagassem todos os músculos
Se lhe arrancassem todos os órgãos
Ou lhe tirassem a pele em vida,
Nada
Absolutamente nada
Doeria tanto quanto essa ausência
Por isso agora parte
Já não chora – as lágrimas secaram
Já não dói – esgotou a capacidade de sentir dor
Já não sofre – exaurido na dor já sentida
Parte.
Apenas parte.
Sem lamento. Sem sofrimento.
Sem bagagem. Sem adeus.

(Imagem: banco de imagens Google)

Nostalgia

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