Calmaria ... Embarco Mar adentro Pescador de poesia. Barco deslizando Eu, poeta ...Versos... Pescando. Me esperas na areia Brilho no olhar Que anseia Pelos poemas que te trouxe do mar.
(Imagem: foto de Carlos Eduardo Ferreira)
A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –
Calmaria ... Embarco Mar adentro Pescador de poesia. Barco deslizando Eu, poeta ...Versos... Pescando. Me esperas na areia Brilho no olhar Que anseia Pelos poemas que te trouxe do mar.
(Imagem: foto de Carlos Eduardo Ferreira)
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Não tenho mais os olhos de menina
nem corpo adolescente, e a pele
translúcida há muito se manchou.
Há rugas onde havia sedas, sou uma estrutura
agrandada pelos anos e o peso dos fardos
bons ou ruins.
(Carreguei muitos com gosto e alguns com rebeldia.)
O que te posso dar é mais que tudo
o que perdi: dou-te os meus ganhos.
A maturidade que consegue rir
quando em outros tempos choraria,
busca te agradar
quando antigamente quereria
apenas ser amada.
Posso dar-te muito mais do que beleza
e juventude agora: esses dourados anos
me ensinaram a amar melhor, com mais paciência
e não menos ardor, a entender-te
se precisas, a aguardar-te quando vais,
a dar-te regaço de amante e colo de amiga,
e sobretudo força — que vem do aprendizado.
Isso posso te dar: um mar antigo e confiável
cujas marés — mesmo se fogem — retornam,
cujas correntes ocultas não levam destroços
mas o sonho interminável das sereias.
(Imagem: do acervo pessoal da autora, IA)

Poeta, onde é sua morada?
Quero encontrá-lo, ver onde vive, do que é feito seu mundo.
O poeta me recebe, mas não é bem uma casa onde ele mora.
Sua morada é o mundo, seu telhado é o céu
De dia ele avista as nuvens, à noite dialoga com as estrelas
Também não tem paredes, porque o poeta é livre
Seus limites são os limites do Universo
Não precisa portas nem janelas, não há cercas nem muros
O chão do poeta é o imenso oceano
Pisa nas espumas das ondas, repousa nas marolas
Os vizinhos do poeta são as matas, os rios,
A natureza tranquila e exuberante
Na casa do poeta se ouvem o mar, o vento e o silêncio
E os suspiros da paixão não correspondida
Se veem os quadros das lágrimas dos que choram por amor
Pode-se tocar o concreto sofrimento dos abandonados
Tudo é etéreo, tudo é difuso
Porque o poeta medita, em profunda solidão,
vive dentro de si para conseguir ver o mundo
Procurando a morada do poeta, não a vi
Ela não está sobre a terra, não está no horizonte
Descobri então que o poeta, na verdade
Mora na alma dos apaixonados
Vive a eterna dor da finitude da paixão
Em contraste com o amor infinito
Sua alma abriga todas as penas humanas
E seus olhos enxergam o que ninguém vê
O poeta mora na brisa que sopra
No brilho de cada estrela da madrugada
Nos pingos da chuva mansa que nos acalma
Nos sons do pranto do desesperançado
Ah, poeta, agora que consegui vir à sua casa
Deixa-me, eu também, morar nesse universo…
(Imagem: banco de imagens Google)

(Imagem: banco de imagens Google)
Foi em um 19 de outubro que nasceu o Poeta. O maior Poetinha do século XX. O grande Vinicius de Moraes.
E, nesse dia 19 de outubro, de certa forma, no Brasil, nasceu a Poesia. Porque por suas mãos ela tomou forma. Por suas paixões ela se fez. Por sua vida ela viveu. Impossível separar Vinicius da Poesia. Eram um só. Ele vivia para ela e ela vivia por ele.
Por isso tão especial essa data – 19 de outubro – dia dos que amam, sofrem, se embriagam de paixão. Dia de Vinicius de Moraes.

Desesperados vamos pelos caminhos desertos
Sem lágrimas nos olhos
Desesperados buscamos constelações no céu enorme
E em tudo, a escuridão.
Quem nos levará à claridade
Quem nos arrancará da visão a treva imóvel
E falará da aurora prometida?
Procuramos em vão na multidão que segue
Um olhar que encoraje nosso olhar
Mas todos procuramos olhos esperançosos
E ninguém os encontra.
Aos que vêm a nós cheios de angústia
Mostramos a chaga interior sangrando angústias
E eles lá se vão sofrendo mais.
Aos que vamos em busca de alegria
Mostramos a tristeza de nós mesmos
E eles sofrem, que eles são os infelizes
Que eles são os sem-consolo...
Quando virá o fim da noite
Para as almas que sofrem no silêncio?
Por que roubar assim a claridade
Aos pássaros da luz?
Por que fechar assim o espaço eterno
Às águias gigantescas?
Por que encadear assim à terra
Espíritos que são do imensamente alto?
Ei-la que vai, a procissão das almas
Sem gritos, sem prantos, cheia do silêncio do sofrimento
Andando pela infinita planície que leva ao desconhecido
As bocas dolorosas não cantam
Porque os olhos parados não veem.
Tudo neles é a paralisação da dor no paroxismo
Tudo neles é a negação do anjo...
...são os Inconsoláveis.
(Os inconsoláveis. RJ, 1933)
(Imagem: foto de Maria Alice)