
Quando quis ser fruto
fui fome,
não mais do que areia,
de um chão sem cio
Quando sonhei ser pano
fui agulha.
E morri no sono do gesto
de enrolar o fio.
Quando aprendi a ser poente
já não havia céu.
Quando quis anoitecer
tudo era luz.
E assim me condeno
em livre vício;
no mais derradeiro
eu vislumbro um início.
(Imagem: banco de imagens Google)