A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –
Quando a brisa sussurrou, a flor tentou responder. Mas a brisa, tão leve, já passara desesperada, a flor olhou em volta, não mais a avistava. Tentou se soltar, para a seguir... Tão delicada, tão frágil, viu suas pétalas caírem E ouviu a risada do vento, que rápido passava, apressado, Tentando alcançar a brisa
Procuro a ternura súbita, os olhos ou o sol por nascer do tamanho do mundo, o sangue que nenhuma espada viu, o ar onde a respiração é doce, um pássaro no bosque com a forma de um grito de alegria.
Oh, a carícia da terra, a juventude suspensa, a fugidia voz da água entre o azul do prado e de um corpo estendido.
Procuro-te: fruto ou nuvem ou música. chamo por ti, e o teu nome ilumina as coisas mais simples: o pão e a água, a cama e a mesa, os pequenos e dóceis animais, onde também quero que chegue o meu canto e a manhã de maio.
Um pássaro e um navio são a mesma coisa quando te procuro de rosto cravado na luz. Eu sei que há diferenças, mas não quando se ama, não quando apertamos contra o peito uma flor ávida de orvalho.
Ter só dedos e dentes é muito triste: dedos para amortalhar crianças, dentes para roer a solidão, enquanto o verão pinta de azul o céu e o mar é devassado pelas estrelas.
Porém eu procuro-te antes de a morte se aproximar, procuro-te. Nas ruas, nos barcos, na cama, com amor, com ódio, ao sol, à chuva, de noite, de dia, triste, alegre – procuro-te.
Preciso que um barco atravesse o mar lá longe para sair dessa cadeira para esquecer esse computador e ter olhos de sal boca de peixe e o vento frio batendo nas escamas. Preciso que uma proa atravesse a carne cá dentro para andar sobre as águas deitar nas ilhas e olhar de longe esse prédio essa sala essa mulher sentada diante do computador que bebe a branca luz eletrônica e pensa no mar.
Um turbilhão vindo de lugar desconhecido Turvou-me a alma, tirou-me o chão, fez o escuro. Tumulto no sentir, no pensar, sem ação. Uma vida esboçada que não aconteceu. Um botão de flor morto sem desabrochar. Eu fui nada, fui espera e fui amor. Agora novamente não sou nada. Nada sou, nada espero, nada amo. Sou a escuridão que precede a luz que não vem. Sou a eterna madrugada onde nunca amanhece.