
Houve um tempo em que as pessoas cultivavam valores diferenciados. E o dinheiro não era o mais importante. A família, o nome, a pessoa e a honestidade eram bens respeitáveis e inalienáveis.
Sempre tudo teve preço, mas alguns sentimentos tinham valor.
Era assim com a morte. Você perdia alguém muito amado, você se recolhia no luto e todos respeitavam sua dor.
Hoje você perde alguém e corre para a internet gritar aos quatro ventos que quer justiça e indenização.
Quando um filho morria, a mãe quase morria junto de tanto sofrimento. Hoje ela contrata um advogado e pede uma indenização, vendendo a vida do filho que se foi.
Era assim também com o crime.
A vítima de um crime era respeitada, resguardada e mimada pelos mais próximos. Hoje ela é explorada pelos meios de comunicação e exposta até o último grau que beira mesmo a indignidade.
E o criminoso era execrado publicamente. Se fosse preso, a família até se mudava de cidade, de tanta vergonha de ter um bandido.
Hoje, a mãe põe a cara na televisão em cadeia nacional e fica berrando que o filho é vítima da polícia.
Houve um tempo, até mesmo, em que a polícia era bem vista, os policiais eram respeitados.
Hoje qualquer bandidinho chega na audiência de custódia, ataca moralmente os policiais que o prenderam, ofende o promotor de justiça e xinga o juiz de direito. E as autoridades ainda pedem desculpas ao delinquente por ter sido preso.
Houve um tempo em que não pagar as contas era motivo de desonra. Hoje o calote é oficialmente institucionalizado. E é proibido cobrar o devedor.
Houve um tempo em que fotografia era rara e cara. As pessoas se vestiam e se arrumavam para “tirar retrato” e este era guardado como tesouro. Hoje, qualquer um – mas qualquer um mesmo – tem um celular e tira foto até da comida para depois apagar. E as pessoas se despem para fazer as fotos e depois publicar nas redes sociais.
Houve um tempo, e não faz muito tempo, que vergonha era algo pessoal. Hoje é pública e todos se orgulham de passá-la.
Que tempo é este?
(Imagem: banco de imagens Google)