
Para 01.07, um sábado de inverno

Blog de de Alice – Alinhavando letras
A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –

(Escrevi há um ano – acho que nada mudou)

– Quando foi a última vez que você deu aquela gargalhada solta, contagiante?
– E quando foi a última vez que você deu uma risada?
– Mas me diz: quando foi a última vez que você sorriu de verdade?
– Agora me responde: quando foi a última vez que você chorou de saudade?
Então, ela levantou o rosto, olhou para mim, e lágrimas rolavam de seus olhos…
(Imagem: banco de imagens Google)

Eu já fiz de conta que não doeu. Eu já fiz de conta que fui forte. Eu já fiz de conta que superei. Eu já fiz de conta que era indiferente. Eu já fiz de conta que ignorei. Eu já fiz de conta que não ouvi. Eu já fiz de conta que não me importei. E nesse faz de conta que é a vida, eu não tenho mais interesse em fazer de conta. Se é para ser, então que seja de verdade.
(Imagem: arte de Renata Magda)

Que ousaram semear o caos Ao inventar um sentimento maior Puro, altruísta Até lhe deram um nome, Amor... Fizeram-nos acreditar Em eternidade De laços e comunhão E que até se pode morrer de desgosto À sua rendição Malditos poetas... Que espalharam a palavra Como crença Aos tolos, solitários e carentes Os convertendo, a sua religião Acreditam em finais felizes... Vejam lá! tal houvesse, Em superação e transcendência E trazem cegas multidões Que os lêem ávidos De tal benção e salvação... E agora? Andamos em constante busca De uma metade que não se encaixa De um coração que não sangre E se ofereça inteiro Malditos poetas Que foram inventar? Uma praga Que deu ao mundo esperança E o fez acreditar Me rendo Por quem sou! Antes seja maldita o louvando Que ignorante o renegando...
(Imagem: banco de imagens Google)

Há um copo sobre a mesa.
Não é um copo de fino cristal. Nem um copo para bebidas especiais.
Apenas um copo.
Simplesmente aquela vasilha de forma cilíndrica para auxiliar na ingestão de líquidos.
Há uma mesa.
A mesa não está posta. Não ostenta toalha de cambraia de linho bordada à mão, nem porcelanas inglesas ou portuguesas. Não há elegantes guardanapos bordados nem talheres de prata.
Só a tosca madeira nua, castigada pelo tempo, trazendo marcas de queimados e molhados, que mostram o uso diário durante décadas.
Há um silêncio.
Não o silêncio respeitoso do momento de meditação durante a missa. Nem aquele que impera nos velórios.
Nem o silêncio da expectativa dos primeiros acordes de um concerto. Nem o silêncio do medo ao enfrentar uma situação de perigo.
Apenas um silêncio.
Surdo. Pesado. Asfixiante.
E há penumbra.
Não a penumbra das alcovas que abriga os corpos em brasa dos que se amam.
Nem a penumbra que antecede o amanhecer.
Mas uma penumbra dolorida das janelas que permaneceram fechadas com as cortinas cerradas.
Há, na penumbra sufocante, um silêncio cortante, com um simples copo sobre a velha a mesa.
Foi tudo o que restou depois de anos de morte, tristeza, desolação e isolamento.
(Imagem: foto de Maria Alice)
