Tédio dominical

3 coisas para fazer no tédio. – Overdose BG

Por que os domingos são dias tão chatos? Dia comprido, interminável…

Sem a vibração do sábado, sem o agito da segunda-feira, é um dia feinho, espremido, sem graça.

Todos marcam compromissos descompromissados para o sábado – o clube, a partida de tênis, ou de golfe, o passeio de moto, o churrasco com os amigos, até levar o carro para lavar. Ou compromissos sérios para segunda-feira – o advogado, o cartório, o médico, as compras… mas ninguém, ninguém mesmo, marca nada para domingo.

No máximo, vai-se à missa (quando não se consegue ir no sábado no final da tarde…)

Festas, bares, reuniões, tudo o que é bom acontece nos sábados… Casa-se, de regra, aos sábados, não aos domingos.

Acho que nunca fui a um casamento no domingo. Mas, aos sábados, já precisei escolher a qual iria, porque havia mais de um para comparecer.

Domingo é dia de levantar tarde por falta de opção. Almoço sem graça. Tarde sem atividade.

De vez em quando aproveita-se o domingo para se telefonar para familiares e cumprir obrigações. Nem prazer nem compromisso. E, se conseguir, dormir cedo porque na segunda-feira serão inúmeros afazeres e o dia deve começar ao amanhecer para se dar conta de tudo…

Todos os dias nos lembramos do que fizemos durante a jornada e conferimos se deu tempo de fazer o que era preciso.

Tudo o que fazemos no sábado fica na memória por um bom tempo pelo prazer que proporcionou, tornando cada sábado um dia único.

Em compensação, no domingo… não acontece nada, nem de bom, de ruim, nada para ser lembrado nem nada para ser esquecido.

Enfim, um tédio.

Mas o domingo, coitado… o que se quer, mesmo, é que acabe logo...

(Imagem: Banco de imagens do Google)

No dia dos namorados

E chega o Dia dos Namorados. Pergunto a uma pessoa: “O que você vai fazer para comemorar o Dia dos Namorados?” Resposta: “Nada. Absolutamente nada. E falei para ele que vou dormir cedo, não quero sair e nem pretendo encontrar hoje.”

Outra: “Acho que estourar pipoca e ver Netflix, na minha casa ou na dele.” E eu digo: “Isso não é nada romântico, não parece comemoração do Dia dos Namorados…” e ela: “Pois é, mas no ano passado cancelamos viagem, ficamos em casa, eram oito horas eu pedi um jantar e só foi entregue depois da meia-noite. Dia dos Namorados e restrição do isolamento não combinam. Esse ano nem planejei nada.”

No mesmo sentido ouvi as respostas de tantas…

Será que o Dia dos Namorados morreu? Era tão comemorado, tão romântico, floriculturas esvaziadas, joalherias animadas, restaurantes com reservas antecipadas, motéis lotados…

Agora o Dia dos Namorados é de pijamas e pantufas, comendo pipoca… nada contra a pipoca, que eu adoro, mas… no Dia dos Namorados?

Cadê a paixão, aquela paixão de adrenalina, os presentes lindamente embrulhados, quanto menores mais irresistíveis…

As frases, as poesias, as serenatas, cadê os namorados?????

Até isso essa maldita peste conseguiu: acabar com o Dia dos Namorados. As pessoas estão depressivas, desiludidas, mal-humoradas, tentando recuperar os prejuízos dos sucessivos lockdwns, sem qualquer resquício de romantismo.

Acho, que no próximo Natal, deveremos pedir ao bom velhinho que nos traga uma pitada de paixão, uma medida de romantismo, e sonhos, muitos sonhos. Para muitas, inclusive, ele podia trazer até mesmo um namorado…

Por ser uma incurável romântica, ainda que não tenha namorado, deixo aqui uma canção do Poeta, o grande Poetinha Vinicius, que é pura paixão:

Nessa véspera do Dia dos Namorados, Momento

Despertar para um novo dia | Surpresas Ocultas


Pousou na mansidão que envolve o amanhecer:
Sem tristeza nem alegria, no silêncio simples da manhã.
Trouxe em si o doce perfume que evoca lembranças
E mostrou que para tudo há um novo recomeço.
O amor, vestido de paixão, bateu à porta,
E em ondas desordenadas passou a ocupar o espaço
Como um vento confundiu todas as coisas e
Numa lufada espantou tudo o que era triste, tudo
O que não era mais, tudo o que deixara de ser.
Como se fosse uma estrela, ou um satélite
Seguia, encantada a teu redor: esperava, adivinhava até,
A tua chegada – planeta maior, com vida própria, em 
Constante movimento, arrastando tudo pelo caminho.
Sabendo ser passageiro, não me preocupei em te prender;
Apenas dei o espaço necessário para um descanso
No aconchego gostoso de um encontro quase impossível,
Quando então a natureza amiga se aquietou e permitiu 
A imobilidade do momento eterno que se fez
Entre teu chegar e teu partir.


(imagem: Banco de imagens Google)

Na pré-véspera do Dia dos Namorados

Aleatório.: Namorar.

E vem chegando o dia dos namorados.

Penso que, na verdade, deveria ser o Dia dos Enamorados.

Quantas pessoas não tem namorado ou namorada, mas são, por natureza, enamoradas?

Da vida, de si, de alguém.

Ter um namorado ou uma namorada é circunstancial. Mas ser enamorado ou enamorada é essencial.

Uns não querem e têm.

Outros querem e não têm.

Muitos não têm nem querem.

Muitos querem e têm.

E por que ter namorado ou namorada? Se a vida solo propicia aventuras, noitadas, viagens inesperadas, tantas surpresas – boas e ruins?

Porque não há nada mais gostoso na vida do que ser ou ter namorado ou namorada.

Namorado (a) é aquela pessoa que olha para você com encanto nos olhos. Que fala com você com doçura na voz. Que beija você com mel na boca. Que toca você com meiguice e ternura nas mãos.

Que ri do que você fala. Que chora junto com você.

Que se interessa por sua história. Que respeita sua família.

Que sempre está disposto (a) a ir com você ao shopping, à sorveteria, ao boteco ou até à oficina mecânica. Acompanha no dentista e no restaurante. Assiste filme, jogo e luta na tv, prepara a pipoca e chora nos dramas.

Cede um pedaço maior do cobertor se você estiver com frio.

Vai dormir cedo quando você está com sono.

Faz a pesquisa para o seu trabalho na faculdade sem reclamar.

E, melhor do que tudo, são os braços do namorado (a).

São exatamente da sua forma, no seu tamanho.

Sempre há ali, naqueles braços, a qualquer momento que você quiser ou precisar, o melhor e mais carinhoso abraço do mundo.

Vida solo não é ruim.

Mas namorar é tudo de bom!