Um dia

A minha alegria é a melancolia. (Michelangelo Buonarroti)

Um dia vou ser feliz.

Feliz mesmo. De verdade. Não essas pequenas alegrias que esticamos ao máximo para nos sentirmos felizes por algum tempo. Mas Feliz. Assim mesmo: Feliz.

Um dia, não agora.

Sou feita de saudade e melancolia. Desesperança e ansiedade. Isso não é ser feliz. Nem mesmo alegre. Para ser sincera, muitas vezes penso que felicidade é uma palavra que inventaram para que a humanidade fosse eternamente frustrada.

Porque nunca vi ninguém exatamente, plenamente e ostensivamente feliz.

Alegre, talvez, mas feliz? Nunca.

Mas um dia serei feliz. Prometo.

Nada irá sombrejar meu olhar, que será claro, límpido, luminoso, como só o olhar das pessoas felizes pode ser.

E meu sorriso… nada o impedirá. Aberto, cristalino, verdadeiro – o sorriso de alguém feliz.

Meus braços estarão sempre ocupados num abraço sem fim e minhas mãos derramando carinhos em alguém que muito me encante.

Serei só ternura, maciez e aconchego.

Mas não agora. Isso no dia em que eu for feliz…

Se…

 
 
 
 Se você surgisse como o sol dos meus dias
 Trazendo luz e calor para aquecer minha alma
 Eu poderia enxergar então uma realidade melhor
 Mas você não surge, ah, meu amor, você não surge
  
 Se você voasse comigo para outros mundos
 Juntos conheceríamos a verdadeira felicidade
 E nunca mais ficaríamos separados,
 Mas você não voa comigo, meu amor, não voa comigo
  
 Se você quisesse ser para sempre meu amor
 E andarmos todos nossos caminhos de mãos dadas
 Eu te cobriria de beijos e carinhos sempre,
 Mas você não quer, meu amor, você não quer
  
 Se você chegasse na minha noite de insônia
 E me desse todo carinho até me adormecer
 Colocaria cores e alegrias nos meus sonhos,
 Mas você não chega, meu amor, você não chega
  
 Se você viesse navegar comigo no meu barco
 Eu te contaria todas as histórias das sereias
 E te falaria o nome de todas as estrelas nas noites,
 Mas você não vem, meu amor, você não vem... 
(Guarujá, 01.01.2020) 

Bonne Année!!!!!!!

Messages bonne année 2021 pour maman et papa

2021…Depois de dois tristes anos, 2021 raia em minha vida.

Será bom? Será ruim? Será pior que os dois anteriores?

Chi lo sa?

Dois anos de muitas tristezas, solidão intensa e grandes silêncios.

O que me reserva 2021?

Wer weiß?

E vejo, com muita chuva e pouco sol, entrar um ano que se diz novo.

Mas daqui a três dias todos já terão esquecido que o ano é novo.

Praticarão velhos atos.

Alimentarão velhos vícios, sem se preocupar que houve, hoje, o início de mais um Ano Novo.

E eu, que farei, como estarei?

¿Quién sabe?

Novas chuvas virão, novos dias nascerão, novas luas em novas noites.

E o sol para aquecer e iluminar tudo isso.

Nem todos os corações se aquecerão depois de um ano de perdas, de tanta incerteza e muita insegurança.

Who kows?

Marcas indeléveis na alma de cada um de nós.

Quais as marcas que ficaram na minha?

Quais as mágoas que ainda surgirão?

Ki tudja?

Haverá amor nos dias desse ano?

A paixão será vivida?

Haverá alegria?

Quantas lágrimas?

Quantas risadas?

Quem sabe?

Enquanto tudo é incógnita, nenhuma resposta para tantas questões, je vous souhaite, à tous vous, une très BONNE ANNÉE!!!

Que venha 2021 e seja bem-vindo

Champanhe deve ser servido em taça inclinada, comprova estudo - 27/12/2010  - UOL TILT

Aos trancos e barrancos chegamos nas últimas horas desse ano esquisito.

2020, o ano que não vivi. Isso não é só o título de meu último livro, mas o sentimento que trago desse ano desanado e não vivido. Não foi um ano. Não usamos, não desfrutamos, não aproveitamos.

Esperei muito a virada 2019-2020.

Porque 2019 foi um ano muito difícil, muito triste, de intensas e sofridas perdas. Então, de frente para o meu mar, vendo a magnífica queima de fogos, em minha varanda rezei, pedindo que 2019 passasse de vez, não deixasse nada para trás e eu pudesse voltar a viver.

E pensei que seria assim, um janeiro de gratas surpresas e alegrias.

Fevereiro, mês quente no clima e morno na vida, travado pelo carnaval.

Quando entrou março, cheio de promessas, somadas alegrias – nos três primeiros meses participei de seis concursos literários e fui premiada nos seis – de repente surge a peste chinesa, premiações, eventos, encontros, tudo cancelado. Passagens aéreas perdidas, amizades distantes, tudo se desfazendo no ar.

E acabou o ano.

Não existiu de abril a dezembro. Simplesmente evaporou-se em março. E desapareceu.

Acrescente-se a isso sérios e graves problemas de ordem pessoal e familiar, e temos o meu ano de 2020. O pior de minhas muitas décadas.

Vejo, com alívio, a chegada dessa noite de 31 de dezembro. Depois de alguns dias de intensas chuvas e uma noite de tempestade arrasadora, com granizo, vendaval, desabamentos, arrancamentos, e hoje mais um dia estranho, de chuva fria, nesse momento anoitece suavemente, entre azuis e lampejos de algum sol que vigiou a terra por cima das nuvens o dia todo e agora mostra alguns raios. Amainados pelos temporais, mas que sabemos existir e temos certeza de que um dia voltará a brilhar, soberano e imponente.

E que venha 2021.

Que nos traga desafios. Nós os enfrentaremos.

Mas nos traga alegrias e adições.

Chega de tristezas e perdas.

Que venham novos dias, e sejam de paz. De saúde.

Feliz ano de 2021 a vocês, meus leitores, amigos e incentivadores.