Dia de poesia – Roberto Ferrari – Madrugada

Sinto o vento tocar minha face

Sinto teu abraço terno

Vamos nos entregar aos nossos desejos

Acarinha minha alma

Quero te beijar

Sentir teus lábios junto aos meus

Fala de amor, fala de nós

Diz que me ama

E sempre serei teu

Por toda a minha vida

Escutarei no murmúrio da noite

Teu nome

E sentirei a Lua a nos abençoar

Porque sempre seremos um

E nesta fria madrugada

Nosso amor aquecerá nossos corações

Em uma grande sinfonia enamorada

Então tu serás eterna

Nos meus versos apaixonados…

(Imagem: foto de Maria Alice)

Memória do blog – Louca

Blog Cariri : Mendiga morre e deixa fortuna de R$ 2,33 milhões

“Lá vai a louca” todos dizem, alguns até com compaixão

Será louca, será sã, será lúcida? Como saber?

Segue sem destino, sem ver e sem ouvir e sem falar

Mão crispadas, braços endurecidos, corpo curvado

“É louca”, repetem. Ela vai adiante, sem ter onde chegar.

Ela amou.

Amou alguém apaixonadamente, mais que a si mesma

Amou muito mais do que alguém já amou um dia

E esperou e acreditou. Por isso muito sofreu.

Para não ver sua partida, ela arrancou os olhos

E estourou os ouvidos para não ouvir o adeus.

Cortou a própria língua para não implorar que ficasse.

Seus braços e mãos se contraíram, para não mais abraçar

Calou na alma todos os tormentos, morreu por dentro

E desde então anda, a esmo, pelas ruas, calada, cega e surda.

“Ela é louca”, todos dizem. Mas ela não os ouve, sequer os vê

Mal pressente os perigos, escorraçada, por vezes apedrejada

Nada sente, nenhuma dor. Esgotou a capacidade de doer

De sentir, de chorar, de se lamentar. Nada lhe resta.

“É louca”. Não, não é mais louca. Agora é só uma coitada

Foi louca, sim, um dia em seu passado,

Louca quando amou mais do que devia.

(Imagem: banco de fotos Google)