A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –
Autor: Maria Alice Ferreira da Rosa
Blogueira, escritora, poeta... porque escrever é preciso
Por que sou triste? Não sei...
Como também não sei se deveria ser alegre.
Às vezes nos cansamos da felicidade breve
porque ela sempre se vai e a tristeza vem.A felicidade sempre traz tristeza,
enquanto a tristeza nunca se torna alegria...
Melhor ficar triste de uma vez
e não ficar temendo a tristeza,
porque ela, sim, é inevitável.
Há duas certezas nessa vida:
Ser triste e morrer.
Eu vi o sol surgir por trás do deserto, além do continente africano: Era fogo, era seco, era quente dourado, irradiava sua luz, rompendo as trevas da noite, apagando as estrelas
Eu vi seu sol surgir na minha vida quando você chegou e trouxe amor, luz, vida e calor e me transbordou. Tudo cumpre seu destino, tem seu ciclo. Todos os dias se acabam no crepúsculo e o sol se vai, prometendo que voltará
O mar volta cinzento para a noite. O deserto escurece subitamente. E assim também você se foi. Minha vida voltou à tristeza antiga E, por não ser um verdadeiro o sol, você não prometeu voltar um dia...
Olha, eu sei que o barco tá furado e sei que você também sabe, mas queria te dizer pra não parar de remar, porque te ver remando me dá vontade de não querer parar também.Tá me entendendo? Eu sei que sim.
Eu entro nesse barco, é só me pedir. Nem precisa de jeito certo, só dizer e eu vou. Faz tempo que quero ingressar nessa viagem, mas pra isso preciso saber se você vai também. Porque sozinha, não vou. Não tem como remar sozinha, eu ficaria girando em torno de mim mesma. Mas olha, eu só entro nesse barco se você prometer remar também! Eu abandono tudo, história, passado, cicatrizes. Mudo o visual, deixo o cabelo crescer, começo a comer direito, vou todo dia pra academia. Mas você tem que prometer que vai remar também, com vontade! Eu começo a ler sobre política, futebol, ficção científica. Aprendo a pescar, se precisar. Mas você tem que remar também. Eu desisto fácil, você sabe. E talvez essa viagem não dure mais do que alguns minutos, mas eu entro nesse barco, é só me pedir. Perco o medo de dirigir só pra atravessar o mundo pra te ver todo dia. Mas você tem que me prometer que vai remar junto comigo. Mesmo se esse barco estiver furado eu vou, basta me pedir. Mas a gente tem que afundar junto e descobrir que é possível nadar junto. Eu te ensino a nadar, juro! Mas você tem que me prometer que vai tentar, que vai se esforçar, que vai remar enquanto for preciso, enquanto tiver forças! Você tem que me prometer que essa viagem não vai ser a toa, que vale a pena. Que por você vale a pena. Que por nós vale a pena. Remar. Re-amar. Amar.
Quando eu morrer dirão: “Coitada, morreu de amor”…
Há amor, muito amor não correspondido envolvido. Há paixão. Há saudade e muita, muita solidão.
Mas…
Ninguém morre de solidão. Solidão faz bem. O que mata não é a própria solidão, mas a ausência do outro…
E a saudade entristece, faz adoecer, doer, sangrar, mas a saudade não mata. O que mata é a falta brutal que o outro faz na nossa vida.
Nem a paixão mata. A paixão move o mundo, motiva a vida, faz querer viver para ter mais e mais do outro que já se foi. Mas não mata. Paixão é vida.
E o amor? O amor também não mata.
O amor é aquela mistura bem temperada de amizade, companheirismo, parceria e paixão. Tudo que desperta a intensa vontade de viver muito mais do que nos é permitido temporalmente.
Amor constrói. Amor edifica. Amor eleva.
Somente o amor vence a própria morte e continua vivo.
Mas amor não vence o abandono, a canalhice, o tanto faz.
Amor não vence a humilhação, o desprezo, o descaso.
O amor definha e se desfaz diante do silêncio do ser amado.
Amar sozinho, amar por dois, isso mata.
E isso, sim, pode fazer querer morrer.
Não o amor.
Então, quando eu morrer, não deixem que digam “Coitada, morreu de amor…”
Porque eu não terei morrido de amor.
Corrijam, esclareçam, que eu amei muito, muito mais do que deveria e poderia, mas que eu não morri de amor.
A bem da verdade, afirmem “Coitada, ela não morreu de amor. Ela morreu de amar!”