Memória do blog – Mágoas

Deixa em paz meu coração, que ele é um pote até aqui de mágoas, e qualquer desatenção, faça não, pode ser a gota d’água… (Chico Buarque)

Una gota en el mar - Psicología Católica Integral

Mágoas e mais mágoas… quantas mágoas trazemos na alma, de tantas desatenções, de tantas decepções…

Com quantas mágoas se faz uma tristeza?

Difícil fazer de conta que não magoa, fazer de conta que não sente nada… o pote vai enchendo e a qualquer momento transbordará.

Por mais delicado que alguém seja, nada impede que o outro o magoe profundamente, por egoísmo, por vaidade, para se mostrar superior, em razão de complexo de inferioridade.

E o coração corta e sangra a cada mágoa. E vai ficando cheio de cicatrizes. Alguns corações são tão magoados que se protegem com uma couraça. Mas estouram da mesma forma, através de terríveis somatizações, porque é impossível não transbordar.

E se temos medicamentos à vontade para as dores do corpo, nenhum existe para a maior dor da alma – a mágoa.

Algumas pessoas colecionam cristais, outras, soldadinhos de chumbo. Eu coleciono mágoas.

Tenho de todos os tipos, cores e tamanhos. Causadas por tantas e tão diferentes pessoas e ações.

Vivo me policiando para não magoar quem convive comigo.

Engulo alguns desaforos, enfrento decepções, mas procuro não magoar. O inverso não ocorre. Às vezes tenho a impressão que as pessoas se dedicam a me magoar. Pouco se importam com minha dor. Não conhecem minha alma.

Mas meu coração, tal como o pote da canção, está à beira de transbordar…

(Imagem: banco de imagens do Google)

E o coração corta e sangra a cada mágoa. E vai ficando cheio de cicatrizes. Alguns são tão magoados que se protegem por uma couraça. Mas estouram da mesma forma, através de terríveis somatizações, porque é impossível não transbordar.

E se temos medicamentos à vontade para as dores do corpo, nenhuma existe para a dor da alma – a mágoa.

Algumas pessoas colecionam cristais, outras, soldadinhos de chumbo. Eu coleciono mágoas. Tenho de todos os tipos, cores e tamanhos. Causadas por tantas e tão diferentes pessoas e ações.

Vivo me policiando para não magoar quem convive comigo. Engulo alguns desaforos, enfrento decepções, mas procuro não magoar. O inverso não ocorre. Às vezes tenho a impressão que as pessoas se dedicam a me magoar. Pouco se importam com minha dor. Não conhecem minha alma.

Poesia da casa – Minhas verdades

Mulher Furacão" / "Hurricane Woman" | This picture has resu… | Flickr

Eu quero me desconstruir diante de você

Mostrar um lado desconhecido e insuspeito

De pensamentos estranhos e encobertos

Guardados num canto sombrio da alma

Então você saberá quem eu sou na verdade

Porque sempre lhe foi revelado meu melhor

Diante de você eu despi minhas vaidades

Revelei minha luz, entreguei meu sorriso

Você conheceu minha bondade, minha parte gentil

E nunca sequer supôs existir essa outra face

Não soube que posso ser mesquinha e maldosa

Que posso destruir e também sei odiar

Por trás de um sorriso e uma amabilidade

Você não percebeu que poderia haver fúria,

exasperação, horror, desprezo, raiva e rancor 

Que no meio de tantos sentimentos também

Existiram outros tantos ressentimentos

Quero que agora veja como sou real

E não sonhe mais com essa perfeição idealizada

Veja meus dois lados, conheça minhas verdades.

E se não puder aceitar, então me desame…

(RP,28.06.2019)

(Imagem: banco de imagens do Google)

Dia de poesia – Perce Polegatto – Rostos

Mulher Espelho | Papo Amorístico
Para quem guardarás teu rosto?
- este mesmo que hoje claro compartilhas
com os que te sabem e também
hão de acompanhar-te pelas sombras
e mais que estranho aguarde em outras trilhas.

Para quem guardarás teu rosto?
- e a expressão possível de conquistas mais dignas
se o mesmo destino sem trégua
move a um tempo a face do anjo
e o registro das rugas benignas.

Para quem o guardarás um dia
se mesmo agora te quedas ante os restos,
os retratos e outros teus espelhos apodrecidos de esperas?
- e já não queres mais olhar-te como és
nem podes alcançar-te como eras.

(Imagem: banco de imagens Google)

Dia de poesia – Álvaro de Campos – O que há em mim é sobretudo cansaço

O que há em mim é sobretudo cansaço —

Não disto nem daquilo,

Nem sequer de tudo ou de nada:

Cansaço assim mesmo, ele mesmo,

Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,

As paixões violentas por coisa nenhuma,

Os amores intensos por o suposto em alguém,

Essas coisas todas —

Essas e o que falta nelas eternamente —;

Tudo isso faz um cansaço,

Este cansaço,

Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,

Há sem dúvida quem deseje o impossível,

Há sem dúvida quem não queira nada —

Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:

Porque eu amo infinitamente o finito,

Porque eu desejo impossivelmente o possível,

Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,

Ou até se não puder ser...

E o resultado?

Para eles a vida vivida ou sonhada,

Para eles o sonho sonhado ou vivido,

Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...

Para mim só um grande, um profundo,

E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,

Um supremíssimo cansaço,

Íssimo, íssimo, íssimo,

Cansaço...