Ainda pelo Dia dos Namorados

para hoje

 

 

No dia dos namorados

Queria uma carta de amor

Uma carta escrita com carinho

Cheia de palavras de amor

Que viesse em um papel delicado

Com letra tremida de paixão

Tinta carregada de ternura

E perfume de muita saudade

Que aquecesse meu coração

Alegrasse minha existência

E que me provocasse

Na boca um terno sorriso

Enquanto dos olhos escorresse

Uma lágrima de emoção,

Trazida com muito cuidado

No bico de um rouxinol.

Mas se não puder mandar a carta

Se não gostar de escrever

Se não tiver esse papel, nem essa tinta

Se não souber essa letra e nem tiver

De emissário um rouxinol, não faz mal

Venha então pessoalmente

Para me dizer essas palavras

Com voz de muita paixão

E nos olhos muita ternura

Nas mãos não quero flores

Nem mesmo quero presentes

De nada que há em lojas eu preciso

Quero apenas mãos trêmulas de desejo

E um abraço que mate toda essa saudade.

 

Haicais – poesia da natureza

 

 

  Cintila na noite

Riscando a escuridão

   – Lindo vagalume

 

 

                                         Caiu uma gota

                               com força outras vieram

                                     começa a chover

 

 

 

     São fortes as cores

das asas das borboletas

      – flores a voar

 

 

 

Amar (Dia de poesia, ou, dos namorados)

Não se há definir amar

e muito menos lhe impor regras.

Amar dispensa definições,

não cabe em simples verbetes.

Se a paixão é uma torrente,

o amor é um turbilhão.

A quem na vida coube amar

– dádiva divina,

também coube muito sofrer –

lágrimas que se misturam…

Se num momento se vai ao céu,

logo em seguida se desce ao inferno.

A dúvida é companheira constante,

um eterno desassossego:

é um bem-me-quer-mal-me-quer sem fim.

Ama-se no outro o que falta em si

e se espera ser completado.

Não se ama por uma razão,

amar não tem um por que.

É um sentir de tanto querer,

 um querer de muito sentir.

Sem limites, sem regras,

sem cobranças, sem lógica,

apenas amar

Hoje é dia de Poesia – Neruda

Para mi corazón basta tu pecho,
para tu libertad bastan mis alas.
Desde mi boca llegará hasta el cielo
lo que estaba dormido sobre tu alma.
Es en ti la ilusión de cada día.
Llegas como el rocío a las corolas.
Socavas el horizonte con tu ausencia.
Eternamente en fuga como la ola.
He dicho que cantabas en el viento
como los pinos y como los mástiles.
Como ellos eres alta y taciturna.
Y entristeces de pronto como un viaje.
Acogedora como un viejo camino.
Te pueblan ecos y voces nostálgicas.
Yo desperté y a veces emigran y huyen
pájaros que dormían en tu alma.

(Poema nº 12 de Veinte Peomas de amor y una cancipon desesperada – Pablo Neruda)

Um pouco de minha poesia

Quero portas abertas

Quero janelas destrancadas

A alma escancarada

A vida sem medida

Na hora em que o amor vier

Entrará sem mesmo bater

E se a paixão transbordar

O sorriso a acolherá

 

Quero brisas outonais

Que espalhem as folhas secas

Com seus ruídos do passado

Quero sol de primavera

Que me traga um cheiro de flores

E as lembranças da infância

Com gosto de doces caseiros

Feitos em fogão de lenha

 

Quero calor de verão

Sobre a areia da praia

Um mar de poucas ondas

E paz de velas bem rizadas

Quero a intensidade do inverno

Com frio na medida certa

Um bom copo de vinho

E aconchego de um abraço

 

Quero ouvir música dos anjos

No vento que me acaricia

O murmúrio suave da água

Na gotas da chuva que cai

E sentir a pele se entregar

À suavidade do sol da manhã

Comungar os dons da natureza

Partilhando a beleza de viver

 

 Quero o altivo voo das águias

Por sobre todas as cordilheiras

Quero a paz de um colibri

Quando encontra a flor buscada

Quero ouvir os sons da música

Que a andorinhas compõem nos fios

Quero escrever toda a poesia

Que só o amor pode construir

 

E, depois de viver tudo isso

Se alguém me perguntar

Como pude viver tão intensamente,

Direi pergunte à paixão, ela que me fez assim

Porque ela me fez tanto amar

E me fez assim tão feliz,

Só ela poderá responder

E ela dirá então: encontrei as portas abertas…

Portas abertas

Quero portas abertas

Quero janelas destrancadas

A alma escancarada

A vida sem medida

Na hora em que o amor vier

Entrará sem mesmo bater

E se a paixão transbordar

O sorriso a acolherá

Quero brisas outonais

Que espalhem as folhas secas

Com seus ruídos do passado

Quero sol de primavera

Que me traga um cheiro de flores

E as lembranças da infância

Com gosto de doces caseiros

Feitos em fogão de lenha

Quero calor de verão

Sobre a areia da praia

Um mar de poucas ondas

E paz de velas bem rizadas

Quero a intensidade do inverno

Com frio na medida certa

Um bom copo de vinho

E aconchego de um abraço

Quero ouvir música dos anjos

No vento que me acaricia

O murmúrio suave da água

Na gostas da chuva que cai

E sentir a pele se entregar

À suavidade do sol da manhã

Comungar os dons da natureza

Partilhando a beleza de viver

Quero o altivo voo das águias

Por sobre todas as cordilheiras

Quero a paz de um colibri

Quando encontra a flor buscada

Quero ouvir os sons da música

Que a andorinhas compõem nos fios

Quero escrever toda a poesia

Que só o amor pode construir

E, depois de viver tudo isso

Se alguém me perguntar

Como pude viver tão intensamente,

Direi pergunte à paixão, ela que me fez assim

Porque ela me fez tanto amar

E me fez assim tão feliz,

Só ela poderá responder

E ela dirá então: encontrei a porta aberta…