Se…

Se você surgisse como o sol dos meus dias

Trazendo luz e calor para aquecer minha alma

Eu poderia enxergar então uma realidade melhor

Mas você não surge, ah, meu amor, você não surge

 

Se você voasse comigo para outros mundos

Juntos conheceríamos a verdadeira felicidade

E nunca mais ficaríamos separados,

Mas você não voa comigo, meu amor, não voa comigo

 

Se você quisesse ser para sempre meu amor

E andarmos todos nossos caminhos de mãos dadas

Eu te cobriria de beijos e carinhos sempre,

Mas você não quer, meu amor, você não quer

 

Se você chegasse na minha noite de insônia

E me desse todo carinho até me adormecer

Colocaria cores e alegrias nos meus sonhos,

Mas você não chega, meu amor, você não chega

 

Se você viesse navegar comigo no meu barco

Eu te contaria todas as histórias das sereias

E te falaria o nome de todas as estrelas nas noites,

Mas você não vem, meu amor, você não vem

Dia de Poesia – Afonso Lopes Vieira – Saudades não as quero

Bateram fui abrir era a saudade

vinha para falar-me a teu respeito

entrou com um sorriso de maldade

depois sentou-se à beira do meu leito

e quis que eu lhe contasse só a metade

das dores que trago dentro do meu peito

Não mandes mais esta saudade

ouve os meus ais por caridade

ou eu então deixo esfriar esta paixão

amor podes mandar se for sincero

saudades isso não pois não as quero

Bateram novamente era o ciúme

e eu mal me apercebi de que batera

trazia o mesmo ódio do costume

e todas as intrigas que lhe deram

e vinha sem um pranto ou um queixume

saber o que as saudades me fizeram

Não mandes mais esta saudade,

ouve os meus ais por caridade,

ou eu então deixo esfriar esta paixão,

amor podes mandar se for sincero,

saudades isso não pois não as quero.

(in ‘Antologia Poética’)

Só amor

Malgrado todas as dificuldades,

tantas lágrimas e tanta angústia,

a cada dia mais doce e mais forte

esse amor resiste.

 

Sempre que fraquejamos diante da vida,

e encontramos uma força insuspeita dentro de nós,

então temos a certeza que só seguimos adiante pois

esse amor existe

 

Às dores que suporta a cada dia,

ao peso que a vida sempre impõe,

sem vacilar, nem fender, sem se ausentar,

esse amor assiste.

 

Nossos sentimentos são feitos de quase nada

e se trincam, e se partem, e se confundem

mas é na firmeza – e não em desespero, no que

esse amor consiste.

 

Quando a tristeza chega e se instala

e pensamos que já não teremos saída, vemos

adiante a luz que que nos aguarda , pois com ela

esse amor coexiste

 

Os anos passando tão rapidamente

deixam um rastro de lembranças,

e a certeza de que vale lutar, porque

esse amor insiste.

 

E no longo caminhar rumo ao destino final,

vamos com alegria e determinação, sem medo,

avançando no suceder dos dias, com a certeza que

esse amor persiste

 

E quando se acaba o dourado outono,

e se aproxima o cinza inverno da vida,

podemos seguir confiantes no futuro porque

esse amor nunca desiste.

 

 

Dia de poesia – Machado de Assis – Soneto de Natal

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Um homem, – era aquela noite amiga,

Noite cristão, berço do Nazareno, –  

Ao relembrar os dias de pequeno,

E a viva dança, e a lépida cantiga,

 

Quis transportar ao verso doce e ameno

As sensações de sua idade antiga,

Naquela mesma velha noite amiga,

Noite cristã, berço do Nazareno.

 

Escolheu o soneto… A folha branca

Pede-lhe a inspiração; mas frouxa e manca.

A pena não acode ao gesto seu.

 

E, em vão lutando contra o metro adverso,

Só lhe saiu este pequeno verso:

“Mudaria o Natal ou mudei eu?”

Nada

Nuvens sem fim, escuridão

O céu desaparece e o nada é imensidão

Luz sem vida de estrelas mortas

No âmago da inconstância

Indefinidas formas se encontram

A vida, finita por natureza

Não pode conter infinitos

Amores também nascem para morrer

Tudo o que floresce, fenece

Das correntes nos libertamos

Para nos atirarmos dos rochedos

E morrer no mar

Nada permanece, nada é eterno

Cada minuto diminui sessenta segundos de vida

Só insensatos não entendem essa realidade

A sede de viver é proporcional à consciência da morte

Certeza absoluta nesse oceano de incertezas

Quando chega um momento certo

Verdes e azuis se tornam marrons e cinzas

E até a natureza parece soçobrar

De tudo aquilo que fomos, vimos e amamos

Então nada restará