vida

Pedras runas invertidas

Seja perht ou seja ehwaz,

São o contrário da sorte

Mostram que a vida tem avesso

Se no jogo da bugalha

Conseguir passar as cinco

Não se arrisque mais na vida

Tudo pode dar errado

Mas pular amarelinha

É brincadeira de criança

Quando adulto a diversão

É gastar dinheiro à toa

Crescer é não brincar mais

Crescer é ver a vida perder o encanto

Na verdade o castigo da humanidade

Foi crescer e se tornar adulto na vida

A realidade fica cinzenta

A esperança vai-se esgarçando

Tudo vira um perigo

Nada mais é espontâneo

Quando criança se chora

Até pela bolinha de gude perdida

Quando adulto não se chora

Mesmo que o amor se vá embora

Adulto descobre disfarces

Para não ser censurado

Sorri com a alma chorando

Não mostra a ferida que sangra

Não brinca, não corre, não dança

Disfarça a dor que o destrói

Da mesma forma que as gotas da chuva

Tornam seu pranto invisível

Conversa com meu avô – nª 07

 

Olá, vô, não reclama que demorei, o senhor tem visto tudo o que estamos passando e como o tempo não tem rendido nada aqui. Mas se não venho conversar um pouquinho não significa que não tenha muita vontade de vir ou que esqueci do senhor.

Vamos lá, fazer nossas atualizações políticas…

Então, é isso mesmo, o luis da silva continua preso. Quer dizer, continua ocupando dependências de luxo na superintendência da polícia federal de Curitiba, porque não aparece um corajoso para enviá-lo para o sistema, com calça amarela, cabeça raspada e seguindo regras.

O cara está lá numa boa, com namorada, esteira, internet e tudo o mais e ainda dizem que está preso.

Vamos ver se o TRF-4 solta logo a segunda condenação e vai agravando a situação do crápula.

E lá no congresso, vô, que situação mais nojenta! Estamos no dia 01 de julho e aquele bando de parasitas ganhou salários nababescos e não trabalhou um dia sequer em 2019. Apenas ficam tentando atrapalhar um governo que luta para tirar o país do lamaçal da corrupção.

Agora o Presidente da República esteve na reunião do G20 e conseguiu assinar um acordo que vem sendo tentado, costurado e adiado há uns 20 anos. Nenhum presidente conseguiu celebrar esse acordo entre o mercosul e a união europeia.

Pois é, nosso atual Presidente firmou. A médio prazo será uma alavancada excepcional para a economia – do Brasil e dos outros países integrantes do mercosul.

Claro que o senhor não leu nos jornais que isso é positivo, que foi ótimo para o país. A imprensa é encardida, vô, já falei para o senhor que é perda de tempo ler essas porcarias que se autodenominam jornais, mas não passam de exercício panfletário de elogio à esquerda, ao que há de mais atrasado, radical e violento no mundo.

Agora os empresários brasileiros terão de se virar para se desenvolver. Contratar engenheiros (que lotam as vagas de motoristas de uber, por absoluta falta de emprego no país) para colocarem suas empresas no rumo da competitividade a nível mundial. Acabou a reserva de mercado para produtos mal feitos e inadequados. Como diziam os portugueses, vai vigorar o “quem não tem competência, que não se estabeleça”.

Se tivermos produtos de primeira linha fabricados no Brasil, é óbvio que daremos preferência a eles. E eles terão condições de competir lá fora com produtos de outros países. Essa é a economia verdadeira, todos produzindo, gerando empregos e fazendo circular a riqueza. Comprar papel não será mais tão atraente.

É muito perigoso que esse acordo dê certo e tire o país da rota do atraso, por isso incomodou tanto a esquerda, que precisa de pobreza e ignorância para se sustentar.

E ontem, vô, que dia emocionante! O senhor viu as manifestações em todo o país? Um onda verde-e-amarelo tomou as ruas, avenidas e praças. O povo – milhões de pessoas – cantou o Hino Nacional com lágrimas nos olhos, verdadeiros patriotas, que mostraram apoio ao Presidente da República, ao Ministro da Justiça (aquele Juiz de Direito que teve a coragem de dar partida na maior operação de caça a corruptos já vista no mundo, e que agora é Ministro de Justiça, e um jornalista inglês, marido de um deputado federal não eleito pelo RJ, mas que herdou o cargo pela suplência, é, vô, O jornalista é maridO dO deputadO, ou O deputadO é marido dO jornalista, agora é comum, vô, deixa isso prá lá que esse assunto é bananeira que já deu cacho – esse jornalista tentou dar uma de esperto de derrubar o Ministro, mas o plano não deu certo).

As manifestações também pediram uma faxina no Congresso – os presidentes das duas casas são ignóbeis, assim como a maioria dos parlamentares – e ainda no STF. Não dá mais para o país continuar com essa corte desse jeito.

E, de quebra, apoio às reformas legais – lei da previdência e derrubar o estatuto do desarmamento, que sempre foi contra a vontade da população.

Foi bonito, vô, foi muito bonito. Tudo verde-e-amarelo. Muitas bandeiras do Brasil. Ninguém com bandeiras de partidos políticos nem trapo vermelho do sangue dos inocentes. Era o Brasil nas ruas. Foi lindo…

Se vai dar resultado? Volto aqui para contar, me aguarde!

Que imagem!

Santo Sudário

          

                  O Santo Sudário é uma peça de linho confeccionado em tear manual rudimentar, mas com acabamento cuidadoso, no qual as linhas horizontais passam por três linhas verticais e por baixo de uma em uma formação de zigue-zague chamada “espinha de peixe”. Apesar desse padrão só ter aparecido na Europa no século XVI, já era fabricado em países do oriente como Egito e Síria. 

                   Por não haver vestígios de outro tipo de fibra, como a lã, acredita-se que o tear pertencia ao ambiente judaico onde a mistura de fios era proibida. Além disso, a medida coincide com as dimensões do chamado cúbito sírio, utilizado pelos judeus no século I d.C. O lençol mede exatamente 8 X 2 cúbitos sírios, ou seja, 44,41 metros por 1,13. 

                   O Sudário contém a imagem de um corpo, frente e costas. Nota-se que metade do tecido ficava embaixo do corpo enquanto a outra teria passado sobre a cabeça e cobria a parte frontal. 

                   Ao longo do Sudário encontram-se diversas manchas vermelhas. Ao serem analisadas, demonstraram ser sangue humano do tipo AB, raro entre europeus, mas comum em judeus. Com as análises, os cientistas comprovaram que o corpo esteve em contato com o lençol durante um período de 30 a 40 horas, encontraram cromossomos X e Y, componentes do DNA masculino, e constataram a presença de bilirrubina, substância cicatrizante produzida pelo fígado a partir dos glóbulos vermelhos, quando o corpo é gravemente traumatizado. 

                   O contato entre o corpo e o lençol se interrompeu sem provocar a mínima alteração nas manchas de sangue, fato que não possui explicação. 

                   Entre as fibras do tecido também foram encontrados 77 tipos de pólen, sendo que metade deles pertence a plantas que só crescem na Palestina, material terroso cuja composição é idêntica ao solo encontrado em grutas de Jerusalém. 

                   Em meio às partículas de pó extraídas do Sudário, foram identificadas aloés e mirra, substâncias aromáticas usadas na antiguidade e um composto denominado Natrom, utilizado na Palestina para desidratar cadáveres em um processo similar ao da mumificação egípcia. 

                   Em 1898 percebeu-se que a imagem impressa no tecido é mais visível num negativo fotográfico do que a olho nu, quando Secondo Pia tirou a primeira fotografia do lençol. Esse registro passou a intrigar cientistas e iniciou-se uma intensa polêmica sobre a origem do Sudário e a identidade da pessoa retratada. 

                   Engenheiros da Nasa submeteram um foto do Sudário ao analisador de imagens VP8, projetado para reconstruir o relevo dos planetas a partir de fotos enviadas por satélites. O resultado foi a imagem do corpo tridimensional, ao contrário do que acontece em uma foto comum. 

                   Mesmo após inúmeros testes não se sabe como a imagem foi produzida e se mantém no tecido há tanto tempo. Aparentemente as dúvidas crescem a cada especulação.

(LeCristo. Julho 2010)

Dúvidas? a fé não admite dúvidas, isso é para cientistas e investigadores da história. Para quem crê não é preciso provas materiais da existência de Cristo. Ele esteve entre nós e nos deixou um imenso legado de amor e de busca pela paz. Isso basta.

Mãos

 

Busco suas mãos.

Eu as busco no conhecido e no desconhecido. No finito e no infinito. Na tristeza e na alegria.

Se tenho de atravessar um lindo campo, florido e iluminado, busco suas mãos. Para que você venha comigo, aproveitar desse momento único. Se estou em perigo, sem enxergar, correndo riscos, são elas que procuro para ter força e coragem, pois nelas eu confio.

Ao longo dessa vida busco suas mãos. Para todos os momentos. Para que guiem, sustentem, toquem e acariciem. Da mesma forma as buscarei no infinito, porque a morte não é o fim de um amor. O infinito é logo ali, fica atrás da cortina dessa existência, e lá estaremos juntos – um dará ao outro a mão na hora de atravessar o espelho.

Na tristeza só quero suas mãos. Quero suas mãos me afagando os cabelos, me abraçando e me fazendo acreditar que tudo vai passar. E, quando a alegria dominar novamente, serão suas mãos que buscarei, para nos tocarmos com paixão, e nos completarmos levando à comunhão das almas todo o aconchego que nossas mãos já deram aos corpos.

Por isso busco suas mãos. Hoje, aqui, amanhã, aí, antes, sempre e depois.

Busco suas mãos. Dê-me suas mãos. E vamos juntos conhecer a felicidade de amar.

Maravilhosa Praga

 

 

 

OK, respondo novamente, mas já publico e respondo aqui, de uma vez: 

A foto foi, sim, tirada em um restaurante de Praga, República Tcheca, há alguns bons pares de anos, na verdade, algumas décadas atrás. 

Estava tomando a genuína pilsen, em seu próprio berço – e pedi o copo pequeno, porque não sou muito de cerveja e nem fazia assim tanto calor, cerveja para mim é bebida de praia, de preferência em boa companhia. 

Mas, voltando à foto, foi uma viagem maravilhosa, eu sempre quis ir a Praga. Era um desejo recorrente. 

Eram livros de estórias e histórias que se passavam em Praga, cada vez que me caía um nas mãos sonhava mais e mais ir até lá. Eram filmes feitos na antiga Tchecolosváquia. E os vírus do turista profissional se multiplicando. 

Daí li A Insustentável Leveza do Ser. E quis mais ainda ir a Praga. 

Aí assisti Kolya. E delirei – se não fosse a Praga teria ataques de lombriga, chiliques e piripaques… só esperei a queda do comunismo, o que só veio a ocorrer em 1989, quando a  então Checoslováquia teve de volta a liberdade, através da “Revolução de Veludo“. Era a deixa para eu ir… E não fiz por esperar.

Até que… FUI À PRAGA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! 

E não me decepcionei em nada. Era até mais do que eu sempre esperei. 

Estive em lugares que só se tornaram real porque fui lá, vi, ao vivo e em cores, esses locais que  povoavam um rico imaginário que é próprio de quem gosta de ler: 

Katedrála svatého Vítaa maravilhosa e antiga igreja; Pražský hrad , o famoso Castelo de Praga; Pražský orloj, o relógio astronômico medieval,em  rua central, diante do qual multidões param  esperando seus movimentos; Obecní dům – o notável prédio da Câmara Municipal, estilo Art Nouveau –  Vltava, o rio que corta Praga e sua Ponte Carlos; Mala Strana e sua roda d’água, bairro incrivelmente típico, peculiar, muito usado para filmagens;   –  Staroměstské náměstí, a velha Torre…, foram tantas as maravilhas que fica difícil enumerar aqui.  

Vi um grau de civilização bem mais elevado que o nosso aqui, do Brasilsão velho de guerra! 

Vi a temida polícia de preto, resquício dos anos de chumbo. 

Um povo que se redescobre a cada dia, mostra sua alegria de viver, seu empenho em ter a Pátria grande e respeitada, em ver a verdadeira democracia reinar absoluta. 

Vi os telhados vermelhos de Praga e constatei que realmente os telhados em Praga são vermelhos. 

Vi, ainda, a imagem original do Menino Jesus de Praga, que lá é chamado de Deus Menino, vi restos de guerra e, acima de tudo, vi os cristais mais lindos que poderia imaginar.

E ouvi a língua mais esquisita que poderia haver, aprendendo o básico para ser gentil e bem aceita pelos nativos. Mas reconheço, essa é difícil de verdade, não tem nenhum nexo com qualquer língua conhecida.

Imagino como se sentiam os navegadores e exploradores quando se deparavam com populações nativas falando línguas e dialetos absurdamente ininteligíveis. Mas, é claro, pequeno detalhe que em nada embaçou o prazer da viagem. 

Quase não voltei, porque lá estava muito bom, muito bom mesmo. Mas chegou a hora e o avião decolou… 

Quem sabe um dia volto para lá…

 

Tempo

Fiz um acordo de coexistência pacífica com o tempo: Nem ele me persegue, nem eu fujo dele, um dia a gente se encontra. (Mário Lago)

 

Há tantos mistérios na vida…

Por exemplo: em que momento, na noite que antecede o dia do aniversário, que se fica mais velho?

Vai-se dormir com uma idade e se acorda no dia seguinte com outra idade. Quando acontece essa nova idade?

Uma noite se vai dormir adolescente, com dezessete anos, no dia seguinte se acorda adulto, responsável, passível de prisão, podendo tirar a habilitação. Mágica essa noite que antecede o dia do aniversário, certo?

E não tem volta.

Um dia se vai dormir jovem com vinte e nove anos e no dia seguinte se amanhece com trinta anos – terrível para as mulheres.

O mesmo quando se passa dos trinta e nove para os quarenta anos – e parece que todo mundo fica sabendo, porque em todo lugar se começa a ser tratada por senhora…

Em algum lugar o tempo tem de reverter, porque não dá para ir sempre adiante, não existe isso. Será que algum dia alcançaremos esse ângulo que dá o caminho de volta, e os aniversários serão contados para trás – com reversão física, na aparência, recuperando a juventude ida e perdida?

Ou de repente saímos desse círculo então estaremos sempre caminhando em linha reta até atingir um fim?

E o pior é esse seguir adiante, envelhecendo um pouco a cada dia e um ano na fatídica noite que traz o dia do aniversário?

E hoje me pergunto: onde e quando perdi a alegria da véspera do aniversário, e ainda mais aquela do próprio dia, que, se eu pudesse, certamente eu o tiraria do calendário?

Ficou esquecida em algum canto da vida, caída, por certo, do pacote das ilusões, que se foram perdendo ao longo de todos esses anos.