Felicidade

Tenho certeza que a felicidade está chegando. Há tanto ela se foi, que já é hora de estar voltando. E há de chegar logo aqui.

Todas as portas estarão abertas. Ela entrará sem pedir licença, apenas surgindo aqui da mesma forma que um dia se foi sem se despedir. Vamos brindar dias e dias, noite após noite. Embriagados por todo esse sentimento, dançaremos e cantaremos a alegria da volta da felicidade.

Faz tanto tempo que ela foi embora, não disse que era para sempre nem que demoraria tanto a regressar a nossa casa. E ficamos esperando, a cada dia, a cada hora. E a espera foi tanta que até nos esquecemos como é viver com felicidade. Fomos, aos poucos, nos acostumando a viver sem ela. E nem notamos como nossa vida se acinzentou na tristeza que tomou todos os espaços deixados para trás pela felicidade.

A saudade da felicidade se tornou angústia e depois esquecimento.

Mas agora eu sei que ela está voltando. Já sinto sua vinda, ao longe, porque as luzes estão mais claras, as cores mais nítidas, o coração sobressaltado, derramando adrenalina a cada toque do telefone, a cada alarme de mensagem. Eu sei, tenho certeza, é a felicidade que está voltando.

A tristeza ainda tenta se agarrar a cada pedacinho de mim, como se avisasse que não me deixará jamais. Ela até pode ficar, mas ocupar apenas seu pequeno espaço do meu mundo, porque quando a felicidade chegar, vai inundar meu ser, todos os poros, todas as células e moléculas. E eu serei a própria imagem da felicidade.

A felicidade sempre volta. Basta esperarmos e nos abrirmos para sua chegada.

Da paixão

 

As tempestades não duram a eternidade. Assustam, destroem, mudam a paisagem, mas passam. Nada – nem ninguém – tem o poder de deter o vento. É uma das manifestações da natureza mais assustadora que existe.

Da mais suave e agradável brisa, até as grandes tormentas, furacão, ciclone, tornado, tufão… o homem, em toda sua arrogância, ainda não descobriu como amainar o vento. Não evoluiu nada em relação aos primatas das cavernas que temiam a natureza e não a entendiam. Hoje sabemos tudo sobre a natureza, menos como conviver harmonicamente com ela. Conseguem até prever a intensidade dos ventos, sua trajetória e seu potencial destruidor. Mas não passa disso. E a humanidade continua enfrentando e temendo vendavais.

Mas chega um momento em que o vento se vai. Para onde? Não sei. Como não sei de onde veio tanta fúria, tanto arrebatamento. Ele vai ganhando força. Vai tomando tudo, dominando, carregando, destruindo… de repente, passou! Vamos ver os estragos e tentar recuperar as perdas.

Assim é uma tempestade: surge do nada, de um lindo céu claro, do mais profundo azul. Nuvens brancas e fofas, de algodão, tudo paz. Do nada, do mais completo nada, uma brisa se torna vento. Esse vento se fortalece, alimentado sabe-se lá do quê, e começa a tempestade. Que, por mais assustadora, é, paradoxalmente, fascinante. Nada mais lindo que o vento dobrando árvores, raios marcando o céu, nuvens passando apressadamente para chegarem a lugar nenhum.

Em um momento, tudo se assossega. E volta a calma, o domínio, cada coisa recupera seu lugar, tudo retoma à anterior normalidade, como se nunca tivesse existido essa tormenta.

Assim é a paixão.

Chega como uma brisa. Mas toma força de vento. E venta. E arrebenta reservas, comportas e janelas. E se torna mais forte, como um furacão remexeu todos os cantos de cada ser. Derruba conceitos e telhados. Abala bases e alicerces. Revirando tudo o que havia dentro da alma.

De uma simples palavra, de um gesto banal, um sentimento que é menos que uma brisa, toma o peito de assalto, torna-se um temporal indomável, domina o pensamento, o sentimento, o querer, e faz querer viver.

Mas passa. E faz querer morrer. Faz-se, então, o rescaldo e para ver o que sobrou dentro do peito, o que ainda resiste. Porque tanta ternura se perdeu, que nunca mais poderá ser recuperada.

É hora de se separar cacos de peças recuperáveis. Tentar remontar um bem-querer para ter algo, ainda, a oferecer, ou a perder na próxima tempestade. Que virá. E de novo fará bagunça, misturando sentimentos, destruindo o que parecia forte e resistente. Mas também passará… a capacidade de se apaixonar de novo é admirável.

Toda a dor é esquecida e se fica pronto para o novo arrebatamento, da mesma forma que a natureza se recupera e perde a memória do vento antes da próxima tempestade.

A paixão é a tormenta da alma.

Brilhos da noite

Final de tarde. As lâmpadas da praça se acendem. Automaticamente.

Para onde foram os acendedores de lampiões? Será que estão jogados em pátios de materiais obsoletos descartados, juntamente com os lampiões?

Quando o céu perde toda a luminosidade do dia, a lua acende as estrelas – muito, muito antes dos obsoletos e descartados lampiões, a lua já acendia as estrelas. Desde sempre, quando anoitece, a lua vem com um pacote de pirilampos, e os solta no veludo escuro do céu noturno. 

Se estivessem mais perto das destruidoras mãos humanas, já não mais existiriam – nem lua nem estrelas. Teriam sido substituídas pelas aberrações criadas por mentes perversas, que pensam substituir a natureza com plásticos e sintéticos.

As noites já não são as mesmas – não se ouvem corujas nem grilos. Só se ouvem gritos, sirenes e tiros. Vagalumes ou pirilampos? Nem se sabe mais o que é isso. Os pisca-piscas hoje são artificias, neon, led e outras bobagens, que somam montanhas de lixo pelo mundo afora. É tanta luz artificial, que as estrelas não brilham.

Saudosismo? Não. Apenas vontade de ver estrelas brilhando

E disse Fernando Pessoa:

Tenho dó das estrelas
Luzindo há tanto tempo,
Há tanto tempo…
Tenho dó delas.
Não haverá um cansaço
Das coisas,
De todas as coisas
Como das pernas ou de um braço?
Um cansaço de existir,
De ser,
Só de ser,
O ser triste brilhar ou sorrir…
Não haverá, enfim,
Para as coisas que são,
Não morte, mas sim
Uma outra espécie de fim,
Ou uma grande razão –
Qualquer coisa assim
Como um perdão?

 

vida

Pedras runas invertidas

Seja perht ou seja ehwaz,

São o contrário da sorte

Mostram que a vida tem avesso

Se no jogo da bugalha

Conseguir passar as cinco

Não se arrisque mais na vida

Tudo pode dar errado

Mas pular amarelinha

É brincadeira de criança

Quando adulto a diversão

É gastar dinheiro à toa

Crescer é não brincar mais

Crescer é ver a vida perder o encanto

Na verdade o castigo da humanidade

Foi crescer e se tornar adulto na vida

A realidade fica cinzenta

A esperança vai-se esgarçando

Tudo vira um perigo

Nada mais é espontâneo

Quando criança se chora

Até pela bolinha de gude perdida

Quando adulto não se chora

Mesmo que o amor se vá embora

Adulto descobre disfarces

Para não ser censurado

Sorri com a alma chorando

Não mostra a ferida que sangra

Não brinca, não corre, não dança

Disfarça a dor que o destrói

Da mesma forma que as gotas da chuva

Tornam seu pranto invisível

Conversa com meu avô – nª 07

 

Olá, vô, não reclama que demorei, o senhor tem visto tudo o que estamos passando e como o tempo não tem rendido nada aqui. Mas se não venho conversar um pouquinho não significa que não tenha muita vontade de vir ou que esqueci do senhor.

Vamos lá, fazer nossas atualizações políticas…

Então, é isso mesmo, o luis da silva continua preso. Quer dizer, continua ocupando dependências de luxo na superintendência da polícia federal de Curitiba, porque não aparece um corajoso para enviá-lo para o sistema, com calça amarela, cabeça raspada e seguindo regras.

O cara está lá numa boa, com namorada, esteira, internet e tudo o mais e ainda dizem que está preso.

Vamos ver se o TRF-4 solta logo a segunda condenação e vai agravando a situação do crápula.

E lá no congresso, vô, que situação mais nojenta! Estamos no dia 01 de julho e aquele bando de parasitas ganhou salários nababescos e não trabalhou um dia sequer em 2019. Apenas ficam tentando atrapalhar um governo que luta para tirar o país do lamaçal da corrupção.

Agora o Presidente da República esteve na reunião do G20 e conseguiu assinar um acordo que vem sendo tentado, costurado e adiado há uns 20 anos. Nenhum presidente conseguiu celebrar esse acordo entre o mercosul e a união europeia.

Pois é, nosso atual Presidente firmou. A médio prazo será uma alavancada excepcional para a economia – do Brasil e dos outros países integrantes do mercosul.

Claro que o senhor não leu nos jornais que isso é positivo, que foi ótimo para o país. A imprensa é encardida, vô, já falei para o senhor que é perda de tempo ler essas porcarias que se autodenominam jornais, mas não passam de exercício panfletário de elogio à esquerda, ao que há de mais atrasado, radical e violento no mundo.

Agora os empresários brasileiros terão de se virar para se desenvolver. Contratar engenheiros (que lotam as vagas de motoristas de uber, por absoluta falta de emprego no país) para colocarem suas empresas no rumo da competitividade a nível mundial. Acabou a reserva de mercado para produtos mal feitos e inadequados. Como diziam os portugueses, vai vigorar o “quem não tem competência, que não se estabeleça”.

Se tivermos produtos de primeira linha fabricados no Brasil, é óbvio que daremos preferência a eles. E eles terão condições de competir lá fora com produtos de outros países. Essa é a economia verdadeira, todos produzindo, gerando empregos e fazendo circular a riqueza. Comprar papel não será mais tão atraente.

É muito perigoso que esse acordo dê certo e tire o país da rota do atraso, por isso incomodou tanto a esquerda, que precisa de pobreza e ignorância para se sustentar.

E ontem, vô, que dia emocionante! O senhor viu as manifestações em todo o país? Um onda verde-e-amarelo tomou as ruas, avenidas e praças. O povo – milhões de pessoas – cantou o Hino Nacional com lágrimas nos olhos, verdadeiros patriotas, que mostraram apoio ao Presidente da República, ao Ministro da Justiça (aquele Juiz de Direito que teve a coragem de dar partida na maior operação de caça a corruptos já vista no mundo, e que agora é Ministro de Justiça, e um jornalista inglês, marido de um deputado federal não eleito pelo RJ, mas que herdou o cargo pela suplência, é, vô, O jornalista é maridO dO deputadO, ou O deputadO é marido dO jornalista, agora é comum, vô, deixa isso prá lá que esse assunto é bananeira que já deu cacho – esse jornalista tentou dar uma de esperto de derrubar o Ministro, mas o plano não deu certo).

As manifestações também pediram uma faxina no Congresso – os presidentes das duas casas são ignóbeis, assim como a maioria dos parlamentares – e ainda no STF. Não dá mais para o país continuar com essa corte desse jeito.

E, de quebra, apoio às reformas legais – lei da previdência e derrubar o estatuto do desarmamento, que sempre foi contra a vontade da população.

Foi bonito, vô, foi muito bonito. Tudo verde-e-amarelo. Muitas bandeiras do Brasil. Ninguém com bandeiras de partidos políticos nem trapo vermelho do sangue dos inocentes. Era o Brasil nas ruas. Foi lindo…

Se vai dar resultado? Volto aqui para contar, me aguarde!

Que imagem!

Santo Sudário

          

                  O Santo Sudário é uma peça de linho confeccionado em tear manual rudimentar, mas com acabamento cuidadoso, no qual as linhas horizontais passam por três linhas verticais e por baixo de uma em uma formação de zigue-zague chamada “espinha de peixe”. Apesar desse padrão só ter aparecido na Europa no século XVI, já era fabricado em países do oriente como Egito e Síria. 

                   Por não haver vestígios de outro tipo de fibra, como a lã, acredita-se que o tear pertencia ao ambiente judaico onde a mistura de fios era proibida. Além disso, a medida coincide com as dimensões do chamado cúbito sírio, utilizado pelos judeus no século I d.C. O lençol mede exatamente 8 X 2 cúbitos sírios, ou seja, 44,41 metros por 1,13. 

                   O Sudário contém a imagem de um corpo, frente e costas. Nota-se que metade do tecido ficava embaixo do corpo enquanto a outra teria passado sobre a cabeça e cobria a parte frontal. 

                   Ao longo do Sudário encontram-se diversas manchas vermelhas. Ao serem analisadas, demonstraram ser sangue humano do tipo AB, raro entre europeus, mas comum em judeus. Com as análises, os cientistas comprovaram que o corpo esteve em contato com o lençol durante um período de 30 a 40 horas, encontraram cromossomos X e Y, componentes do DNA masculino, e constataram a presença de bilirrubina, substância cicatrizante produzida pelo fígado a partir dos glóbulos vermelhos, quando o corpo é gravemente traumatizado. 

                   O contato entre o corpo e o lençol se interrompeu sem provocar a mínima alteração nas manchas de sangue, fato que não possui explicação. 

                   Entre as fibras do tecido também foram encontrados 77 tipos de pólen, sendo que metade deles pertence a plantas que só crescem na Palestina, material terroso cuja composição é idêntica ao solo encontrado em grutas de Jerusalém. 

                   Em meio às partículas de pó extraídas do Sudário, foram identificadas aloés e mirra, substâncias aromáticas usadas na antiguidade e um composto denominado Natrom, utilizado na Palestina para desidratar cadáveres em um processo similar ao da mumificação egípcia. 

                   Em 1898 percebeu-se que a imagem impressa no tecido é mais visível num negativo fotográfico do que a olho nu, quando Secondo Pia tirou a primeira fotografia do lençol. Esse registro passou a intrigar cientistas e iniciou-se uma intensa polêmica sobre a origem do Sudário e a identidade da pessoa retratada. 

                   Engenheiros da Nasa submeteram um foto do Sudário ao analisador de imagens VP8, projetado para reconstruir o relevo dos planetas a partir de fotos enviadas por satélites. O resultado foi a imagem do corpo tridimensional, ao contrário do que acontece em uma foto comum. 

                   Mesmo após inúmeros testes não se sabe como a imagem foi produzida e se mantém no tecido há tanto tempo. Aparentemente as dúvidas crescem a cada especulação.

(LeCristo. Julho 2010)

Dúvidas? a fé não admite dúvidas, isso é para cientistas e investigadores da história. Para quem crê não é preciso provas materiais da existência de Cristo. Ele esteve entre nós e nos deixou um imenso legado de amor e de busca pela paz. Isso basta.

Mãos

 

Busco suas mãos.

Eu as busco no conhecido e no desconhecido. No finito e no infinito. Na tristeza e na alegria.

Se tenho de atravessar um lindo campo, florido e iluminado, busco suas mãos. Para que você venha comigo, aproveitar desse momento único. Se estou em perigo, sem enxergar, correndo riscos, são elas que procuro para ter força e coragem, pois nelas eu confio.

Ao longo dessa vida busco suas mãos. Para todos os momentos. Para que guiem, sustentem, toquem e acariciem. Da mesma forma as buscarei no infinito, porque a morte não é o fim de um amor. O infinito é logo ali, fica atrás da cortina dessa existência, e lá estaremos juntos – um dará ao outro a mão na hora de atravessar o espelho.

Na tristeza só quero suas mãos. Quero suas mãos me afagando os cabelos, me abraçando e me fazendo acreditar que tudo vai passar. E, quando a alegria dominar novamente, serão suas mãos que buscarei, para nos tocarmos com paixão, e nos completarmos levando à comunhão das almas todo o aconchego que nossas mãos já deram aos corpos.

Por isso busco suas mãos. Hoje, aqui, amanhã, aí, antes, sempre e depois.

Busco suas mãos. Dê-me suas mãos. E vamos juntos conhecer a felicidade de amar.