Tempestades

Dia calmo, brisa leve, céu azul

Um silêncio de paz e harmonia no ar

Natureza perfeita, mas não previsível

Subitamente a brisa se encorpa

Vem o vento e depois o vendaval

Nada mais está no lugar de origem

Tudo voa, tudo quebra, tudo se vai

Vêm os estrondos, vêm os raios

E cai a chuva. Torrencial.

Tudo escurece. Nada mais existe.

Amor calmo, paixão ardente, alegria

Um arrebatamento de felicidade no ar

Vida perfeita, mas não previsível.

Subitamente algo se rompe

Vem a separação e depois a distância

Tudo é pranto, tudo quebra, tudo se vai

Vêm o desespero, vêm a tristeza

Escorrem as lágrimas. Torrenciais.

Tudo escurece. Nada mais existe.

Dia de Poesia – Vinicius de Moraes – Ternura

Quando bate a saudade dolorida, quando a tristeza embaça o encanto, só nos resta o grande Poetinha…

Eu te peço perdão por te amar de repente

Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos


Das horas que passei à sombra dos teus gestos


Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos




Das noites que vivi acalentado


Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo


Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.


E posso te dizer que o grande afeto que te deixo




Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas


Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...


É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias




E só te pede que te repouses quieta, muito quieta


E deixes que as mãos cálidas da noite


encontrem sem fatalidade o olhar extático da aurora.

(Imagem – banco de imagens Google)

Texto de Angela Caboz, in Confissões da miúda gira

Queria-te tanto.

Sim queria tanto, que o único caminho livre que escontrei foi esquecer-te. Apagar-te para sempre do passado que não queria lembrar.

Por isso, resolvi aproveitar todo o meu tempo livre para voar. Ganhei asas e fui em busca de outros sonhos, em busca de outros braços para abraçar.

De repente tu já não tinhas a dimensão do meu sonho. Tive que pedir ao tempo para me emprestar horas para te esquecer.

Queria-te tanto que já não conseguia medir esse amor. Não existiam em mim kilometros suficientes para alcançar a paixão que tinha ficado esquecida no passado.

E, na dúvida, deixei o tempo continuar o seu percurso.

Tu tinhas deixado de ser o ponteiro certo para o meu relógio e era tempo de acertar o meu fuso horário. As horas passariam a ser o que eu quisesse fazer com elas. Tinha todo o tempo do mundo para te esquecer. (…)

(Imagem: acompanha o texto original do blog citado)

Saudade

– Quando foi a última vez que você deu aquela gargalhada solta, contagiante?

– E quando foi a última vez que você deu uma risada?

– Mas me diz: quando foi a última vez que você sorriu de verdade?

– Agora me responde: quando foi a última vez que você chorou de saudade?

Então, ela levantou o rosto, olhou para mim, e lágrimas rolavam de seus olhos…

(Imagem: banco de imagens Google)