Categoria: DeAlice
Poesia da casa – Anoitece

Quando o dia se esvai, tudo é silêncio,
e a noite, suave, traz a lua e seu encanto,
na hora em que nada mais se espera,
penso em tudo enquanto penso em nada;
eu me recolho no vazio de minha alma,
para deixar fluir toda essa ternura
e sonhar que não há tristezas na vida
e ter a certeza de que estamos juntos.
Que vontade eu sinto de você,
que saudade eu sinto de nós dois;
venha me tocar do jeito que só você me tocou,
venha me falar as palavras que só você já falou,
venha, meu amor, ser meu ninho e serei seu aconchego,
Venha me amar da forma que nunca ninguém me amou.
(Imagem: Banco de imagens Google)
Dia de Poesia – Soninha Porto – Canção

traga-me você em canção
dance comigo
alivie-me do peso do mundo
embale e desabroche meus sentidos
cale sinuoso o grito do meu corpo
ocupe este coração sofrido
pegue-me em seus braços
– não, não, sem sufocar-me
leve-me ao som da branda melodia
e viaje inteiro dentro de mim
(Imagem: Banco de imagens Pixabay)
Haicais – Poesia da natureza

Cintila na noite
Riscando a escuridão
– Lindo vagalume

Caiu uma gota
com força outras vieram
começa a chover

São fortes as cores
das asas das borboletas
– flores a voar
Para ninar o coração
Memória – O tempo não passa

Nessa hora morta entre o final da tarde e o anoitecer, o dia já se foi, mas a noite ainda não chegou. Hora de saudade doer, de ansiedade surgir, de fazer um balanço do dia – e sempre o resultado é negativo.
Dizem: “anoiteceu, acabou o dia, o tempo passa rápido…”. Não, isso não é verdade.
Nós passamos e o tempo fica, ainda que os homens acreditem que o tempo é que passa. Não, o tempo fica.
Todos os dias amanhece, entardece e anoitece. Igualmente.
Não há dia nem noite envelhecidos, nem de cabelos brancos, nem alquebrados.
Podem ser chuvosos ou luminosos. Nublados ou ensolarados. Mas com vida. Sempre. O tempo não se cansa. Não se desgasta. Apenas existe.
Enquanto a humanidade envelhece, apodrece, se torna incômoda.
Os homens passam, as gerações se findam, ninguém mais se lembra de quem estava aqui há cinquenta anos atrás.
Mas todos sabem como foi o dia de hoje há cem anos atrás: amanheceu, entardeceu e anoiteceu. Com ou sem sol. Com ou sem lua. Mas estava aí, exatamente como o dia de hoje.
O tempo não é cruel. Cruel é a vida, que nos açoita continuamente. Cruéis são os sonhos, que nos iludem e nos decepcionam porque não se realizam.
Cruel é apaixonar-se e ficar sofrendo em solidão aguda.
Cruel é a fragilidade do corpo humano.
O tempo, ah, o tempo é indiferente às misérias dos homens. Apenas se limita a assistir a batalha diária dessas criaturas insignificantes diante da grandeza da eternidade.
(Imagem: Banco de Imagens do Google)