
A mais recente coautoria em antologia… todos estão convidados para o lançamento online
Blog de de Alice – Alinhavando letras
A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –

A mais recente coautoria em antologia… todos estão convidados para o lançamento online

Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigada
E triste, e triste e fatigado eu vinha.
Tinhas a alma de sonhos povoada,
E alma de sonhos povoada eu tinha…
E paramos de súbito na estrada
Da vida: longos anos, presa à minha
A tua mão, a vista deslumbrada
Tive da luz que teu olhar continha.
Hoje segues de novo… Na partida
Nem o pranto os teus olhos umedece,
Nem te comove a dor da despedida.
E eu, solitário, volto a face, e tremo,
Vendo o teu vulto que desaparece
Na extrema curva do caminho extremo.
(Imagem – banco de imagens Google)

Voo cego – solidão não é liberdade
Abismos esperam o passo em falso
Precipícios da alma, escuridão no dia claro
As flores se despetalaram ao vento
A vida se desfez em um breve instante
O que era já não está mais
O que existia não mais acontece
Tudo é nuvem que se desfaz e desaparece
Não é mais preciso remar – viver à deriva
Que a vida não vale a pena ser vivida
Rochedos esperam depois da curva
Fechando de vez o caminho incerto
Já não há para onde ir
A noite cai em uma vida inútil
E então, finalmente, sem sofrimento,
Sem lágrimas, sem dores – em paz,
Alma e corpo irão descansar –
Flutuar na eternidade
(Imagem: banco de imagens Google)
Era um mar
Um grande e sereno mar
Um leve balanço
E uma imensidão
E era um rochedo
Ancorado no meio do mar
À espera de marinheiros incautos
Um porto ou um perigo?
Um descanso ou ameaça?
Um lugar para chegar
Ou de onde se fugir?
E era um amor
Um grande e sereno amor
Uma promessa de calma
E uma esperança
E era uma paixão
Ancorada no meio da vida
À espera de amantes incautos
Um porto ou um perigo?
Um descanso ou ameaça?
Um lugar para chegar
Ou de onde se fugir?
(Imagem: banco de imagens Google)
Foi um vendaval – um forte e quente vento de verão Que se aproveitou de uma janela esquecida aberta E subitamente adentrou neste velho coração E trouxe dúvidas para a essa vida que estava certa Não consegui contê-lo, e assim também não me contive E se anoiteci na rotina de tantas tristezas antigas Amanheci renovada, na paixão incontida Reavivada no calor dessas lembranças amigas Tsunami, temporal, sensações passadas Desejo, saudade, palavras esquecidas Torvelinho fatal do que estava resolvido Fecho hoje com cuidado as janelas – agora já cerradas E as cinzas, que esvoaçaram doidas, voltam, entristecidas A cobrir de novo as brasas de um coração adormecido.
Não te fies do tempo nem da eternidade,
que as nuvens me puxam pelos vestidos
que os ventos me arrastam contra o meu desejo!
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
que amanhã morro e não te vejo!
Não demores tão longe, em lugar tão secreto,
nácar de silêncio que o mar comprime,
o lábio, limite do instante absoluto!
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
que amanhã eu morro e não te escuto!
Aparece-me agora, que ainda reconheço
a anêmona aberta na tua face
e em redor dos muros o vento inimigo…
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
que amanhã eu morro e não te digo…