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Dia de poesia – Denise Farb – Que amor é este?

Durmo e acordo pensando em ti.
De olhos fechados conheço-te completamente,
És meu tudo!
Tua luz estende-se por todo o cosmos,
Deliro, quero abraçar-te
E andar de mãos dadas contigo
Pelos caminhos traçados com o brilho das estrelas.
És meu paraíso,
Teu sorriso é parte do meu ser,
Teus olhos são astros no céu da minha alma,
És dono do meu mundo, do início ao fim.
Mesmo que tudo vire poeira,
Em meu coração estarás para sempre.
Se um dia meu nome estiver em tua boca,
Mesmo que eu não possa beijá-la,
Estarei perdida a sonhar…
Nem sei como posso te amar assim,
Nem sei se um dia me enxergarás como eu te enxergo.
Que amor é este?
(Imagem: foto de Maria Alice)
Dia de Poesia – José Tolentino de Mendonça – Claridade

Como viveremos no esquecimento
se perdemos repentinamente
a profundidade dos campos
os enigmas singulares
a claridade que juramos conservar.
mas levamos anos a esquecer alguém
que apenas nos olhou.
O pássaro e a laçada – a longa espera

Quando a moça o viu pela primeira vez, apaixonou-se. Era o pássaro mais lindo que já vira, de canto mais doce que já ouvira.
Deixou-se ficar, enlevada, à janela, olhando para ele como hipnotizada. Ele a notou. E cantou ainda mais bonito para fixar sua atenção. E pousou na janela, tão perto quanto uma ave chegaria de alguém.
Quando imaginou que ele viria até ela, ele, simplesmente, voou para longe e desapareceu.
Ela não mais o viu nem ouviu. Mas nunca o esqueceu. Tinha certeza que ele voltaria.
Então teceu um cordãozinho fino, com delicada laçada, onde o prenderia quando ele estivesse novamente ali.
O cordãozinho ficou guardado em uma caixinha de porcelana ao lado da janela. Muito tempo se passou.
Ela, já nem tão moça mais, um dia ouviu novamente o canto que a encantou. Chegou até a janela e o viu, na árvore mais próxima. Ele cantava em direção à janela.
Quando a viu, voou até o batente e mostrou toda a beleza de suas cores e de seu canto. E entrou na casa, ali ficou.
Ela guardou o cordão da laçada, acreditando que ele viera por vontade própria e ali ficaria para sempre, onde era tão amado.
Não o prendeu. Nem mesmo tentou prender. Deixou-o livre como nascera. Feliz por ele estar ali.
Até o dia em que ele voou. Desapareceu. Nunca mais ela viu o pássaro nem ouviu seu canto. Mas não o esqueceu.
Ela, ainda hoje, já senhora, é vista na janela, olhando para a árvore, segurando, nas mãos, um fino cordãozinho do amor com uma delicada laçada da paixão.
(Imagem: “A janela”, óleo sobre tela de Maria Alice)
Dia de poesia – Pippo Bunorrotri – El pasado

El pasado, es un tiempo caminado,
en esa improvisada senda
de momentos inquietos que quedan
en esa descolorida fotografía en grupo,
de perfiles y sombras,
de reflejos y luces,
de movimientos quietos,
desgastada y corroída por el tiempo
que en el aroma de la noche,
cuando el pensamiento se desvía
del instante chasquido de la vida;
ese momento eterno
donde los temores son dudas
y las equivocadas decisiones,
peregrinan por la senda pedregosa
de tu mente confundida,
moviéndose con torpe paso
hacia ese cajón perfumado
de lamentos perfectos
de la inmemorial del presente
donde acudes para recordar
aquellos arrepentimientos
que escriben el futuro,
porque eres consciente
de que cuando la tinta se agote
y la sombra de la fotografía
solo sea una imperfecta mancha
tú ya no estarás aquí.
(Imagem: banco de imagens Google)
Dia de Poesia – Miguel Carlos Vitaliano – A mulher que ama com os olhos
.

Dorme desnuda que mesmo de longe
velo por ti e te protejo do frio
com o calor do meu amor,
a força do meu pensamento.
O teu perfil me mantém vivo
e teu olhar transcende a ausência.
Teu cheiro vaga no ar distante.
Sinto mesmo assim e vivo por ele.
É noite e estamos perto.
Se há um espaço físico,
ele é menor que tuas mãos.
Vemos a mesma lua,
o mesmo céu,
o mesmo sol.
Distância existe?
(Imagem: foto de Carlos Eduardo Ferreira)