Dia de poesia – Vinicius de Moraes – Ternura (Memória)

Quando bate a saudade dolorida, quando a tristeza embaça o encanto, só nos resta o grande Poetinha…

Eu te peço perdão por te amar de repente

Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos


Das horas que passei à sombra dos teus gestos


Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos




Das noites que vivi acalentado


Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo


Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.


E posso te dizer que o grande afeto que te deixo




Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas


Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...


É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias




E só te pede que te repouses quieta, muito quieta


E deixes que as mãos cálidas da noite


encontrem sem fatalidade o olhar extático da aurora.

(Imagem – banco de imagens Google)

Poesia da casa – Por que?

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Amigos de uma vida, neste Dia Internacional do Livro (Memória)

Quando eu morrer o que será feito de meus livros?

Quem os olhará com orgulho,

Quem os manuseará com carinho?

Esses livros – companheiros de vida

que se foram somando e se deixando ficar,

estão comigo há décadas e décadas.

Por os ter, assim comigo, nunca senti solidão.

Quando eu morrer o que será feito de meus livros?

A quem interessará manter todos eles

assim juntos, numa ordem que só eu conheço?

Lidos e relidos a cada tempo certo

Trazendo tantas respostas

Fazendo companhia e dando conselhos

Não me deixando esquecer tantas tristezas

e proporcionando incontáveis alegrias

Quando eu morrer o que será feito de meus livros?

Não mais os poderei ter comigo

E nem sei a quem os deixar para adoção,

como filhos que não queremos ver separados

Eles estão juntos há tanto tempo

já se amoldaram uns aos outros para

dividirem o mesmo espaço. Tantas mudanças,

Tantas casas, tantas cidades, e eles comigo.

Sem ordem de preferência, todos amados.

Como garimpeira urbana eu os encontro

em sebos, livrarias, velhas bibliotecas abandonadas.

Alguns com a dedicatória do autor

Outros até mesmo com a capa estragada

Muitos vieram direto das lojas, novíssimos

Cada um traz sua história e sua verdade.

Um dia – cada vez mais próximo – terei de deixá-los

e partir na viagem sem nenhuma bagagem

Entristecida com a sorte de todos eles, eu pergunto:

Quando eu morrer o que será feito de meus livros?