A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –
Quando olhamos a noite sem lua e sem estrelas, no céu puro do litoral, sentimos alguma coisa se remexendo em nossas entranhas… somos feitos de matéria estelar.
“Cada átomo em nosso corpo veio de uma estrela que explodiu. E os átomos em nossa mão esquerda provavelmente vieram de uma estrela diferente do que os da nossa mão direita.
Na verdade é a coisa mais poética da Física: Somos todos poeira de estrelas.
Não poderíamos estar aqui se as estrelas não tivessem explodido, porque os elementos – carbono, nitrogênio, oxigênio, ferro, todos os elementos que importam para a evolução e a vida – foram criados na fornalha nuclear das estrelas, e a única forma de chegarem até nosso corpo é que as estrelas, gentilmente explodissem.
As estrelas morreram para que pudéssemos estar aqui hoje.” (Lawrence M. Krauss).
Existe algo como uma visão antiga, codificada e incluída em nosso DNA, que reconhece seu ponto de origem, com tanta certeza quanto o salmão reconhece o riacho onde nasceu.
Por isso olhamos para o céu, com saudades de casa…
O coração não quer obedecer, mas alguma vez aquieta; a ansiedade tem pés ligeiros, mas alguma vez resolve sentar-se à beira dessas águas.
Ficamos sem falar, sem pensar, sem agir.
É um começo de sabedoria, e dói.
Dói controlar o pensamento, dói abafar o sentimento, além de ser doloroso parece pobre, triste e sem sentido.
Amar era tão infinitamente melhor; curtir quem hoje se ausenta era tão imensamente mais rico.
Não queremos escutar essa lição da vida, amadurecer parece algo sombrio, definitivo e assustador.
Mas às vezes aquietar-se e esperar que o amor do outro nos descubra nesta praia isolada é só o que nos resta.
Entramos no casulo fabricado com tanta dificuldade, e ficamos quase sem sonhar.
Quem nos vê nos julga alheados, quem já não nos escuta pensa que emudecemos para sempre, e a gente mesmo às vezes desconfia de que nunca mais será capaz de nada claro, alegre, feliz.
Mas quem nos amou, se talvez nos amar ainda há de saber que se nossa essência é ambiguidade e mutação, este silencio é tanto uma máscara quanto foram, quem sabe, um dia os seus acenos.
Se você surgisse como o sol dos meus dias
Trazendo luz e calor para aquecer minha alma
Eu poderia enxergar então uma realidade melhor
Mas você não surge, ah, meu amor, você não surge
Se você voasse comigo para outros mundos
Juntos conheceríamos a verdadeira felicidade
E nunca mais ficaríamos separados,
Mas você não voa comigo, meu amor, não voa
Se você quisesse ser para sempre meu amor
E andarmos todos nossos caminhos de mãos dadas
Eu te cobriria de beijos e carinhos sempre,
Mas você não quer, meu amor, você não quer
Se você chegasse na minha noite de insônia
E me desse todo carinho até me adormecer
Colocaria cores e alegrias nos meus sonhos,
Mas você não chega, meu amor, você não chega
Se você viesse navegar comigo no meu barco
Eu te contaria todas as histórias das sereias
E te falaria o nome de todas as estrelas nas noites,
Mas você não vem, meu amor, você não vem
Remexo nos meus “guardados”
e são tantas velharias.
Retratos amarelados
de gente que eu mais queria.
Um belo lenço bordado
de alguém que amei um dia.
Um vinil todo arranhado
de canção que eu tanto ouvia.
Um poema inacabado
falando em vida vazia.
Um cordão enferrujado
que nunca teve valia.
Um velho troféu quebrado
sem nenhuma serventia
Pra que meu Deus, guardar isso
se não há encanto ou feitiço
que devolva aqueles dias?
Flores, os adornos da natureza, são, também, símbolos nas relações humanas.
São ofertadas no dia dos namorados, dia das mães, aniversários, estão nos buquês de noivas, nas coroas dos velórios, ornamentam casamentos, lapelas…
Uma mulher que nunca recebeu uma flor, um buquê de flores ou um arranjo de flores, nunca será uma mulher completa, feliz. As flores dizem mais que joias ou qualquer presente caro.
Rosas, cravos, camélias…
Algumas têm significados especiais. Por exemplo, a pequena e rara edelweiss. Cujo ato de ofertar significa mais que o amor, a coragem do rapaz que escalou escarpas para colhê-la, tradição alpina da região do Tirol, de onde é símbolo.
E, na França, temos a singela muguet-du-bois. A pequenina e delicada florzinha branca. A flor da sorte. E também a flor da felicidade.
Essa flor é oferecida no dia 1º de Maio. Por isso também chamada, lá nas terras de Balzac, de Flor de Maio. De início, diz-se que no século XVI, era colhida para festejar e enfeitar as noivas, no início dos dias mais quentes, depois dos rigorosos invernos europeus.
Durante o reinado de Charles IX, alguém lhe ofereceu um ramo de muguet-du-bois, em um dia 1º de Maio.
Encantado com o gesto, o rei ordenou que todo dia 1º de Maio deveria ser dada essa flor a todas as moças solteiras do reino.
Verdade? Lenda? Não há como saber. Ele ficou conhecido como “maluco”, responsável pelo terrível massacre da Noite de São Bartolomeu.
Difícil acreditar que se emocionasse com uma singela florzinha branca.
De qualquer forma, seja qual for a origem do gesto, este perdurou e no dia 1º de Maio as delicadas muguets-du-bois são oferecidas entre os franceses.
Por ser também comemorado o Dia do Trabalho no dia 1º de Maio, os trabalhadores adotaram a troca dessas flores como símbolo do trabalho.
Assim, passando de um significado para outro, persiste, ainda, o costume – lindo, diga-se de passagem, de se ofertar um muguet-du-bois, agora chamado muguet de bonheur nesse dia.
Por isso, a todos, franceses e brasileiros que cultivam tradições, ofereço a cada de um de vocês, para esse 1º de Maio, desejando que tenhamos um mês novo, livre, feliz, , um ramo virtual de muguet du bonheur: