Memória do blog – O passado em uma foto

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Fotos. Que antes eram fotografias. E, antes ainda, retratos.  

Em músicas, filmes, romances, sempre há o recurso da foto para voltar ao passado. Seja de forma figurada ou literal dentro da ficção. E, na vida real, fotos são lembranças vivas, fazem o passado sempre presente.  

Conseguimos nos desfazer de muitas coisas ao longo da vida, mas não temos coragem de rasgar fotos e jogar no lixo. A não ser algumas, que foram rasgadas com raiva e molhadas de lágrimas.  

Assim, vamos acumulando fotos e mais fotos. Álbuns e mais álbuns. E, nos dias de hoje, com a facilidade da foto digital, as temos aos milhares.  

Vejo antigas fotos (não as chamo velhas – ou seria eu também velha por as possuir…).  

Elas me trazem de volta meus vinte anos. No milênio passado. Não poderei nunca mais ter vinte anos, mas me posso ver nessa idade. E outras pessoas com quem convivi naquela época.  

Fico a lembrar de tantos acontecimentos, tanta leveza, uma vida livre e despreocupada.    

Meus pais ainda jovens, fortes, nossa casa tão cheia de amigos, nossa vida tão cheia de festas e encontros.  

Tudo se perdeu. Tudo ficou nessa caminhada árdua que a vida se tornou de repente.  

A memória é algo fabuloso. Deus a deu aos homens para tornar mais leve a realidade. Basta fecharmos os olhos e relembrarmos o que já foi, deixar fluir o pensamento. Reviver os melhores momentos. E, para isso, as fotos são magníficas. Porque não mostram nossa decadência física. Elas nos guardam naquele momento, em que a juventude brilhava em nossos olhos e tonificava nosso corpo.  

E Deus foi tão bom com os homens, que, para aqueles que a memória machuca no final da vida, ela se perde na bruma da velhice.  

Olho para mim mesma em uma antiga foto. E confiro no espelho com a imagem que me tornei.    

E entendo, sim, o que pensava Wilde com seu Dorian Gray…

Memória do Blog – Anoitece

Quando o dia se esvai, tudo é silêncio,

e a noite, suave, traz a lua e seu encanto,

na hora em que nada mais se espera,

penso em tudo enquanto penso em nada;

eu me recolho no vazio de minha alma,

para deixar fluir toda essa ternura

e sonhar que não há tristezas na vida

e ter a certeza de que estamos juntos.

Que vontade eu sinto de você,

que saudade eu sinto de nós dois;

venha me tocar do jeito que só você me tocou,

venha me falar as palavras que só você já falou,

venha, meu amor, ser meu ninho e serei seu aconchego,

Venha me amar da forma que nunca ninguém me amou.

(Imagem: foto de Maria Alice)

Poesia da casa no Dia do poeta – 20 de outubro

 Se eu fosse poeta

Eu queria ser poeta para falar da minha paixão

e assim conseguir mostrar meu amor por você;

eu queria escrever um poema usando a caneta da alma  

e a tinta do sangue do sentimento mais doce. 

Escrever sobre o brilho ímpar dos seus olhos e

da meiguice de suas mãos e do gosto único da sua boca   

Descrever o arrepio que me percorre todas as vezes em que você

me enlaça e me aperta em um abraço de ternura e me  beija.

Do torvelinho de sentimentos que me confundem, me arrebatam

e me fascinam e me fazem sonhar  quando penso em você.       

Da saudade doída que não me deixa um só instante nessa vida.

E da vontade de você que me persegue em todos os segundos.  

Se eu fosse poeta eu descreveria tudo isso em um poema

que pudesse traduzir em palavras tudo o que sinto

Escreveria sobre nossos sonhos e todos os nossos planos;  

Sobre a esperança de estarmos sempre juntos nessa vida

e assim um dia, felizes, morrermos no abraço final.     

Escreveria da alegria de ouvir sua voz e sua risada todos os dias.

E da ansiedade ao ouvir seus passos a cada volta sua 

Se eu fosse poeta escreveria um poema vindo direto do coração

só para poder dizer, todos os dias, com emoção,

O quanto eu amo e vivo apenas porque você existe

E ainda escreveria que você é a imagem da minha felicidade   

Queria ser poeta para conseguir, apenas com minhas palavras,

não só falar de amor, mas também tocar seu coração

E que quando você lesse esse meu poema, escrito para você,

pleno de pura paixão, escrito com a essência de minha alma,

Você olhasse longamente no fundo nos meus olhos,

e entre lágrimas, emocionado, dissesse: Te amo!

Só para isso eu queria ser poeta.

Mas não sou…

19 de outubro – o dia do amor e da paixão

Para Vinicius

19 de outubro. Mais um 19 de outubro a se somar a tantos outros já passados. Não um dia comum, igual aos outros 364 (algumas vezes 365) dias de cada ano. Mas o Dia 19 de outubro.

Dia de festa? Sim!

Dia de alegria? Sim!

Mas também dia de pranto. Dia de dor.

Mais um aniversário do querido Poeta (festa e alegria) que nos deixou há 40 anos (pranto e dor).

Comemoramos essa data – poetas, seresteiros, amantes da Poesia, fãs da arte maior que é escrever e se perpetuar pela palavra – quando festejamos a data do nascimento de Vinicius de Moraes.

No longínquo 19 de outubro de 1913 nascia, no Rio de Janeiro, Marcus Vinícius da Cruz de Mello Moraes, aquele que viria a ser talvez o maior poeta brasileiro do século XX.

Poeta, escritor, cantor, embaixador… mas o que mais encanta em sua profícua trajetória, sem qualquer sombra de dúvida, é sua poesia. Ou melhor, sua Poesia.

Cantou o amor, a paixão.

E nos tornou amantes e apaixonados.

Traduziu em palavras sentimentos indescritíveis. Transformou a mulher em imagem sublime, e a paixão no mais nobre dos sentimentos. Chamado carinhosamente de Poetinha pelo parceiro Tom Jobim, é nosso maior Poetinha. O grande Poetinha.

De impressionante lirismo, é impossível ficar indiferente à sua poesia, que toca a alma de quem a lê.

Como não se emocionar ao se ler: “… E se mais do que minha namorada você quer ser minha amada, minha amada, mas amada pra valer…”  ou “… Por não te possuir, tendo-te minha / Por só quereres tudo, e eu dar-te nada / Hei de lembrar-te sempre com ternura.” , e ainda “…Eu sei que vou sofrer / A eterna desventura de viver a espera / De viver ao lado teu  / Por Toda a minha vida.”

Tanto amor, tanto desamor, tanta solidão…

Vinicius partiu para a derradeira viagem. Mas, se não era eterno, certamente é imortal…