Dia de poesia – Vinicius de Moraes – Soneto da Véspera

Quando chegares e eu te vir chorando 
De tanto te esperar, que te direi? 
E da angústia de amar-te, te esperando 
Reencontrada, como te amarei? 

Que beijo teu de lágrimas terei 
Para esquecer o que vivi lembrando 
E que farei da antiga mágoa quando 
Não puder te dizer por que chorei? 

Como ocultar a sombra em mim suspensa 
Pelo martírio da memória imensa 
Que a distância criou – fria de vida 

Imagem tua que eu compus serena 
Atenta ao meu apelo e à minha pena 
E que quisera nunca mais perdida…

Poesia da casa – Etéreo

Se um dia meus olhos se perderam nos seus

No momento exato do seu desejo infindo

Suas mãos se perderam em mim

E vi despertar a loucura da paixão

Nesse dia a canção do amor se fez ouvir,

num silêncio feito de sons do encanto

Estrelas desceram à Terra – únicas testemunhas

dessa entrega apaixonante e apaixonada

E o amor, finalmente, se fez

Seguimos apaixonados, paralelos,

nos tocando em todos eclipses

Até o dia fatal que vida a todos prepara  

E nos separamos, seguindo o destino traçado

Tanta paixão deu lugar à saudade

Que transformou em amargas lembranças

tantas horas de amor sublime, sempre tão

Intensas,  coloridas, risonhas, tão doces

Tentando apagar o que houve tão denso entre nós      

No dia em que seu corpo encontrou o meu

(Foto dicasbrasil.com.br)

Memória do blog – O traste da paixão

Não te espero, só porque te quero.Te quero, como sei que eu nunca quis alguém assim. Não te espero, só porque te quero.É porque te quero só pra mim…Te quero na minha vida, na minha paixão.Te espero, em todos os momentos e não só na solidão.(Celi Luzzi)

Ah, a paixão… a velha e boa paixão…

Chega de repente, nem se sonhava que estava a caminho. Pega de surpresa e se espalha. A paixão toma todo o corpo, ocupa todos os espaços. Torna-se obsessão, ideia fixa. Já não se sente mais necessidade q comer, de dormir, de conviver. Basta a existência, a atenção e a companhia do ser que despertou toda essa torrente de emoções.

Segue-se como encantado, com o sonho invencível de consumar a paixão, a necessidade de saber onde o outro está, o que faz, o que pensa…

De vez em quando a paixão é recíproca – aí é a pura maravilha, porque quando correspondida, a vida se torna colorida, sinos tocam sem cessar, anjos cantam dia e noite, tudo é encantamento.

Geralmente, no entanto, a paixão não é via de duas mãos – enquanto um está intensamente apaixonado, o outro só está passando o tempo, esperando que alguém mais conveniente apareça. E finge paixão.

E promete, e faz sonhar, deixa o apaixonado nas nuvens. Até o dia em que aparece o que esperava – mesmo que seja um traste imprestável – e deixa o apaixonado falando sozinho, até este perceber que a paixão era via de uma só mão.

E, pelo traste pelo qual foi substituído, o apaixonado acaba se dando conta do traste imprestável pelo qual se apaixonara…

Poesia da casa – De um passado

Quando pele contra pele em perfeita concha adormecemos,

Almas felizes, paixão satisfeita, tudo mais que perfeito;

A Terra girava em seu exato eixo, o mundo se acalmou,

A mansa chuva lavava os céus, o ar, nossas almas sedentas,

Tudo, todos e cada um ocuparam seu devido lugar,

A felicidade se fez e inundou a noite com sua paz.

O tempo, passou, cruel, separando quem se queria junto,

A vida, implacável, seguiu seu curso de angústias e dores

Como um rio cujas águas não podem ser contidas nem represadas,

E consigo tudo arrasta, separa, esparrama e desfaz…

Pouco a pouco apenas recordações se fazem presente

Nessa vida de repente tão sem brilho, tão vazia de você,

Meus braços, agora, só encontram o vazio para enlaçar.

Somente as lembranças hoje se deitam a meu lado

E tenho, por única companhia, apenas a sua ausência.