Última chuva do verão

“… É madeira de vento, tombo da ribanceira
É o mistério profundo, é o queira ou não queira…

É um belo horizonte, é uma febre terça
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração…”
(Antonio Carlos Jobim)

Chove. Anoiteceu chovendo muito, intensamente.

É a última chuva do verão, que amanhã se irá para voltar em dezembro.

Escuto a chuva. Adoro chuva. Adoro ver chover. Adoro ouvir e ver a chuva.

Sem raios, sem trovões, apenas água. Água linda, que cai limpando o ar e purificando a Terra. Bênção divina.

Verei outras chuvas?

Verei outros verões?

Quem sabe, ou pode afirmar?

Esse foi um triste verão, sem cores, sem sol, sem alegria.

Se houve cores, se houve sol, se houve alegria, não percebi.

Saindo de uma peste para entrar numa guerra, só para dizer o que se passa lá fora.

E a bagunça que reina aqui dentro impede ver qualquer sinal de um típico verão.

Mesmo que não mais esteja aqui, tenho certeza que em dezembro o verão estará de volta. E no próximo ano, neste dia, uma linda chuva virá para cumprir a sina das “águas de março fechando o verão”.

(Imagem: foto de Maria Alice)

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