
Para pensar 42

Blog de de Alice – Alinhavando letras
A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –


Deixo de mim neste caminho que percorro
Todos os sonhos, os planos, os quereres
Deixo o passado, deixo o futuro
E levo comigo, somente o presente
Esse presente indesejado, infeliz
Que não traz os louros do passado
Nem promessas do porvir que não sonhei
Se um dia fui alguém ou tive valia
Tudo isso ficou nessa névoa empoeirada
Que deixei um dia em alguma estrada
Que percorri, sem rumo nem destino
Porque me perdi de mim e do que fui
Nunca esperei muito do que um dia seria
E não marquei por onde andei para impedir
A volta ou o simples desejo de retornar
Assim sigo tendo apenas, como meus
O dia que me impele e a noite que me acalma
O vento que me segue e os astros que me guiam
(Imagem: foto de Maria Alice)

Por que sou triste? Não sei…
Como também não sei se deveria ser alegre.
Às vezes nos cansamos da felicidade breve
porque ela sempre se vai e a tristeza vem.
A felicidade sempre traz tristeza,
enquanto a tristeza nunca se torna alegria…
Melhor ficar triste de uma vez
e não ficar temendo a tristeza,
porque ela, sim, é inevitável.
Há duas certezas nessa vida:
Ser triste e morrer.
(Imagem: banco de iamgens Google)

A madrugada foi feita para se pensar. Não para se dormir.
Quem tem insônia sabe a verdade por trás dessas palavras.
Alguns minutos ou mesmo uma ou duas horas de sono. E ela chega. Deita-se a seu lado. E te faz acordar.
Silêncio total. Escuro sepulcral. Mas ela está ali. Insistente. Presente. Atrevida e arrogante.
E impede o sono.
A expressão “noite em claro” é mais do que adequada: de olhos abertos se vê o escuro total, mas, se tentar fechar os olhos, está tudo claro, como se houvesse uma potente lanterna acesar dentro do cérebro.
Tortura.
O pensamento voa. Por vezes até algumas lágrimas surgem, lembrando noites não tão solitárias, em que a insônia não encontrava espaço.
Ela não respeita cansaço. Nem tristeza. Nem necessidade de dormir.
Ela força a mente a trabalhar enquanto todas as pessoas abençoadas do mundo dormem seu sono de paz.
Ela é a própria ausência da paz. A imagem do tormento.
Força que se recordem coisas tristes, que seria melhor serem esquecidas. Força a saudade a doer até sangrar a alma.
Mostra a pequenez do ser humano em sua nudez absoluta.
E é fiel: não te trai, não te esquece, não se atrasa – todas as madrugadas chega no mesmo horário.
Quem sabe um dia encontrará outro mortal para atormentar e te deixará, finalmente, dormir…
(Imagem: banco de imagens Google)

Quisera ser a serpe venenosa
Que dá-te medo e dá-te pesadelos
Para envolverem, ó Flor maravilhosa,
Nos flavos turbilhões dos teus cabelos.
Quisera ser a serpe veludosa
Para, enroscada em múltiplos novelos,
Saltar-te aos seios de fluidez cheirosa
E babujá-los e depois mordê-los…
Talvez que o sangue impuro e flamejante
Do teu lânguido corpo de bacante,
Da langue ondulação de águas do Reno
Estranhamente se purificasse…
Pois que um veneno de áspide vorace
Deve ser morto com igual veneno…
(Imagem: banco de imagens Google)