
Categoria: Sem categoria
Insanidade
La jalousie est le plus grand de tous les maux, et celui qui fait le moins de pitié aux personnes qui les causent. La jalousie nait toujours avec l’amour; mais elle ne meurt pas toujours avec lui. (François de la Rochefoucauld)
Porque um dia se encantou com um olhar, se apaixonou. E porque uma vez se apaixonou, sentiu amor.
Aquilo que imaginava fosse sentir amor gerava necessidade de cuidar, de mimar, de estar sempre junto. E assim passou a se dedicar inteiramente a esse sentimento. E acreditava que muito amava.
E porque cuidava passou a se sentir dono. Tinha o dever de zelar e o direito de vigiar, de limitar, de controlar.
E assim, por acreditar que isso era amor, passou a ter ciúme.
Sem perceber que o ciúme não é amor, que se adonar não é amar, que amar não é estar apaixonado. Confundiu tudo.
Era uma sede insana de dominar. Que começou a minar a paixão, destruir o amor.
Precisava se sentir no comando. Tinha de ser obedecido.
Seu sentimento endureceu no ódio. Que nasceu do ciúme.
Subitamente percebeu que não havia mais paixão. Que não havia mais nada. Que seu ciúme pusera tudo a perder.
Enlouquecido, resolveu matar o que pensava ser amor. E aquela que o personificava. Agora só lhe restava se matar também.
Começo de semana
Já estou cansada dessa história de ter uma segunda-feira toda semana. Não dá para mudar isso?
É um dia sempre do avesso. Levantar da cama de segunda-feira é saber que vai se deparar com problemas. E é sempre assim.
Às vezes me sinto uma ilha, cercada de incompetentes por todos os lados. Ou incompetência ou falta de educação, ou os dois, sei lá.
Sabe aquelas pessoas maravilhosas, gentis, que parece que a qualquer momento começarão a distribuir flores, que se vê na internet? Pois é, não existem no mundo real.
E as pessoas do mundo real se combinam para se juntarem e começarem a atazanar os outros de segunda-feira. Você topa com muitas. Desde as que vêm bater na sua porta, as outras que você encontra no trânsito, nas lojas, nos supermercados… onde vai tem pelo menos uma.
De segunda-feira nada dá certo. Tudo o que pode dar errado, dá errado. O que não pode dar errado, dá errado também e até o que não tem como não dar certo, dá errado. Porque é segunda-feira.
Se amanhece chovendo, não é garoa, é tromba d’água.
Se amanhece quente, parece que você está no meio do inferno.
Se amanhece seco, você nem consegue respirar que o ar fica concreto de tanto pó e secura.
E por que? Porque é segunda-feira.
Qualquer parte do corpo que está mais ou menos, na segunda-feira dói intensamente.
Todos os chatos se lembram de você e telefonam ou fazem visita.
As contas vencem e as filas nos bancos são invencíveis.
O dinheiro acaba e as dívidas continuam. Mas você só percebe isso de segunda-feira. Nos outros dias dá para levar de forma mais leve.
A gasolina acaba e tem fila no posto, o pneu fura e o borracheiro está cheio de serviço, o cano arrebenta e o encanador não tem nenhum horário para vir hoje, a lâmpada queima e não tem onde estacionar perto da loja para comprar outra. E por que? Porque é segunda-feira.
Sei não, mas de agora em diante, vou dar um jeito de começar minha semana na terça-feira.
Fim
Não sei se as palavras já não bastam
Ou se elas não mais são necessárias
O silêncio trouxe a distância
Que mantém separadas as paralelas
Essas linhas que tanto se querem
Mas só se encontrarão no infinito.
Onde fica esse infinito? Não se sabe
A paixão, tão ardente, mina em lágrimas
Que teimam em brotar nos olhos
De quem se viu em outros olhos
Ardem as mãos no vazio
Da falta das outras mãos tão queridas
O nada se impõe e domina
A vida se esvai nos fiapos
De um passado distante
De um amor mal-resolvido
De uma paixão não vivida
Da música
O que seria da vida sem música? Mas Música de verdade, com M.
Estou assistindo, pela milésima vez, aos concertos do violoncelista Hauser – em Zagreb e em Pula, Croácia, sua terra natal.
Simplesmente encantador. Fascinante.
Você se deixa transportar e consegue ir junto com a melodia.
Orquestras maravilhosas. Músicos dedicados.
Não resta qualquer dúvida que a melhor música do mundo e os melhores profissionais são do leste europeu. Eles nasceram para a música verdadeira.
Logo que acabou a URSS eu fui conhecer o lado de lá da “cortina de ferro”. Lembro-me de uma tarde em Bratislava. Eu estava apaixonadamente encantada com aquele povo. Lindos, gentis, extremamente pobres em sua maioria. O comunismo saqueara e explorara o país e o povo. Quando acabou, quase nada restava aos povos. Mas a vontade de refazer o país era grande e eles lutavam para o reerguerem. E o fizeram, sendo atualmente um país próspero. Mas estive lá em outro tempo: menos de um ano depois do “divórcio de veludo”.
Esse dia, de calma para ficar flanando na linda capital, pude presenciar turmas de crianças nos horários de entrada e saída da escola. Todos uniformizados, andavam pelas ruas e praças, carregando seu material escolar E um instrumento.
O que mais me chamou a atenção foi ver as crianças levando seus instrumentos musicais. Violões, flautas, violinos, celos, praticamente todos portavam um estojo de um instrumento. Ou seja, a música era matéria curricular do ensino fundamental.
Quase todos os grandes compositores imortalizados na arte pura da música erudita nasceram nessa região do continente Europeu. E os povos ainda cultivam a música naquelas paragens.
Basta assistir a um concerto e se entende o valor que dão à música. O público comparece massivamente ao local. Crianças pequenas, adolescente, jovens, adultos, idosos. Todos assistindo com atenção e educação. Valorizando a música como arte e expressão de união. Porque são as mesmas sete notas que compõem todas as melodias conhecidas. Todos os povos do mundo falam a mesma língua quando se trata de música. Há uma única escala, independe da sua representação.
Enquanto flutuo com a angelical música apresentada no concerto, tenho de suportar a modinha que algum vizinho obriga a todos escutarem, na sua festinha aqui no salão na frente de casa, mostrando a falta total de nível da educação que recebeu.
Esse é o lado triste da vida…
9 de julho
Hoje é nove de julho – data que tem dois significados para mim. Um cívico, de muito de orgulho. E outro de encantamento e paixão eternas
9 de julho. Alguns conhecem essa data pelas ruas e avenidas assim nomeadas em diversas cidades do Estado de São Paulo.

Mas a razão nem todos conhecem. Em 1932 o povo paulista se levantou contra o desmando e a ditadura, exigindo que fosse promulgada uma Constituição para o país. O símbolo dessa revolução armada – M.M.D.C. inicial dos nomes dos mártires do Movimento Constitucionalista de 1932 – refere-se aos quatro primeiro mortos por tropas ligadas ao governo federal, na cidade de São Paulo: Martin, Miragaia, Dráusio e Camargo, cujos corpos repousam no Mausoléu dos Heróis de 32, localizado no Obelisco do Ibirapuera.
O Mausoléu:

O Obelisco:

A simples leitura de uma frase em homenagem aos mortos, inscrita em uma das faces do Obelisco, causa profunda emoção:
“Viveram pouco para morrer bem
morreram jovens para viver sempre.”
Conheci alguns combatentes. Nossos verdadeiros Heróis!
Quanto à Bandeira que simboliza São Paulo e tanto orgulho nos causa:
De acordo com sites oficiais: A bandeira do estado de São Paulo, juntamente com o brasão e o hino, constituem os símbolos oficiais do estado de São Paulo, no Brasil.[nota 1]
Idealizada pelo filólogo e escritor Júlio Ribeiro em 1888, tinha como objetivo servir de bandeira ao regime republicano, que fora efetivamente proclamado em 15 de novembro do ano seguinte. Para materializar graficamente sua ideia, Júlio Ribeiro convidou seu cunhado Amador Amaral, gráfico e artista plástico que desenvolveu o layout da bandeira paulista.
A bandeira possui treze listras variando entre branco e preto que representam os dias e as noites em que os bandeirantes exploraram o interior do país. O pavilhão possui um retângulo vermelho na horizontal, que representa o sangue derramado pelos bandeirantes, alinhado no topo à esquerda, tendo dentro um círculo de fundo branco e o mapa do Brasil em azul, sendo o azul a cor da pujança. Há também quatro estrelas amarelas na parte interna dos quatro cantos do retângulo.
O pavilhão tornou-se de fato símbolo paulista a partir da Revolução Constitucionalista de 1932, mas que só foi oficializada em 27 de novembro de 1946, sob o Decreto-Lei estadual nº16.349, com base no parágrafo único do Art.195 da Constituição Federal de 1946, que devolveu aos estados e municípios o direito de cultivar símbolos próprios.
- Derly Halfeld. Bandeiras: nacional, históricas e estaduais. Brasília. Edições do Senado Federal, 2011. ISBN 978-85-7018-358-3
A Revolução Constitucionalista, data máxima dos Paulistas, engrandeceu nossa Bandeira, deu-lhe a dimensão do orgulho de um povo.

E o grande poeta paulista – ele, também, um combatente, que entrou para a História como “o poeta da Revolução”, cujos restos mortais estão no Mausoléu do Ibirapuera junto de outros heróis – Guilherme de Almeida, dedicou-lhe o mais belos poema que poderia ser escrito para um símbolo:
NOSSA BANDEIRA
Bandeira da minha terra,
Bandeira das treze listas:
São treze lanças de guerra
Cercando o chão dos paulistas!
Prece alternada, responso
Entre a cor branca e a cor preta:
Velas de Martim Afonso,
Sotaina do Padre Anchieta!
Bandeira de Bandeirantes,
Branca e rôta de tal sorte,
Que entre os rasgões tremulantes,
Mostrou as sombras da morte.
Riscos negros sobre a prata:
São como o rastro sombrio,
Que na água deixara a chata
Das Monções subido o rio.
Página branca-pautada
Por Deus numa hora suprema,
Para que, um dia, uma espada
Sobre ela escrevesse um poema:
Poema do nosso orgulho
(Eu vibro quando me lembro)
Que vai de nove de julho
A vinte e oito de setembro!
Mapa da pátria guerreira
Traçado pela vitória:
Cada lista é uma trincheira;
Cada trincheira é uma glória!
Tiras retas, firmes: quando
O inimigo surge à frente,
São barras de aço guardando
Nossa terra e nossa gente.
São os dois rápidos brilhos
Do trem de ferro que passa:
Faixa negra dos seus trilhos
Faixa branca da fumaça.
Fuligem das oficinas;
Cal que a cidades empoa;
Fumo negro das usinas
Estirado na garoa!
Linhas que avançam; há nelas,
Correndo num mesmo fito,
O impulso das paralelas
Que procuram o infinito.
Desfile de operários;
É o cafezal alinhado;
São filas de voluntários;
São sulcos do nosso arado!
Bandeira que é o nosso espelho!
Bandeira que é a nossa pista!
Que traz, no topo vermelho,
O Coração do Paulista!
São Paulo é minha Pátria, não apenas o Estado onde nasci.

Por outro lado, também é a data de morte do poeta Vinicius de Moraes. Escritor, poeta, cronista, compositor, dramaturgo, diplomata, ele era tudo e mais um pouco! Hoje são 39 anos de sua morte.
São dele os sonetos mais românticos do século XX escrito em língua portuguesa.
Poemas, canções, Vinicius marcou minha geração, com encontros com universitários, com ideias cativantes, com seu jeito carismático de ser e de viver.
Sou profunda e eternamente apaixonada por sua obra. Leio, releio e volto a ler. Porque Vinicius, chamado Poetinha, foi e sempre será o nosso Grande e Maior Poetinha.
Uma pequena amostra:
Soneto de separação
De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.