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Poesia da casa – Canção para ninar meu amor (memória)

Dorme, meu amor
Vai para esse teu mundo encantado
onde reinas absoluto e tranquilo
onde ninguém pode entrar nem perturbar
Nesse lugar mágico de teus sonhos
onde ficas livre dos problemas
livre das tristezas
livre da realidade
Dorme, meu amor
eu velo teu sono
eu sou teu descansar
eu sou teu mundo aqui do lado de fora
Descansa, meu amor
descansa de tudo
descansa todo esse teu cansaço
porque precisas muito descansar
Dorme meu amor, relaxa
Aproveita tuas horas de sono
E te renova inteiro na paz
envolto pela minha ternura
Estarei sempre aqui,
vigiando teu sono
guardando esses teus momentos
nunca sairei de teu lado
Para ser em teus olhos
a primeira imagem do teu despertar
e a primeira alegria de teu novo dia
Dorme, meu amor.
(Imagem: foto de Maria Alice)
Hoje. Apenas

Dia de poesia – Cecília Meireles – Já não falo de ti

Não: já não falo de ti, já não sei de saudades.
Feche-se o coração como um livro, cheio de imagens,
de palavras adormecidas, em altas prateleiras,
até que o pó desfaça o pobre desespero sem força,
que um dia, pode ser, parece tão terrível.
A aranha dorme em sua teia, lá fora, entre a roseira e o muro.
Resplandecem os azulejos- e tudo quanto posso ver.
O resto é imaginado, e não coincide, e é temerário
cismar. Talvez se as pálpebras pudessem
inventar outros sonhos, não de vida...
Ah! rompem-se na noite ardentes violas,
pelo ar e pelo frio subitamente roçadas.
Por onde pascerão, nestes céus invioláveis,
nossas perguntas com suas crinas de séculos arrastando-se...
Não só de amor a noite transborda mas de terríveis
crueldades, loucuras, de homicídios mais verdadeiros.
Os homens de sangue estão nas esquinas resfolegando,
e os homens da lei sonolentos movem letras
sobre imensos papéis que eles mesmos não entendem...
Ah! que rosto amaríamos ver inclinar-se na aérea varanda?
Nem os santos podem mais nada. Talvez os anjos abstratos
da álgebra e da geometria.
(Imagem: banco de imagens Google)
Um dia…

Caminho de ciprestes, paisagem senese
Cores, cheiros, sol e luz
Os vales, encostas e montes
Oliveiras, videiras, tanto verde
O corpo se foi, a alma ficou
Sempre imersa em tanta beleza
Lembranças do que passou
Saudades do que não foi
Solidão do amor não vivido
Silêncio diante do infinitamente belo
O sobressalto do que se avista
Depois das curvas suaves
Vontade de viver mais
Mas a vida... ah a vida
Tem hora certa de se acabar
(Imagem: foto de Maria Alice)
Dia de poesia – Miguel Torga
