Poesia da casa – O nada

Um turbilhão vindo de lugar desconhecido
Turvou-me a alma, tirou-me o chão, fez o escuro.
Tumulto no sentir, no pensar, sem ação.
Uma vida esboçada que não aconteceu.
Um botão de flor morto sem desabrochar.
Eu fui nada, fui espera e fui amor.
Agora novamente não sou nada.
Nada sou, nada espero, nada amo.
Sou a escuridão que precede a luz que não vem.
Sou a eterna madrugada onde nunca amanhece.
(Imagem: foto de Maria Alice)
O mais recente…
Publicado meu segundo livro infantil – O pião orgulhoso. (meu sétimo livro solo – Alinhavando letras; Pena e poesia; O pescador de Sorrento e outras histórias; 2020-O ano que não vivi; 120 poemas; Filomena, a lagartixa valente).
Há um ano publiquei o primeiro livro dedicado ao público infantil – Filomena, a lagartixa valente. Era sobre a coragem, a superação.
Este, do pião, é sobre assédio, mais conhecido pelo estrangeirismo “bullying”, que, em sentido literal seria traduzido por ação do valentão, mas se popularizou por todas as formas de opressão, exposição ao ridículo, agressões verbais e/ou físicas sem resultado danoso mas humilhantes…
Ilustrado pelo Gabriel Macke, tenta nos passar a lição da igualdade entre todos e desnecessidade de comportamentos nocivos.

Caminhos

São poucas minhas raízes e fortes as minhas asas
Que me levam a lugares nunca vistos
Ainda que sonhados, mas desconhecidos.
Não há medo, não há urgência ou pressa
Apenas a certeza da necessidade da partida
É preciso ir, é preciso buscar, tentar encontrar
No abstrato do desconhecido tão esperado…
Um dia a caminhada terá seu inevitável fim.
Feliz, estarei em paz, e enfim te poderei contar
Quantos rumos errados palmilhei em vão,
Por quantos atalhos assustadores transitei.
E quanto caminhos de espinhos percorri descalça
Até chegar no aconchego desse abraço.
(Imagem: foto de Nelson O’Reilly Filho)
Dia de Poesia – reservado para Jenario de Fátima

Dia de poesia – William Shakespeare – Soneto 116
De almas sinceras a união sincera
Nada há que impeça: amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera,
Ou se vacila ao mínimo temor.
Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
É astro que norteia a vela errante,
Cujo valor se ignora, lá na altura.
Amor não teme o tempo, muito embora
Seu alfange não poupe a mocidade;
Amor não se transforma de hora em hora,
Antes se afirma para a eternidade.
Se isso é falso, e que é falso alguém provou,
Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou.