A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –
Não te escreverei mais... Porque todas as palavras sangrariam Violentadas, ao serem subjugadas Reesignificadas E me denunciariam...
De amor as privaria Porque o guardaria vivo em mim Como réstia, do que fomos um dia
Não te escreverei mais... Poderás até tentar ler nos meus sorrisos Nas fotos espalhadas por aí Mas nunca me saberás a verdade Talvez meus olhos denunciem A mágoa , a desilusão Talvez não...
E só te desejo Que um dia ames tão profundamente alguém Que não necessites De fechar dentro de ti o amor, como salvação
Nunca mais me sentirás as palavras ... Poderás até lê-las Mas já não te serão...
A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são 6 horas: há tempo… Quando se vê, já é 6ª-feira… Quando se vê, passaram 60 anos! Agora, é tarde demais para ser reprovado… E se me dessem – um dia – uma outra oportunidade, eu nem olhava o relógio seguia sempre em frente…
E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.
O menino deitado na areia
Adormeceu
Espera por seu pai
De quem se perdeu.
O menino deitado na areia
Fugiu de sua pátria
Fugiu da guerra e do horror
Fugiu da fome e da violência.
No vento frio da noite
Segurava na mão de seu pai
O menino deitado na areia
Tinha pai, tinha mãe e irmão.
No vento da noite o balanço do mar
No frio da noite as ondas imensas
No escuro da noite seu corpo no mar.
Não viu onde foi seu irmão
Não ouviu mais a voz de sua mãe
Não achou mais a mão de seu pai.
E as ondas do mar levaram o menino
E o deixaram na beira da praia.
Adormecido ali ficou o menino.
O pequenino na areia da praia.
Rostinho virado de lado não viu
A cem metros estava seu irmão
Deitado na areia da praia
Dormindo na beira do mar.
Não mais se deram as mãos
Não mais se viram os rostos.
O menino deitado na areia
Deixou um planeta chocado
Sacudiu o conforto de todos
Arrancou lágrimas de dor
Porque não brincava o menino
Não aproveitava a alegria da praia
O menino deitado na areia
Fugindo do horror e da guerra
Não dormia o menino na areia:
Estava morto o menino
Deitado na areia da praia
Morrera nas ondas do mar.(para Alyam Kurdi, 2015)
– Ela não é nada minha. Apenas estamos juntos, temos filhos, dividimos a casa, a cama, as contas, fazemos planos e amor, realizamos projetos juntos.
– Então ela é a sua mulher!
– Não. Ela é mulher, mas não é minha. É dela mesma, mas decide estar comigo.
– Então é sua esposa!
– Também não. “Esposa” é uma antiga definição para algemas. E ela não está presa a mim. Está comigo pelo simples desejo de estar. Não temos contratos, apenas vontade. Não temos nenhuma obrigação de permanecer, o fazemos por desejo.
– Isso não é perigoso?
– Perigoso é uma pessoa se sentir obrigada a permanecer onde não deseja estar, fazer sexo por “dever” e sem empolgação, conviver sem amor, estar presa por interesses materiais, coerção social, familiar ou religiosa.