
Dia de Vinicius

A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –


Sobre as muralhas do mar
conversaremos.
Sobre as muralhas do mar, entre areias,
espumas, colunas,
o que passa e o que perdura.
Conversaremos.
Conversaremos de um tempo
que imaginamos.
Que não houve: azuis e verdes
caminhos, destinos, glórias.
Conversaremos.
Os muros do mar são altos.
E esquecemos.
E as perguntas ficam intactas,
não mudadas em respostas.
Como é o som das palavras sobre as ondas?
E um riso de asas, de brisas
de uma alegria selvagem escutaremos.
No longínquo mar das almas.
Não conversaremos.
(Imagem: foto de Gilberto Tiriba)



Quando a ausência se materializa
Em forma de profundo silêncio
E a indiferença ocupa todos os espaços
Finalmente você entende.
Entende que paixão foi a fumaça
Que fez de conta que seria amor
Que a brisa a espalhou e apagou.
A brisa que vem de outra presença...
Seu mundo tão rico, tão colorido
Agora se apequena em tons cinzentos
E nada mais adianta nem vale a pena
Da intensa descrença inicial
Nasce a habitual tristeza
E tudo o que não cabe mais na alma
Jorra pelos olhos em lágrimas de sal
A dor, a angústia, o vazio, crescem
E tomam conta do seu ser, da sua vida
E, a cada lágrima que rola em seu rosto,
Uma cicatriz de lembrança surge no coração
Até o dia em que mesmo essa dor
Essa dor, tão cortante, que mora em você,
Tão doída, sofrida e esmagadora
Se torne, ela mesma, em sua existência,
Mais uma doce recordação...
(Imagem: banco de imagens Google)