Dia de poesia – Pablo Neruda – É assim que te quero

É assim que te quero, amor, assim, amor, é que eu gosto de ti, tal como te vestes e como arranjas os cabelos e como a tua boca sorri, ágil como a água da fonte sobre as pedras puras, é assim que te quero, amada, Ao pão não peço que me ensine, mas antes que não me falte em cada dia que passa. Da luz nada sei, nem donde vem nem para onde vai, apenas quero que a luz alumie, e também não peço à noite explicações, espero-a e envolve-me, e assim tu pão e luz e sombra és. Chegastes à minha vida com o que trazias, feita de luz e pão e sombra, eu te esperava, e é assim que preciso de ti, assim que te amo, e os que amanhã quiserem ouvir o que não lhes direi, que o leiam aqui e retrocedam hoje porque é cedo para tais argumentos. Amanhã dar-lhes-emos apenas uma folha da árvore do nosso amor, uma folha que há-de cair sobre a terra como se a tivessem produzido os nosso lábios, como um beijo caído das nossas alturas invencíveis para mostrar o fogo e a ternura de um amor verdadeiro.
Texto de Hermann Hesse

Quanto mais envelhecia, quanto mais insípidas me pareciam as pequenas satisfações que a vida me dava, tanto mais claramente compreendia onde eu deveria procurar a fonte das alegrias da vida. Aprendi que ser amado não é nada, enquanto amar é tudo.
O dinheiro não era nada, o poder não era nada. Vi tanta gente que tinha dinheiro e poder, e mesmo assim era infeliz.
A beleza não era nada. Vi homens e mulheres belos, infelizes, apesar de sua beleza.
Também a saúde não contava tanto assim. Cada um tem a saúde que sente.
Havia doentes cheios de vontade de viver e havia sadios que definhavam angustiados pelo medo de sofrer.
A felicidade é amor, só isto.
Feliz é quem sabe amar. Feliz é quem pode amar muito.
Mas amar e desejar não é a mesma coisa.
O amor é o desejo que atingiu a sabedoria.
O amor não quer possuir.
O amor quer somente amar.
(Imagem: banco de imagens Google)
Dia de poesia – Charles Bukowski – Sem chance de ajuda

há um lugar no coração que nunca será preenchido um espaço e mesmo nos melhores momentos e nos melhores tempos nós saberemos nós saberemos mais que nunca há um lugar no coração que nunca será preenchido nem pela mesma pessoa novamente. e nós iremos esperar e esperar nesse lugar. esperar até que a semente vire árvore até que se volte da longa viagem até que prefira morrer a chorar novamente até que não aguente mais soluçar até que você abra os olhos e veja que esse lugar no coração nunca será preenchido, ninguém é capaz. e você vai esperar e esperar nesse lugar encontrará pessoas, iludirá outros como sempre fez mas não demorará para que percebas que a ilusão sempre se fez presente na sua mediocridade vital. há um lugar no coração que nunca, de maneira ou modo algum, será preenchido. Ficando apenas a ferida aberta, exposta para os insetos que te rodeiam. Eu estou morrendo. Mas não estou morto ainda.
(Imagem: banco de imagens Google)
Poesia da casa – quase nada

silêncio
de vozes, de amores
calmaria
sem vento, sem ondas
vazio
de vida, de paixão
morte
(Imagem: banco de imagens Google)
Dia de poesia – Sophia de M. B. Andersen- O Poema

O poema me levará no tempo Quando eu já não for eu E passarei sozinha Entre as mãos de quem lê O poema alguém o dirá Às searas Sua passagem se confundirá Com o rumor do mar com o passar do vento O poema habitará O espaço mais concreto e mais atento No ar claro nas tardes transparentes Suas sílabas redondas (Ó antigas ó longas Eternas tardes lisas) Mesmo que eu morra o poema encontrará Uma praia onde quebrar as suas ondas E entre quatro paredes densas De funda e devorada solidão Alguém seu próprio ser confundirá Com o poema no tempo
(Imagem: foto Nelson O’Reilly Filho)