Foi bonita a festa, pá Fiquei contente Ainda guardo renitente Um velho cravo para mim Já murcharam tua festa, pá Mas certamente Esqueceram uma semente Em algum canto de jardim Sei que há léguas a nos separar Tanto mar, tanto mar Sei também quanto é preciso, pá Navegar, navegar Canta a primavera, pá Cá estou carente Manda novamente Algum cheirinho de alecrim Canta a primavera, pá Cá estou carente Manda novamente Algum cheirinho de alecrim
Dia de Poesia – Giuseppe Ungaretti – Se tu, mio fratello

Se tu mi rivenissi incontro vivo, Con la mano tesa, Ancora potrei, Di nuovo in uno slancio d'oblio, stringere, fratello, una mano. Ma di te, di te più non mi circondano Che sogni, barlumi, I fuochi senza fuoco del passato. La memoria non svolge che le immagini E a me stesso, io stesso Non sono già più Che l'annientante nulla del pensiero.
(Imagem: banco de imagens Google)
Memória – Amigos de uma vida (por ser, hoje, o Dia Internacional do Livro)
Quando eu morrer o que será feito de meus livros?
Quem os olhará com orgulho,
Quem os manuseará com carinho?
Esses livros – companheiros de vida
que se foram somando e se deixando ficar,
estão comigo há décadas e décadas.
Por os ter, assim comigo, nunca senti solidão.
Quando eu morrer o que será feito de meus livros?

A quem interessará manter todos eles
assim juntos, numa ordem que só eu conheço?
Lidos e relidos a cada tempo certo
Trazendo tantas respostas
Fazendo companhia e dando conselhos
Não me deixando esquecer tantas tristezas
e proporcionando incontáveis alegrias
Quando eu morrer o que será feito de meus livros?
Não mais os poderei ter comigo
E nem sei a quem os deixar para adoção,
como filhos que não queremos ver separados
Eles estão juntos há tanto tempo
já se amoldaram uns aos outros para
dividirem o mesmo espaço. Tantas mudanças,
Tantas casas, tantas cidades, e eles comigo.
Sem ordem de preferência, todos amados.
Como garimpeira urbana eu os encontro
em sebos, livrarias, velhas bibliotecas abandonadas.
Alguns com a dedicatória do autor
Outros até mesmo com a capa estragada
Muitos vieram direto das lojas, novíssimos
Cada um traz sua história e sua verdade.
Um dia – cada vez mais próximo – terei de deixá-los
e partir na viagem sem nenhuma bagagem
Entristecida com a sorte de todos eles, eu pergunto:
Quando eu morrer o que será feito de meus livros?
(Imagem: foto de Maria Alice)
Para hoje…
Dia de poesia – Florbela Espanca – Saudades

Saudades! Sim… Talvez… e por que não?…
Se o nosso sonho foi tão alto e forte.
Que bem pensara vê-lo até à morte.
Deslumbrar-me de luz o coração!
Esquecer! Para quê?… Ah! como é vão!
Que tudo isso, Amor, nos não importe.
Se ele deixou beleza que conforte.
Deve-nos ser sagrado como o pão!
Quantas vezes, Amor, já te esqueci,
Para mais doidamente me lembrar,
Mais doidamente me lembrar de ti!
E quem dera que fosse sempre assim:
Quanto menos quisesse recordar.
Mais a saudade andasse presa a mim!
(Imagem: banco de imagens Google)
Poesia da casa – Meu silêncio

Não diga nada. Apenas ouça meu silêncio. Em silêncio. Ouça tudo que meu silêncio diz Mesmo que eu não o possa dizer Por mim ele diz tudo para você Mesmo que você não o queira ouvir Ele irá dizer, tudo dirá por mim Diz que ainda amo você Que a paixão existe e me domina E também que jamais o esquecerei E para sempre esperarei sua volta Ele diz que sua partida me destruiu E vivo imersa em mágoas e lágrimas Que a minha vida perdeu todo o encanto Apenas ouça o que meu silêncio diz Enquanto pensa no que você Também gostaria de me dizer Mas não, não diga nada Seu silêncio de todos esses meses E a forma como você me deixou Já disseram tudo por você Não precisa dizer mais nada Mas não fuja, enfrente: Ouça, agora, o meu silêncio
(Imagem: foto de Maria Alice)