
E assim vou mundo afora…

A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –


Quando o dia se esvai, tudo é silêncio,
e a noite, suave, traz a lua e seu encanto,
na hora em que nada mais se espera,
penso em tudo enquanto penso em nada;
eu me recolho no vazio de minha alma,
para deixar fluir toda essa ternura
e sonhar que não há tristezas na vida
e ter a certeza de que estamos juntos.
Que vontade eu sinto de você,
que saudade eu sinto de nós dois;
venha me tocar do jeito que só você me tocou,
venha me falar as palavras que só você já falou,
venha, meu amor, ser meu ninho e serei seu aconchego,
Venha me amar da forma que nunca ninguém me amou.
(Imagem: foto de Maria Alice)
Se eu fosse poeta
Eu queria ser poeta para falar da minha paixão
e assim conseguir mostrar meu amor por você;
eu queria escrever um poema usando a caneta da alma
e a tinta do sangue do sentimento mais doce.
Escrever sobre o brilho ímpar dos seus olhos e
da meiguice de suas mãos e do gosto único da sua boca
Descrever o arrepio que me percorre todas as vezes em que você
me enlaça e me aperta em um abraço de ternura e me beija.
Do torvelinho de sentimentos que me confundem, me arrebatam
e me fascinam e me fazem sonhar quando penso em você.
Da saudade doída que não me deixa um só instante nessa vida.
E da vontade de você que me persegue em todos os segundos.
Se eu fosse poeta eu descreveria tudo isso em um poema
que pudesse traduzir em palavras tudo o que sinto
Escreveria sobre nossos sonhos e todos os nossos planos;
Sobre a esperança de estarmos sempre juntos nessa vida
e assim um dia, felizes, morrermos no abraço final.
Escreveria da alegria de ouvir sua voz e sua risada todos os dias.
E da ansiedade ao ouvir seus passos a cada volta sua
Se eu fosse poeta escreveria um poema vindo direto do coração
só para poder dizer, todos os dias, com emoção,
O quanto eu amo e vivo apenas porque você existe
E ainda escreveria que você é a imagem da minha felicidade
Queria ser poeta para conseguir, apenas com minhas palavras,
não só falar de amor, mas também tocar seu coração
E que quando você lesse esse meu poema, escrito para você,
pleno de pura paixão, escrito com a essência de minha alma,
Você olhasse longamente no fundo nos meus olhos,
e entre lágrimas, emocionado, dissesse: Te amo!
Só para isso eu queria ser poeta.
Mas não sou…
Para Vinicius
19 de outubro. Mais um 19 de outubro a se somar a tantos outros já passados. Não um dia comum, igual aos outros 364 (algumas vezes 365) dias de cada ano. Mas o Dia 19 de outubro.

Dia de festa? Sim!
Dia de alegria? Sim!
Mas também dia de pranto. Dia de dor.

Mais um aniversário do querido Poeta (festa e alegria) que nos deixou há 40 anos (pranto e dor).
Comemoramos essa data – poetas, seresteiros, amantes da Poesia, fãs da arte maior que é escrever e se perpetuar pela palavra – quando festejamos a data do nascimento de Vinicius de Moraes.

No longínquo 19 de outubro de 1913 nascia, no Rio de Janeiro, Marcus Vinícius da Cruz de Mello Moraes, aquele que viria a ser talvez o maior poeta brasileiro do século XX.
Poeta, escritor, cantor, embaixador… mas o que mais encanta em sua profícua trajetória, sem qualquer sombra de dúvida, é sua poesia. Ou melhor, sua Poesia.
Cantou o amor, a paixão.
E nos tornou amantes e apaixonados.

Traduziu em palavras sentimentos indescritíveis. Transformou a mulher em imagem sublime, e a paixão no mais nobre dos sentimentos. Chamado carinhosamente de Poetinha pelo parceiro Tom Jobim, é nosso maior Poetinha. O grande Poetinha.
De impressionante lirismo, é impossível ficar indiferente à sua poesia, que toca a alma de quem a lê.
Como não se emocionar ao se ler: “… E se mais do que minha namorada você quer ser minha amada, minha amada, mas amada pra valer…” ou “… Por não te possuir, tendo-te minha / Por só quereres tudo, e eu dar-te nada / Hei de lembrar-te sempre com ternura.” , e ainda “…Eu sei que vou sofrer / A eterna desventura de viver a espera / De viver ao lado teu / Por Toda a minha vida.”

Tanto amor, tanto desamor, tanta solidão…

Vinicius partiu para a derradeira viagem. Mas, se não era eterno, certamente é imortal…
Quando chegares e eu te vir chorando
De tanto te esperar, que te direi?
E da angústia de amar-te, te esperando
Reencontrada, como te amarei?
Que beijo teu de lágrimas terei
Para esquecer o que vivi lembrando
E que farei da antiga mágoa quando
Não puder te dizer por que chorei?
Como ocultar a sombra em mim suspensa
Pelo martírio da memória imensa
Que a distância criou – fria de vida
Imagem tua que eu compus serena
Atenta ao meu apelo e à minha pena
E que quisera nunca mais perdida…