Dicionário emocional

ADEUS: quando o coração que parte deixa metade com quem fica

AMIGO: alguém que fica para ajudar quando todos já se foram

CIÚME: quando o coração fica apertado porque não confia em si mesmo

CARINHO: quando não encontramos nenhuma palavra para expressar que sentimos e deixamos que as mãos falem por nós      

LEALDADE: quando se prefere morrer a trair o outro

LÁGRIMA:  quando o coração pede aos olhos que falem por ele

MÁGOA: espinho que colocamos no coração e depois esquecemos de retirar

PESSIMISMO: quando perdemos a capacidade de ver em cores

SOLIDÃO – quando estamos cercados de pessoas mas o coração não vê ninguém por perto

(desconheço a autoria)

Poesia da casa – Folha seca

Isolado Folha Seca No Chão Fotos do acervo - FreeImages.com
Arrastada vai a folha, pelo vento, pela brisa
Ora para, ora voa, não tem repouso ou guarida
Tão queimada pelo sol, tão saudosa de seu galho
Segue a folha seu destino, sonha chegar ao regato

Depois de tanto sofrer, é sol, é sede, é cansaço
Finalmente vem a chuva e a leva a enxurrada
Sente a folha muita alegria, ao ser tocada pela água fresca
Vai cantando sorridente, encontrar o seu destino.

Não sabe, porém, a folha, da força de uma torrente
Quando enfim encontra o rio, está muito machucada
Folha seca encharcada, toda quebrada e rasgada
Já não pode ver o arroio, já não sente a acolhida

Assim é meu coração, seco de tanto desamor
Buscando o frescor de um querer
Sonhando com uma paixão
Que nunca irá conhecer



Dia de poesia – Vinicius de Moraes – Soneto do amor maior

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Maior amor nem mais estranho existe
Que o meu, que não sossega a coisa amada
E quando a sente alegre, fica triste
E se a vê descontente, dá risada.

E que só fica em paz se lhe resiste
O amado coração, e que se agrada
Mais da eterna aventura em que persiste
Que de uma vida mal-aventurada.

Louco amor meu, que quando toca, fere
E quando fere vibra, mas prefere
Ferir a fenecer – e vive a esmo

Fiel à sua lei de cada instante
Desassombrado, doido, delirante
Numa paixão de tudo e de si mesmo

Poesia da casa – Guardiã do vento

Palavras ao Vento | Lírica
Eu, tua guardiã, ó Vento,				

Contigo percorri o mundo

Velei-te a todo momento

Guardei-te a cada segundo


Seguindo teus desafios

Deixei para trás minha vida,

Passei por tantos desvios

Sempre feliz e iludida


E quando penso ir embora

Vem a brisa e me sussurra

“Fique, ainda não é a hora”

Louca, me puxa e me empurra


Eu fico e não me arrependo

Ó Vento, minha perdição

E então tu foges correndo

Em forma de furacão


Nessa minha triste sina

De tentar conter o vento

Vem o tempo e me ensina

Que essa vida é um catavento


Esse momento há de chegar

Um dia partirás sozinho

Seguirei meu solitário caminho

Mas tu não me verás chorar


Eu, guardiã do Vento

de tudo meu desisti

Hoje vivo neste tormento

Em que brisa me perdi?


(Imagem: banco de imagens do Google)

Dia de Poesia – Olavo Bilac – Remorso

O sentido da vida trancafiado na quarentena - OliverTalk
Às vezes, uma dor me desespera...
Nestas ânsias e dúvidas em que ando.
Cismo e padeço, neste outono, quando
Calculo o que perdi na primavera.

Versos e amores sufoquei calando,
Sem os gozar numa explosão sincera...
Ah! Mais cem vidas! com que ardor quisera
Mais viver, mais penar e amar cantando!

Sinto o que desperdicei na juventude;
Choro, neste começo de velhice,
Mártir da hipocrisia ou da virtude,

Os beijos que não tive por tolice,
Por timidez o que sofrer não pude,
E por pudor os versos que não disse!