Poesia da casa – Um ponto de luz

Descoberto o buraco negro mais brilhante dos primórdios do Universo

Você existe e eu existo.

Isso me basta.

Mantém em mim acesa essa chama

Da paixão e do desejo.

A distância é indiferente

Em algum lugar do cosmo

Dois pontos de luz

se aproximam e se cruzam

Por um instante se tocam

E se tornam um único ponto

No momento sublime

Desse encontro impossível

Em respeito o sol se recolhe

E no escuro da noite

Quando a lua aparece

E cheia de ciúme tenta

Encobrir aquele encontro

Ilumina-se com a luz desse ponto

Instante em que a natureza emudece

Deslumbrada pela luz intensa

Que emana de tanta paixão

Enquanto a distância desaparece

(Imagem – Quasar do banco de imagens Google)

Poesia da casa – Brincadeira

Vamos conjugar o verbo amar
Eu te digo – eu te amo!
Você me responde – eu te amo!
Mas só no presente do indicativo
Não quero as falsas promessas do futuro
Nem as lágrimas do pretérito sempre imperfeito

Depois vamos brincar de abraçar
Eu abro meus braços e vou até você
Você abre seus braços e vem até mim
E nos encontramos no meio do caminho
Assim nos abraçamos fortemente
Em um abraço que não tem mais fim

Depois faremos o ritual de separar
Você me diz “eu te odeio” e então 
Eu olho para você com olhos de desprezo
Não precisaremos inventar desculpas 
Eu seguirei meu caminho solitário
E no sentido oposto você  partirá.

Memória – Relógio

Eu quero hoje um novo relógio,

diferente de todos os outros

que tenho ou que um dia já tive.

Um relógio com sábios ponteiros.

Que não venham apenas para mostrar

e marcar horas, minutos e segundos.

Mas ponteiros que marquem alegrias,

sorrisos e também os encantos.

Que marquem as horas mais felizes,

todos os minutos de espera

e os segundos de paixão ardente.

Quero um relógio que não me desperte

no meio de um sonho que quero sonhar.

Que deixe meu sono fluir quando estou

adormecida no aconchego do amor.

Quero esse relógio especial,

que me ajude a dormir e a sonhar.

Que apague todos os maus ruídos,

e me embale em suave melodia.

Relógio novo que me acorde para a vida,

sem ouro nem prata, apenas simples,

mas seja capaz de me abrir a janela

de um novo horizonte, um novo viver.

De Clarice Lispector – Como você me vê

Sou como você me vê… posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania, depende de quando e como você me vê passar…

suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato…

tenho uma alma muito prolixa e uso poucas palavras, sou irritável e firo facilmente. Também sou muito calma e perdoo logo.


Não esqueço nunca. Mas há poucas coisas de que eu me lembre… Tenho felicidade o bastante para ser doce, dificuldades para ser forte, tristeza para ser humana e esperança suficiente para ser feliz.

Não me deem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.

Não me mostrem o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração.

Não me façam ser quem não sou.

Não me convidem a ser igual, por que sinceramente sou diferente.

Não sei amar pela metade.

Não sei viver de mentira.

Não sei voar de pés no chão.

Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma para sempre…

Sou uma filha da natureza: quero pegar, sentir, tocar, ser.


E tudo isso já faz parte de um todo, de um mistério.


Sou uma só… Sou um ser… a única verdade é que vivo.


Sinceramente, eu vivo.

Memória do blog – Há dois anos – Dia do abraço

Recebi, hoje, várias mensagens referentes ao “dia do abraço”.

Eu nem sabia que existia um dia do abraço. Sempre pensei que abraços fossem dados diariamente, gratuitamente, por prazer e com alegria.

Mas, descobri que há um “dia do abraço”…

Há pessoas que eu queria tanto abraçar e delas receber um abraço.

Mas aquele tipo de abraço que envolve, acarinha, aconchega, dá paz e vontade de nunca mais sair dali, de tão gostoso que é.

Pessoas que abraço sempre e gosto de abraçar.

Pessoas que nunca mais abracei, mas tenho muita saudade de abraçar e ser abraçada.

Aquele momento único dentro de um abraço, quando os corações se encontram e batem dentro do mesmo compasso, dizendo um ao outro: “ estou aqui, estou com você; pode contar comigo”.

Sempre achei que o abraço foi uma das maiores descobertas – ou invenções? – da humanidade. Nada é tão confortável quanto um abraço de verdade, dado com emoção.

Só uma coisa me preocupa: pode-se abraçar nos outros dias do ano, ou só hoje?