Meu amigo

Da mesma forma que a solidão é uma bênção, os amigos também o são. Sou de poucos amigos. Mas aqueles a quem chamo amigos, são realmente amigos. Relacionamentos afetuosos, antigos, recíprocos, atenciosos. Não é possível amizade de mão única.

Tenho um amigo fiel. A toda prova.

Estamos juntos desde minha juventude. Sempre juntos.

Ele esteve comigo quase diariamente. Estivemos juntos em todos os bares, em todas as festas.

Fez-me companhia nas grandes alegrias. Viu-me chorar nas tristezas e separações.

Noites e madrugadas era minha única companhia. Estava comigo no maior porre da minha vida. Está sempre ao lado, prestativo e dedicado. Nunca me faltou nem se ocupou de outros, deixando-me de lado.

É aquele amigo com quem posso contar nas noites de insônia.

Nos finais das longas tardes, quando é preciso calma e meditação.

Nas noites em qualquer lugar do mundo, se o chamar, ele está comigo.

Para ouvir música, ler poesias, ver um filme.

Chorar, desabafar, pensar nos problemas e procurar soluções.

E ele ali, a minha melhor companhia. Nunca me abandonou, nunca me deixou falando sozinha.

Meu freio nos desvarios e meu gatilho para me atirar.

Silenciosamente, ele está a meu lado. Sempre.

Meu melhor amigo, o whisky.

     

Do que é feita a saudade?

A saudade é feita de pequenos retalhos

De momentos felizes já passados e vividos

De beijos antigos ainda tão lembrados

De mãos que não nos tocaram, mas desejamos.

 

A saudade é feita de variados cacos

De recordações de olhos que nos viram

De tantas vozes que já não mais ouvimos

De muitos carinhos que agora já não temos

 

A saudade é feita de tantas lembranças

De pessoas que não ficaram em nossa vida

De algumas paixões ardentes que já esfriaram

 

A saudade é feita de todos esses pedaços 

De nossa alma que ficaram pelos caminhos

E agora, recolhidos, estão guardados no coração.

Dia de poesia – Luís de Camões – Soneto

Pois meus olhos não cansam de chorar

tristezas, que não cansam de cansar-me;

pois não abranda o fogo em que abrasar-me

pode, quem eu jamais pude abrandar;

 

não canse o cego Amor de me guiar

a parte donde não saiba tornar-me;

nem deixe o mundo todo de escutar-me,

enquanto me a voz fraca não deixar.

 

E se em montes, rios, ou em vales,

Piedade mora, ou dentro mora Amor

em feras, aves, plantas, pedras, águas,

 

ouçam a longa história de meus males

e curem sua dor com minha dor,

que grandes mágoas podem curar mágoas.

Gotas de mar

Trazia em si o encanto da imensidão

Nos olhos inundados de mar

Se movia no ritmo de ondas

Como se vivesse em um barco

 

Trazia na alma uma imensa paixão

Alimentava-se de amor, luz e alegria

Amava a espuma frágil da vida

Como se fosse personagem de romance

 

Trazia uma esperança de felicidade imbatível

Acreditava que o amor venceria tudo e todos

Até o momento em que viu seu mundo cair e

Sentiu a tristeza do abandono e solidão

 

E quando de seus olhos brotaram

As gotas do mar que trazia em si

Pela face tristemente correram,

Lágrimas salgadas como água do mar

Dia de Poesia – Mário Quintana – O Mapa

Olho o mapa da cidade
Como quem examinasse
A anatomia de um corpo…

(E nem que fosse o meu corpo!)

Sinto uma dor infinita
Das ruas de Porto Alegre
Onde jamais passarei…

Ha tanta esquina esquisita,
Tanta nuança de paredes,
Ha tanta moca bonita
Nas ruas que não andei
(E ha uma rua encantada
Que nem em sonhos sonhei…)

Quando eu for, um dia desses,
Poeira ou folha levada
No vento da madrugada,
Serei um pouco do nada
Invisível, delicioso

Que faz com que o teu ar
Pareça mais um olhar,
Suave mistério amoroso,
Cidade de meu andar
(Deste já tão longo andar!)

E talvez de meu repouso…

(Mário Quintana)

 

Descobertas e invenções

Da discussão nasce a luz, diz o ditado… mas não estou disposta a discutir e a luz pode ser acesa no interruptor ao alcance da minha mão…

Estou pensando nas maiores descobertas e invenções da humanidade – do meu estrito e pessoal ponto de vista. Para muitos – quase unanimidade, as maiores descobertas foram os movimentos da Terra, as leis do movimento, a seleção natural, dentre outras. Já as maiores  invenções foram as ferramentas básicas, a roda, a bússola etc. e tal. Não concordo nem discordo, mas tenho minha própria lista a respeito.

Acho que as maiores descobertas – aquelas que mais benefícios trouxeram à humanidade são, em primeiro lugar, o domínio do fogo. Como imaginar a vida sem um macarrão ou uma pizza, com o queijo derretendo do calor do fogo?

Daí decorre que, dominado o fogo, nada melhor que a descoberta da pipoca – até o nome “pipoca” já induz à ideia de alegria. Impossível viver sem.

Depois, vem a descoberta do ciclo da lua – o que possibilitou inventar a semana (não muito interessante) mas, principalmente, o FIM DE SEMANA. O que seria de nós, meros mortais, sem sábados e domingos?

Para alegrar nosso fim de semana, a descoberta da possibilidade de banho de mar – sábado que se preze, se passa à beira-mar, com longas caminhadas e alguns mergulhos.

Mas, sozinho não tem graça, então, depois da paixão, a maior descoberta foi que dar flores é garantia de uma companhia para os fins de semana. Porque namorar é muito bom, e não há namorada que não ame receber flores.

De outro lado, quais seriam, para mim, as maiores invenções da humanidade? Vamos lá:

De início, a maior de todas invenções foi a rede. Uma rede resume tudo o que precisamos para viver preguiçosamente – ela nos balança como um berço, ela nos acolhe e nos abraça, na rede dormimos, lemos, bebemos nosso whisky em paz e, para quem tem sorte, da rede dá para ver o mar.

Para o segundo lugar, acho que a maior invenção da humanidade foi o indispensável e ultrademocrático chinelo havaiano. Porque são bárbaros, confortáveis, coloridos, leves, calçam todos igualmente – ricos e pobres, feios e bonitos, altos e baixos… maravilha do mundo moderno.

Temos, ainda, na minha lista, a bola. Não a roda nem o círculo (cuja invenção eu louvo, mas acho a bola mais importante). A bola é objeto usado desde o berço até os últimos dias no hospital. Seja para brincar, correr atrás, fazer ginástica, até uma pequena para cuidar de artroses e movimentos. É o brinquedo-utilidade que acompanha a humanidade sempre.

Outra invenção maravilhosa foi o livro. Não só a escrita, mas o livro físico, aquele “amarrado” de papel que levamos para todo lado. Quer ser feliz? Una a rede, a pipoca e o livro… nada mais é preciso. Um livro pode ser muita coisa na nossa vida – viagem, conhecimento, descoberta, paixão, romance, drama, terror, suspense… nada mais poderoso que um livro para abrir a mente.

Há ainda o cinema – ou filme – que também nos transporta para outro mundo e dá um sabor todo especial ao dia.

Aí está a minha lista. Nem todos concordariam, mas avisei que era lista pessoal.

E você? Na sua opinião, quais as maiores descobertas e invenções da humanidade